Desmatamento na Amazônia fecha 2020 como sendo o maior em 12 anos

Sem surpresa, a boiada segue passando e a área desmatada chegou ao nível anual mais alto desde 2008

Por Isabella Otto Atualizado em 3 dez 2020, 09h31 - Publicado em 3 dez 2020, 10h35
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CAPRICHO/Sestini/Divulgação

Como era de se esperar, terminamos o ano com o desmatamento na Amazônia registrando alta de 9,5%, conforme foi divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Pará (46,8%), Mato Grosso (15,9%), Amazonas (13,7%) e Rondônia (11,4%) são os quatro estados da Amazônia Legal que concentram 90% do total de áreas desmatadas.

Entre agosto de 2019 e julho de 2020, 11.088Km² foram destruídos. Apesar de tristes, trágicos e preocupantes, esses números não são uma surpresa. O governo anti-ambientalista de Jair Bolsonaro tomou diversas atitudes ao longo do último ano que contribuíram para tal cenário. Foi em maio, por exemplo, no início da pandemia de coronavírus no Brasil, que Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, disse durante reunião que era para usar a pandemia “como cortina de fumaça” para “deixar a boiada passar”, fazendo referência às regras ambientais que gostaria de mudar prontamente e que poderiam ser paradas pelo Congresso. “Não precisamos de Congresso. Porque coisa que precisa de Congresso também, nesse fuzuê que está aí, nós não vamos conseguir aprovar”, disse na mesma ocasião, explicando fala inicial.

Taxa do desmatamento na Amazônia em 2020
PRODES/Inpe/Divulgação

Além disso, o próprio presidente da República teve pronunciamentos negacionistas com relação às queimadas na Amazônia e no Pantanal, ora dizendo que elas eram naturais, ora que os culpados eram indígenas e ONGs. Os verdadeiros criminosos, aqueles gananciosos que colocam fogo de maneira ilegal para limpar e criar pastos, nunca são citados. Pelo menos, não pelos grandes no poder. “O governo está mentindo, tentando esconder a real situação e a culpa que tem. Os incêndios são quase criminosos, colocados por fazendeiros para limpeza e renovação do pasto”, declarou o biólogo Daniel Dainezi em entrevista para a CAPRICHO.

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    É relevante ressaltar também que em meio a esse cenário de crise ambiental, com fazendeiros sendo investigados pelos incêndios pantaneiros, que bateram todos os recordes em 2020, Heloisa Bolsonaro, esposa de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e deputado federal pelo estado de São Paulo, realizou a festa de “mesversário” da pequena Geórgia. O tema? O agronegócio. Na decoração, muito gado e muita pastagem. Orgulhosa, Heloisa escreveu na legenda da postagem: “O Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo, com 222 milhões de animais. Atualmente, o país produz 10 milhões de toneladas de carne bovina, 20,8% são negociados para dezenas de países”.

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    Em entrevista para o G1, Cristiane Mazzetti, Gestora Ambiental do Greenpeace, declarou que: “A visão de desenvolvimento do governo Bolsonaro para a Amazônia nos leva de volta ao passado, marcado por altas taxas de desmatamento. É uma visão retrógrada, que não conversa com a maioria dos brasileiros e não condiz com os esforços necessários para lidar com as crises do clima e da biodiversidade“.

    “Sou o capitão motosserra”, já ironizava o presidente Jair Bolsonaro em agosto de 2019. Neste ano, Eduardo, o filho, disse que Leonardo DiCaprio, ator e ativista ambiental, foi um dos responsáveis “por tacar fogo na Amazônia”. Tá pouco ou quer mais? “A ambição do homem faz com que ele arrisque a própria vida para conseguir o que deseja”, lamentou Samara Reis, indígena Borari de Alter do Chão, em entrevista para a CAPRICHO.

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