Apenas 16% dos jovens brasileiros pensam em entrar para a política

Relatório da The Body Shop, em parceria com o Secretariado para Juventude da ONU, traçou perfil da juventude em todo o mundo 🗳

Por Andréa Martinelli Atualizado em 4 ago 2022, 13h21 - Publicado em 4 ago 2022, 13h09
Pesquisa The Body Shop
Apesar de pouco engajamento na política institucional, a pesquisa destaca que 74% dizem que começaram a fazer mudanças positivas por aqui, viu? Getty Images/Getty Images

Você já deve ter ouvido por aí que os jovens são o futuro do país. Pois é: mais de 64% das pessoas dizem acreditarem que as novas gerações mudarão o mundo para melhor, mas apenas 16% dos menores de 30 anos no Brasil pensam ou consideram a concorrer a um cargo público e entrar para a política institucional. E o interesse em entrar para este mundo é maior entre os meninos (21%) do que entre as meninas (13%), viu?

Esses dados fazem parte da campanha “Sua Voz, Seu Poder”, lançada nesta quinta-feira (4), pela marca The Body Shop em parceria com a Secretaria Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Juventude. A intenção é incentivar a participação dessa galera jovem como você na vida pública – e ajudar, de fato, a construir um mundo melhor.

A marca se juntou à organização social Engajamundo aqui no Brasil, que atua na conscientização e formação de jovens lideranças para articular os problemas sociais e ambientais. Hoje, a CAPRICHO publica com exclusividade os dados do relatório, que mostra muita coisa sobre o cenário em que a gente vive hoje e como os jovens se posicionam.

No total, a pesquisa cobriu informações de 26 países e contou com 27.043 entrevistados no total, mais da metade dos quais tinham menos de 30 anos. Em abril, a marca fez um “esquenta” com a realização de um mutirão em uma de suas lojas para que adolescentes entre 16 e 17 anos tirassem seu título de eleitor a tempo de votar nas eleições de 2022.

“O relatório é uma fotografia de um momento crítico para entender preconceitos e barreiras estruturais que impedem os jovens de participar da vida pública, juntamente com recomendações para enfrentar esses desafios em benefício das sociedades em todo o mundo”, diz Karina Meyer, diretora de Marketing da The Body Shop no Brasil em conversa com a CH.

Apesar de pouco engajamento na política institucional, a pesquisa destaca que 74% das pessoas no Brasil dizem que começaram a fazer mudanças positivas no mundo, dado que fica um pouco acima da parcela mundial, que chega a 66%. Indivíduos que participaram do levantamento com menos de 18 anos (83%) e com 60 anos ou mais (84%) no Brasil são mais propensos a declarar terem feito mudanças positivas. Ou seja, querem ajudar a construir um mundo melhor.

As contribuições, perspectivas e representação da juventude são mais do que nunca necessárias. Os problemas do mundo não podem ser resolvidos pelas mesmas pessoas fazendo as mesmas escolhas

Karina Meyer, executiva da The Body Shop
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Outro dado que chama a atenção é o de que a população entre 17 e 30 anos são mais engajados do que aqueles ouvidos no resto do mundo, manifestando suas opiniões sobre questões sociais e ambientais nas redes sociais (49% dos brasileiros x 32% globalmente) e entre amigos e família (43% dos brasileiros x 43% globalmente) com frequência.

“Acreditamos que cada vez mais é preciso que essa população se engaje com os temas com que deverá lidar no futuro de curto prazo, como as mudanças climáticas, a inequidade, e a falta de garantia dos direitos humanos para boa parte da população, especialmente a mais vulnerável, como mulheres e meninas”, complementa a executiva.

Para os jovens brasileiros, os principais problemas que o mundo enfrenta são: pobreza (citada por 36%), desemprego (citado por 33%) e mudanças climáticas (citadas por 27%). A pesquisa identificou que no Brasil há uma postura mais positiva com relação a educação. Preocupações com mudanças climáticas e a saúde mental foram destaque, assim como o principal ponto de partida para se envolver na política é a possibilidade de fazer mudanças significativas. 

“Milhões de jovens estão invisibilizados da vida pública”, aponta Meyer. “As contribuições, perspectivas e representação da juventude são mais do que nunca necessárias. Os problemas do mundo não podem ser resolvidos pelas mesmas pessoas fazendo as mesmas escolhas. Nossa pesquisa indica que a maioria dos jovens é positiva em relação ao futuro, e precisamos ouvir seus pontos de vista e ideias dentro dos espaços de poder.”

Sim, esta será a eleição das meninas 💅

Após uma intensa campanha do TSE para emitir o título de eleitor, que envolveu influenciadores digitais, artistas e políticos, o eleitorado jovem cresceu 51,13%. Essa faixa etária registrou 716.164 eleitores a mais do que em 2018, apontam os dados. Neste ano, somos mais de dois milhões de eleitores, consolidados em 2.144.946.

Mas os dados ficam mais interessantes ainda quando olhamos por faixa etária e gênero. O número de meninas eleitoras, entre 16 e 17 anos, quando o voto ainda é facultativo, chegou a 1.157,461. Enquanto o número de meninos na mesma faixa etária ficou em 957.485. 

Por aqui no CH na Eleição a gente também participou dessa campanha de incentivo ao voto jovem e vamos continuar acompanhando as eleições para colaborar com o envolvimento da nossa galera – afinal, já deu para perceber que com tantos novos eleitores, os políticos com certeza estão interessados em nós, certo?

Ter novos eleitores significa uma nova base de eleitorado, o que também quer dizer que essas pessoas podem determinar os rumos da eleição. E, em um ano tão importante, com questionamentos até sobre a legitimidade da urna eletrônica, é essencial fazermos um uso consciente do nosso poder de voto – e até das nossas redes sociais.

Você que acompanha a CAPRICHO já sabe porque política é importante, o que é o voto consciente e como ele pode te ajudar a escolher candidatos; e como usar as redes sociais para falar de política e o quanto seu repost pode, sim, eleger um presidente.

E lembre-se: o programa #CHnaEleição vai ao ar quinzenalmente às quintas-feiras, em todas as redes sociais da CAPRICHO.

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