Você notou que os candidatos estão disputando o voto jovem entre si?

Após campanha em massa, a batalha pelo voto do eleitorado entre 16 e 18 anos já começou.

Por Marcela de Mingo, para a Capricho Atualizado em 24 jun 2022, 16h23 - Publicado em 11 Maio 2022, 09h48
Já reparou que os candidatos deste ano, seja para presidente, seja para vereador ou deputado estão correndo atrás dos votos da nossa galera? Então…
Já reparou que os candidatos deste ano, seja para presidente, seja para vereador ou deputado estão correndo atrás dos votos da nossa galera? Então… Getty Images/Getty Images

Falar de eleições e, principalmente, de política nunca foi tão importante, né? E você já deve ter percebido que tem muita – muita! – gente correndo atrás do prejuízo e fazendo de tudo pra conseguir os votos da nossa galera. 

Depois de uma campanha enorme para aumentar o número de eleitores entre 16 e 18 anos – você viu que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) comemorou a marca de dois milhões de novos eleitores para as eleições deste ano? Legal demais! -, agora os candidatos querem puxar a sardinha desse eleitorado para si. 

Entre as táticas que deverão ser usadas estão a aposta no endosso de influenciadores, presença em aplicativos até então negligenciados, como TikTok, e produção de conteúdo que possa viralizar ou virar meme.

Mas por que isso, hein? 

Simples: “Os votos jovens podem fazer a diferença no eleitorado”, explica Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). “É uma eleição muito polarizada e faz muita diferença conquistar esses segmentos do eleitorado – os jovens são um contingente importante dos eleitores.” 

Entre janeiro e abril deste ano o Brasil ganhou 2.042.817 novos eleitores entre 16 e 18 anos. O número é um recorde e apresenta aumento de 47,2% em relação ao mesmo período em 2018, ano em que as últimas eleições gerais ocorreram no país. Segundo o TSE, este número ainda é 57,4% maior em relação aos quatro primeiros meses do ano em 2014.

É uma eleição muito polarizada e faz muita diferença conquistar esses segmentos do eleitorado – os jovens são um contingente importante dos eleitores

Apesar do recorde, o público entre 16 e 24 anos apresenta a menor taxa de interesse pelas eleições, segundo o Instituto Datafolha. Apenas 31% dos entrevistados nessa faixa etária afirmaram ter “grande” interesse sobre o assunto. Nas outras faixas, o percentual é sempre superior a 40%.

Para os especialistas ouvidos pela CAPRICHO, o objetivo das campanhas direcionadas à nossa galera deu certo e teve como intenção reverter a tendência de baixo interesse em relação à disputa eleitoral.

Mas o ponto de atenção é que nós, o público jovem, ganhamos ainda mais relevância quando observa-se quem são os eleitores declarados dos dois principais candidatos ao pleito deste ano: para Jair Bolsonaro, o atual presidente, os eleitores são homens mais velhos e brancos. Já para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os eleitores são mais jovens, com idade entre 16 e 24 anos.

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“Isso ocorre devido à identificação dos jovens com a narrativa de transformação apresentada pela esquerda e claro, o fato de vivenciarem um atual governo de direita que se mostra incompetente e despreparado”, avalia a estudante Marcela Barros, 19. Ela cursa Ciência Política na UnB e é idealizadora do Projeto Vest News e Livro para Todos, ambos com a intenção de democratizar a educação no país.

De acordo com outra pesquisa recente do Datafolha, no recorte por idade, o petista vence em todas as faixas etárias, mas tem maior vantagem – de 51% – entre os mais jovens. A menor é entre quem tem mais de 60 anos, de 39%. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 22% da preferência na faixa etária de 16 a 24 anos. O grupo que mais apoia o atual chefe do Executivo é formado por quem tem mais de 45 anos, 29%. 

Aliás, pegando esse gancho, podemos perceber que essa movimentação tem sido mesmo maior entre os candidatos da direita, justamente porque nós parecemos mais propensos a votarmos em candidatos da esquerda – e isso é necessariamente vale para todos; mas se torna um problema para quem quer continuar no governo, tanto que a narrativa de deslegitimização do processo eleitoral brasileiro está super em alta nos últimos dias.

“Os jovens mostram uma crítica com o fato de que o governo de extrema-direita tem deixado de lado agendas que são importantes para eles ou atacado abertamente agendas às quais eles são sensíveis, como a de igualdade de gênero e a agenda ambiental”, diz Flávia. “Eu levantaria essas hipóteses para entender porque a posição política dos jovens hoje não favoreceria, em geral, o candidato de extrema-direita”, avalia.  

Deu para entender o porquê da corrida? 

E outra: a gente está cansado de ouvir que somos o futuro do país, mas isso não deixa de ser verdade. Somos parte do povo brasileiro, apesar de muitas vezes não lidarem com a gente dessa maneira – até já falamos um pouco desse silenciamento por aqui, né? E como parte do povo que, em breve, vai estar no mercado de trabalho (isso se já não está!), usufruindo ainda mais do contexto societário, as nossas escolhas e decisões referente aos governantes importam muito. 

Vale considerar também que para muitos de nós essa mentalidade política ainda está em formação. De novo entra aí a questão do silenciamento. Como, muitas vezes, somos desconsiderados dessa conversa e excluídos das narrativas políticas, a manipulação ideológica é mais fácil e a busca por votos, muitas vezes, nem tem a ver com uma consideração real sobre o que é mais importante para a gente como cidadão, mas para garantir um lugar na máquina pública para uma pessoa super gananciosa. 

“Como vão votar pela primeira vez, é importante reforçar a importância de se manter informado sobre os candidatos e suas propostas, especialmente, aquelas que dizem respeito à juventude”, continua Marcela. 

Isso significa ir além de escolher um candidato ou se alinhar a um partido político, mas buscar informação de qualidade, ler os planos de governo dos principais candidatos e, claro, acompanhar essas pessoas depois de eleitas. Vale lembrar que, nesse caso, não dá para pensar só em presidente, hein?! Os candidatos ao Legislativo são essenciais na construção do processo democrático e escolhê-los com consciência é tão importante quanto escolher um bom presidente para o país. 

Você que acompanha a CAPRICHO sabe que nós já te explicamos que política é importante, porque jovens entre 16 e 17 anos precisam votar, mesmo não sendo obrigatório, o que é o voto consciente e como ele pode te ajudar a escolher candidatos e demos dicas para você usar as redes sociais para falar de política e se informar de forma correta.

O seu voto importa, sim, assim como de todo cidadão brasileiro. Mas é importante considerar que eleitores novos são uma nova possibilidade para os candidatos conseguirem o que querem: uma nova chance de manterem ou conquistarem um lugar no governo. Resta a nós usarmos esse poder com consciência e priorizando as nossas necessidades como parte da sociedade. 

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