Menarca: saiba o que é, quando acontece e o que muda no corpo

Um guia completo para você entender de uma vez por todas a menarca, nome dado à primeira menstruação

Por Gabriela Junqueira Atualizado em 12 fev 2021, 13h18 - Publicado em 13 fev 2021, 10h04
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CAPRICHO/Sestini/Divulgação

A menarca, nome dado ao primeiro fluxo menstrual, costuma acontecer entre os 10 e 14 anos de idade, dependendo do estilo de vida que a pessoa tem, dos hábitos alimentares, de alterações hormonais e do histórico dos ciclos geracionais. Além desse momento ser encarado de formas diferentes em cada cultura, e poder despertar uma série de sentimentos em cada indivíduo, ele também está relacionado a mudanças corporais.

Menarca: saiba o que é, quando acontece e o que muda no corpo
Tatiana Zabrodina/Getty Images

O que é a menarca?

Biologicamente falando, é a primeira menstruação. Ou seja, quando o corpo humano avisa que a jovem alcançou o início do período fértil e pode engravidar. Ela também está relacionada a outros processos do desenvolvimento do corpo humano, como o crescimento das mamas, o surgimento dos pelos corporais, principalmente os da região da púbis e das axilas, e o estirão de crescimento, que normalmente ocorre entre os 8 e 15 anos, como pontuou Danielle Andreoni, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein, para a revista Crescer. Todas essas mudanças corporais geralmente acontecem 25 meses antes da primeira menstruação descer e podem se tornar mais intensas com a proximidade da sua chegada.

Do ponto de vista sociopsicológico, a menarca muitas vezes vem acompanhada de novas responsabilidades, como se a maturidade tivesse batido à porta. Antigamente, por exemplo, a chegada da primeira menstruação era vista como o primeiro marco da vida adulta, com a garota tendo que se preparar para o casamento, mesmo que ainda fosse muito jovem para isso. Hoje, as coisas são diferentes, mesmo que em alguns cantos do mundo a menarca ainda seja encarada com esses olhos patriarcais. Apesar disso, é inegável que ela traz mudanças à vida da adolescente, que vai precisar lidar com alterações hormonais às vezes bastante bruscas, começar a usar algum tipo de absorvente (descartável, de pano, calcinha ou copinho), visitar o ginecologista, ter a consciência de que seu corpo está preparada para uma gestação, cogitar usar um método contraceptivo, etc.

  • Quando ela acontece?

    Embora não exista uma idade certa, a menarca costuma acontecer entre os 10 e 14 anos de idade. Ah! E você talvez já tenha ouvido alguém dizer que as pessoas estão menstruando cada vez mais cedo, né? De acordo com os especialistas, o mundo globalizado pode ser encarado como um dos fatores para explicar a menarca precoce (dos 8 a uns 11 anos de idade), já que interferências externas mexem com nosso hormonal. Vale também ressaltar que, se a menarca não ocorrer na vida da adolescente até os 16 anos, é importante procurar um ginecologista para descobrir se está tudo certinho.

    Quais são os sintomas e o que muda no corpo?

    Antes da menarca, o corpo dá alguns sinais de que alguma coisa vem aí. A gente passa pela fase do estirão de crescimento, pelinhos pubianos, nas axilas e nos seios que não existiam antes passam a nascer, os seios se modificam e podem aumentar de tamanho, os quadris também se desenvolvem e a pessoa pode enfrentar alterações de humor, sentir cólicas e um leve inchaço corporal nos dias que antecedem a menstruação (a famosa TPM). Mas há também quem não sinta nada disso e simplesmente repare que menstruou quando vai fazer xixi e vê um sinalzinho de sangue na calcinha. Em alguns casos, esse sinal pode nem ser tão sutil e a menstruação pode descer de uma vez. Tudo varia de pessoa para pessoa.

    Menarca: saiba o que é, quando acontece e o que muda no corpo
    Angelina Bambina/Getty Images

    A menarca tende a ser irregular?

    Sim, é comum que as primeiras menstruações sejam marcadas por ciclos e fluxos irregulares. Não se preocupe! Com o passar do tempo, por volta de seis meses a dois anos após a menarca, eles se tornam mais regulares, tornando-se assim mais fácil perceber quando a menstruação se aproxima e conhecer mais sobre o seu corpo. Contudo, se as alterações foram muito intensas ou insistentes, é aconselhável visitar o ginecologista, pois pode estar ocorrendo alguma síndrome, como a do ovário policístico, que só no Brasil tem mais de dois milhões de casos registrados por ano, e um tratamento pode ser necessário.

  • Preciso visitar um ginecologista após a primeira menstruação?

    É bastante aconselhável, embora muitas pessoas só façam essa visita antes ou depois de iniciarem a vida sexual. Normalmente, a primeira visita ao ginecologista é bem tranquila e o médico só vai te fazer algumas perguntas para entender melhor seu perfil e seu ciclo menstrual. Se você for virgem, no máximo, ele pode pedir um ultrassom e um exame de sangue. O exame de toque vaginal só pode ser realizado em pessoas que já tenham tido relações sexuais e outros mais invasivos, como o papanicolau, começam a ser feitos entre os 20 e 25 anos de idade, normalmente.

    E, afinal, por que menstruamos?

    Essa é fácil! Ao alcançar o início do período fértil, o útero, todo mês, “prepara o terreno” para receber o embrião, caso a fecundação aconteça. Quando ela não ocorre, o endométrio, que é uma membrana que reveste as paredes uterinas, se descama, fazendo uma faxina interna para que, no mês seguinte, todo o processo se repita. Sendo assim, o fluxo menstrual é composto por sangue e tecido uterino.

    É muito importante também que você saiba que a chegada da menarca não sinaliza que você precisa mudar do dia para a noite, se sentir alguém diferente, virar adulta em questão de segundos. Menstruar não pode te impedir de praticar esportes, realizar tarefas do dia a dia, ser livre e viver. Quando a menstruação afeta sua qualidade de vida, é sinal de que algo de errado não está certo. Alguns ciclos são mais intensos que outros, podendo a pessoa fazer uso de remédios, terapias naturais e até contraceptivos para aliviar os sintomas da tensão pré-menstrual, mas se a menstruação for sinônimo de agonia, dor e medo, é preciso buscar ajuda.

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