Você realmente sabe o que é misoginia?

Se essa pergunta caísse na prova, você saberia respondê-la corretamente?

Por Isabella Otto - 17 set 2019, 11h00

No dia primeiro de janeiro, acontece a posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República. A partir dessa data, Michelle Bolsonaro será oficialmente a Primeira-dama do Brasil. No último dia 28, ela concedeu uma entrevista exclusiva ao programa Domingo Espetacular, da Record, e tentou defender o marido das acusações de misoginia que ele já recebeu – mas se atrapalhou na hora de dar a definição da palavra.

“Ele é taxado como misógino e ele é casado com quem? Com a filha de um cearense”, disse Michelle. A declaração é feita pouco depois dos sete minutos do vídeo abaixo e viralizou nas redes sociais. “As definições de misógino foram atualizadas”, comentaram alguns internautas.

O erro cometido pela futura Primeira-dama é bastante comum. Muita gente relaciona a misoginia a algum tipo de racismo, no caso, o contra nordestinos (xenofobia). Tem ainda aquelas pessoas que acreditam que um homem casado não pode ser misógino, afinal ele se casou com uma mulher. Se fosse assim, feminicídio e crimes de ódio contra pessoas do sexo feminino não aconteceriam dentro de casa (sabe-se que mais de 20% das mulheres assassinadas são mortas pelo parceiro).

Ao pé da letra, misoginia significa desprezo e ódio ao gênero feminino. Para alguns estudiosos, a herança sociocultural, datada do século V a. C, nasceu na Grécia. Na época, as mulheres gregas eram completamente excluídas da vida pública: por exemplo, elas não podiam votar nem ser votadas, e não podiam ter propriedades ou administrar negócios, pois todas essas tarefas eram exclusivamente masculinas.

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MarieTDebs/Reprodução

Ah, mas excluir as mulheres de funções sociais não significa ter ódio delas. Realmente, não. Mas essa exclusão deixava claro que os homens gregos eram superiores às mulheres gregas, e eles consequentemente as tratavam com inferioridade e desprezo, mesmo que se relacionassem com elas: mulher era objeto de desejo para satisfazer o homem.

Reparou como estamos falando do século V a. C mas muitas coisas permanecem iguais em pleno 2018? A sociedade patriarcal contribui não só para que muitas mulheres sejam tratadas com desprezo e, tantas vezes, mortas por causa da misoginia, como colabora para que elas fiquem cegas perante o preconceito sofrido e sintam que, é verdade, elas merecem ser tratadas assim. A cegueira momentânea e a misoginia disfarçada de “atitudes de homem macho e viril” fazem com que muitas mulheres cometam erros na hora de explicar a expressão e/ou não procurem seus direitos e continuem submissas, como acontecia na Grécia Antiga.

O vídeo abaixo, publicado pelo Canal Tudo Enem, explica de forma didática o conceito de misoginia:

Uma das formas mais eficazes de nós, meninas, combatermos a misoginia é explicando para outras o que o termo significa e fazendo-as perceber que conhecimento é uma arma poderosa!

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