Caso Isabele: polícia divulga últimas imagens da jovem antes de ser morta

"Tragédia teria sido evitada se o Estado conseguisse controlar de maneira mais rígida a circulação de armas de fogo", disse o advogado Breno Melaragno

Por Isabella Otto - Atualizado em 13 set 2020, 10h33 - Publicado em 8 set 2020, 10h46

Na última quarta-feira (2/9), a Polícia Civil do Mato Grosso encerrou as investigações do caso Isabele e concluiu que a amiga de Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, atirou na adolescente, também de 14 anos, com a intenção de matar. O crime aconteceu na noite de 12 de julho, em um condomínio de luxo de Cuiabá. No último domingo (6), o Fantástico, da Rede Globo, divulgou os momentos finais da jovem antes de ser morta com um disparo na cabeça.

Imagens de Isabele chegando à casa da colega, por volta das 16h40 Fantástico/Rede Globo/Reprodução

As imagens da câmera de segurança mostram Isabele na porta da casa da amiga, entrando na residência. No mesmo instante, o pai da adolescente que cometeu o crime estava na mesa da sala fazendo manutenção em seis armas de fogo. Contrariando antigos relatos, o pai, que era praticante de tiro esportivo, assim como toda a família, disse em novo depoimento que a arma usada no crime foi deixada na casa dele pelo namorado da filha, que precisava voltar para casa correndo por causa do toque de recolher, em decorrência da pandemia de COVID-19, e estava com medo de ser parado em uma blitz. Incongruência nos depoimentos foi um dos motivos que levaram a polícia a usar provas técnicas para solucionar o crime. “A pessoa que efetuou o disparo estava dentro do banheiro. Isso pode ser comprovado, conforme deixa claro o laudo pericial, pelas manchas de sangue, pela posição de queda da vítima, e pelos elementos e marcas que foram deixados no local”, informou em coletiva de imprensa o delegado Wagner Bassi.

 

Para o advogado e professor da PUC-RJ Breno Melaragno Costa, “toda essa tragédia teria sido evitada se o Estado conseguisse controlar de maneira mais rígida a circulação de armas de fogo”. O namorado da adolescente que deu o disparo foi autuado por ato infracional análogo ao crime de porte de arma ilegal e o pai da jovem foi indiciado por quatro crimes: homicídio culposo, posse ilegal de arma de fogo, omissão de cautela na guarda da arma e fraude processual. A menina, caso o Ministério Público siga com a denúncia, pode ser submetida à medida socioeducativa de internação de até três anos, por ter cometido ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso. “Ela teve os sonhos delas interrompidos. (…) O que eu mais espero é que essa garota [que cometeu o disparo] seja internada e que o Ministério Público apresente a denúncia”, disse Patrícia Hellen Guimarães Ramos, mãe da vítima, em entrevista ao Fantástico.

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