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COP27 cria fundo para ajudar países mais afetados por mudanças climáticas

Pela 1ª vez, o acordo entre as partes faz menção às crianças, assim como meninas e jovens

Por Helena Branco e Andréa Martinelli, para a CAPRICHO Atualizado em 20 nov 2022, 19h20 - Publicado em 20 nov 2022, 12h50
19 November 2022, Egypt, Scharm El Scheich: Luisa Neubauer, a climate activist with the Fridays for Future movement, stands at a demonstration at the U.N. Climate Summit COP27, showing her palm labeled with the 1.5-degree target. Photo: Christophe Gateau/dpa (Photo by Christophe Gateau/picture alliance via Getty Images)
Jovens protestam, mesmo que de forma silenciosa, durante a COP27. Manifestações poderiam acontecer apenas mediante aviso prévio Getty Images/Getty Images

Após dois dias de extensão da conferência do clima da ONU (Organizações das Nações Unidas), a COP27, as partes finalmente chegaram a um acordo e conseguiram escapar de ficar apenas no “blá, blá, blá” e em uma corda bamba. De forma surpreendente, os países concordaram com a criação de um fundo para a reparação de perdas e danos climáticos em países mais vulneráveis. O acordo foi firmado em Sharm El-Sheikh, no Egito, em meio à um contexto conturbado e intenso.

O texto final do acordo se tornou público na madrugada deste domingo (20) e prevê a criação de um fundo destinado apenas aos países “particularmente vulneráveis”, um ponto que foi o maior impasse nas negociações mas ao mesmo tempo a única possibilidade de salvar a conferência do fracasso (a gente já falou um pouco sobre isso aqui, enquanto nada acontecia).

Junto com a Girl Up Brasil a CAPRICHO, foi acompanhar o evento de perto no Egito – apesar ser burocrático e com foco em negociações, deu pra sentir que a juventude presente vem tentando mudar isso e trazer debates e experiências que podem pautar um futuro garantido para todos nós (inclusive, escrevemos sobre isso aqui no primeiro texto na cobertura.)

A COP27 reuniu mais de 45 mil participantes para compartilhar ideias, soluções e construir parcerias e coalizões. Povos indígenas, comunidades locais e membros da sociedade civil, incluindo jovens e crianças, que mostraram como a negligência  com o planeta pode afetas suas vidas – e o nosso futuro.

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Mulheres, meninas e jovens no mundo todo são os mais afetados pela crise climática e econômica e estão batalhando por um lugar. Tanto que, nesta edição do evento, lideranças femininas como Maisa Rojas, ministra do Meio-Ambiente do Chile, e Jennifer Morgan, secretária do clima da Alemanha, brilharam na costura do acordo sobre financiamento.

Isso porque há necessidade de trazer o debate sobre vulnerabilidades às quais mulheres e meninas são expostas e como só é possível corrigir isso com um sistema que promova apoios e reparos às suas vidas, já que não dá para voltar atrás. Os danos ao meio ambiente podem impedir que pelo menos quatro milhões de meninas em países em desenvolvimento terminem seus estudos e seus meios de subsistência mais vulneráveis a choques econômicos e ambientais.

No acordo, foi enfatizado pela primeira vez a importância de capacitar todas as partes interessadas a se engajarem na ação climática no plano de Ação para Empoderamento Climático e a revisão intermediária do Plano de Ação de Gênero. A ONU prometeu incentivar os governos a não apenas ouvir as soluções apresentadas pelos jovens, mas também incorporar essas soluções nas decisões e na formulação de políticas.

Um acordo histórico, mas com problemas

Mas apesar deste acordo estar sendo celebrado, há alguns problemas: a diminuição da queima de combustíveis fósseis quanto nos 100 bilhões prometidos para diminuir os efeitos das mudanças climáticas em todo o mundo ficou de fora do acordo, além de um enfraquecimento de mensagens sobre uma transição energética justa e combustíveis fosséis.

E isso tem uma relação direta com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Na Europa, há uma crise energética em curso e a expectativa de uma decisão que trabalhasse para a eliminação dos combustíveis fósseis era esperada. Mas aconteceu o oposto: o texto flexibiliza a produção de vários tipos de energias, com várias combinações ainda permitidas.

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Em relação à criação do fundo, os países em desenvolvimento – que podem ser os beneficiários desse acordo – se mostraram satisfeitos. O fundo começará a ser operacionalizado ano que vem por meio de um comitê de transição, anunciou a COP27. E ah, importante: Isso é histórico já que a organização da conferência geralmente não tem seus esforços voltados à reparação.

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“Estamos de olho”, diz cartaz de jovem que protesta durante a COP27. Uma das demandas dos jovens é que o evento saia do “blá, blá, blá” Getty Images/CAPRICHO

 

Esta demanda por um fundo de financiamento surgiu do G77, um grupo de 134 países que tem taxas altas de emissÕes de carbono. O pedido é que eles auxiliem financeiramente outros países que não emitem a substância na atmosfera, mas são atingidos fortemente pelas mudanças climáticas com tempestades, inundações e outros desastres.

O Paquistão por exemplo, contribuiu com menos de 1% das emissões globais e nesse ano teve ⅓ de seu território alagado em decorrência de chuvas e enchentes históricas. Segundo a agência de notícias Reuters, apesar de não ter um acordo para reduções de emissões mais duras, “nós seguimos o que foi acordado aqui porque queremos ficar com os mais vulneráveis”, disse a secretária do clima da Alemanha, Jennifer Morgan.

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