Aluna é retirada da sala de aula por usar roupa “que mais parece lingerie”

Código de vestimenta da escola, que impede que garotas usem peças que possam "distrair o ensino ou a aprendizagem", foi novamente usado como desculpa

Por Gabriela Junqueira Atualizado em 4 mar 2021, 11h36 - Publicado em 4 mar 2021, 11h35
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CAPRICHO/Sestini/Reprodução

Karis Wilson, uma adolescente de 17 anos, foi retirada da sala de aula de sua escola na última terça-feira, 23, no Canadá, por estar usando um vestido que foi comparado a uma lingerie. A aluna escutou do professor que ela devia voltar para casa e trocar de roupa, porque a peça era inadequada e estava fazendo o educador se sentir “estranho”. Outra professora havia dito que a peça lembrava uma lingerie.

Aluna é retirada da sala de aula por usar vestido
O “polêmico” look da aluna canadense, que estava “constrangendo” professores Karis Wilson/Facebook/Reprodução

“Isso [a retirada da jovem da sala de aula] é completamente inaceitável nos dias de hoje. É um vestido de algodão. Não é transparente, vai até os joelhos e tem uma blusa de gola alta por baixo”, disse Christopher Wilson, pai da adolescente, para o Daily Star. Durante uma conversa com o diretor da instituição, a Escola Secundária NorKam, na Colúmbia Britânica, o responsável pela menor escutou que o código da escola impende que os alunos usem qualquer peça que possa “distrair o ensino ou a aprendizagem”.

Indignado com o acontecimento, Christopher decidiu relatar o que houve em uma postagem no Facebook que ajudou Karis a receber mensagens de apoio, que se transformaram também em críticas contra o colégio. “Ela normalmente usa calças esportivas e um casaco com capuz. Ela sofreu um acidente de snowboard há um ou dois meses e não conseguiu ficar ativa por um tempo. No dia em que ela decidiu usar um vestido e se sentir bem consigo mesma, foi assim que eles reagiram“, desabafou o pai.

  • Após a repercussão do caso, Terrence Sullivan, superintendente da escola, disse que estão “revisando o incidente e estamos preocupados com as alegações e as tratamos com muita seriedade”. 

    Vale lembrar que falas como a do professor são extremamente problemáticas e que roupas não podem ser usadas para justificar machismos e/ou episódios que compactuam com cultura do estupro.

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