Caso Isabele: jovem atirou em amiga com intenção de matar, diz polícia

Adolescente foi autuada por ato infracionário análogo a homicídio doloso e pai foi indiciado por três crimes, incluindo o de pose ilegal de armas de fogo

Por Isabella Otto Atualizado em 17 set 2020, 09h56 - Publicado em 3 set 2020, 10h55

As investigações do Caso Isabele foram encerradas na última quarta-feira, 2, pela Polícia Civil de Mato Grosso, que concluiu que a amiga de 14 anos, que matou Isabele Guimarães Ramos, também de 14 anos, atirou na jovem com a intenção de matar, configurando homicídio doloso.

Arma de fogo utilizada no crime Perícia Oficial e Identificação Técnica/Reprodução

Além dos depoimentos dos envolvidos, imagens do circuito interno de segurança foram analisadas. Concluiu-se que o namorado da adolescente que atirou em Isabele inseriu o carregador na arma, sem que a namorada soubesse, e a guardou no estojo. Tudo isso porque o sogro iria fazer a manutenção do equipamento mais tarde. Por volta das 22h, ele deixou a residência. A colega de Isabele então pegou o estojo e o colocou em cima da televisão. Depois, ela entrou no banheiro, onde a amiga estava. O disparo aconteceu nos minutos seguintes.

“A adolescente, que é praticante de tiro esportivo, afirmou que, ao guardar as armas, uma delas teria caído e disparado. Segundo laudo, a menor teria ido com a arma carregada até a amiga(…) Considerando as incompatibilidades de todas as versões apresentadas pela adolescente na sequência dos fatos, a conduta dela é dolosa“, disse Wagner Bassi, delegado da Delegacia Especializada do Adolescente. O disparo teria acontecido a uma distância de 20 a 30 cm.

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    A adolescente foi autuada por ato infracionário análogo a homicídio doloso. O pai foi indiciado sob suspeita de homicídio culposo (sem intenção de matar) e de outros quatro crimes: homicídio culposo, posse ilegal de arma de fogo (ele também era praticante de tiro esportivo), omissão de cautela na guarda da arma e fraude processual. O responsável também deverá pagar multas e pode pegar até 14 anos de prisão.

    Outro fato de contribuiu para que o homicídio fosse considerado doloso foi o de que as autoridades identificaram três ligações realizadas da casa onde o crime ocorreu para o SAMU, sendo que apenas na terceira tentativa foi informado ao serviço que Isabele havia levado um tiro. No dia 11 de agosto, um laudo pericial já havia descartado a hipótese de que o disparo havia sido acidental.

    Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, foi morta com um tiro na cabeça em um condomínio de luxo de Cuiabá, no Mato Grosso, na noite de 12 de julho. “Foi fazer um bolo e morreu”, lamentou a mãe da adolescente, Patrícia Hellen, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo.

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