Desmentindo fake news sobre o feminismo – Parte 1

Cuidado com o que você lê por aí! Muitas mentiras deslavadas são compartilhadas como verdades absolutas.

Por Amanda Oliveira, Isabella Otto 27 out 2018, 10h00

O feminismo está sendo discutido com cada vez mais força por meninas cada vez mais novas. E, justamente por isso, algumas pessoas que se assustam e se sentem ameaçadas com o empoderamento feminino tentam manchar o movimento e transformá-lo em algo que não é. Às vezes, por pura maldade. Outras, por falta de conhecimento. Em tempos extremos de compartilhamento de fake news, notícias e artigos com mentiras e fatos distorcidos estão cada vez mais frequentes – e, para não ser atingida por essas informações erradas, procurar fontes confiáveis é extremamente importante!

Reprodução/Getty Images
  • Por isso, a CAPRICHO está iniciando uma série de matérias para desmentir fake news e esclarecer algumas coisas sobre o movimentos. Acompanha a gente nessa luta?

    1. “O feminismo não tolera o feminino”: FAKE!

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    Nessa matéria, o autor comenta sobre uma pesquisa em que 84% das mulheres entrevistadas afirmam que acham a magreza pouco ou nada importante. Segundo ele, o feminismo “invade o cotidiano” das mulheres e policia o comportamento delas – de certa forma, ele afirma que o movimento não aceita mulheres que ainda se importam com a delicadeza feminina, a beleza, o corpo, etc. “A internet está cheia de ex-feministas que acabaram se decepcionando com a sombra opressiva do feminismo”, ele diz no fim do texto. Bom, engana-se o autor ao pensar que o feminismo oprime ou condena alguma mulher. O movimento é aberto para todas, queiram elas se depilar ou não, fazer tarefas domésticas ou não. É mesmo fácil tentar deslegitimar o movimento quando você é homem e não faz parte dele. Só se decepciona com o feminismo quem não o compreende totalmente.

    2. “O feminismo é o contrário do machismo”: FAKE!

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    Em um artigo escrito, mais uma vez, por um homem, a ideia é de que o feminismo instiga o sexismo de alguma forma. “Sou contra as feministas porque nunca fui a favor dos machistas!”, garante o autor. Contudo, os únicos sinônimos nesse texto são “sexismo” e “machismo”. O feminismo é o movimento que luta contra esses dois. Infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam piamente na ideia de que ser feminista é odiar os homens, quando, na verdade, ser feminista é acreditar que as mulheres não são inferiores nem superiores a eles e, justamente por isso, devem ter direitos iguais. Sacou?

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    3. “Feministas costuram vaginas”: FAKE!

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    Nesse outro texto, novamente escrito por um cara, o autor relata que uma festa de faculdade teve casos de feministas “costurando suas vaginas”. Sério, ele realmente diz isso. Entretanto, a mutilação genital, prática ainda realizada em países mais conservadores, é uma pauta que vai totalmente contra o movimento feminista, visto que este tipo de atividade é feita contra a vontade de muitas meninas e pregam aquela máxima de que mulher não pode sentir prazer sexual, diferentemente do homem. Detalhe: vocês viram que ele também diz que o movimento prega “falta de amor próprio”? Como se as feministas não batessem na tecla de “ame o seu corpo” o tempo todo. A gente conta ou vocês contam?

    4. “O movimento quer roubar direitos dos outros”: FAKE!

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    Nessa matéria, a principal fonte é o artigo de uma escritora cristã que afirma que o feminismo roubou os créditos de uma “luta” contida no Evangelho. Epa! Calma aí. O movimento feminista como é conhecido hoje surgiu no final do século 19, com o direito ao voto feminino, com o objetivo de lutar pela equidade de direitos civis, políticos e econômicos entre os gêneros. Para mudar a realidade do patriarcado e garantir a igualdade, era (e ainda é) preciso ter um movimento social que esteja disposto a discutir questões de gênero, que foi exatamente porque o movimento surgiu – e isso não era tão falado até então. Ou seja, o feminismo não roubou nem rouba créditos de causa alguma. E se existe alguma parte do Evangelho sobre mulheres não serem inferiores aos homens, que bom, né? Que se juntem à luta das feministas então. Não vamos confundir as coisas…

    5. “Feminista é tudo mal amada e gorda”: FAKE!

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    Quando um jornalista é responsável por propagar fake news, a coisa só fica ainda mais complicada. No começo do ano, Sikêra Júnior, apresentador do programa Plantão Alagoas, fez algumas declarações horrorosas ao vivo. Ele disse que o marido de uma mulher que ligou para o programa só a deixou porque ela é feminista e, consequentemente, chata e mal amada. Além disso, ele ainda reproduziu uma fala machista da mãe que diz o seguinte: “mulher que não pinta a unha do pé é sebosa“. As declarações são preconceituosas, misóginas e mentirosas. O apresentador, que está sempre se envolvendo em polêmicas, foi obrigado a pedir desculpa publicamente depois de protestos serem realizados na porta da emissora em que trabalha. Bom, se isso é ser chata, que sejamos muito chatas e com orgulho, não?!

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