Perfil que denunciava racismo na moda é derrubado após ação de estilista

Depois do designer Reinaldo Lourenço entrar com uma ação na justiça contra a página, os administradores optaram por retirá-la do ar

Por Sofia Duarte Atualizado em 16 jun 2020, 21h25 - Publicado em 16 jun 2020, 15h31

Nas últimas semanas, o perfil “Moda Racista” do Instagram vinha publicando relatos de pessoas pretas que sofreram racismo em empresas de moda brasileiras. Entre os profissionais denunciados, estavam a estilista Glória Coelho e seu marido, o também estilista Reinaldo Lourenço – procurado pela Veja, ele comentou o assunto e disse que errou. O casal foi apontado em diversas denúncias por estar envolvido principalmente em episódios racistas com modelos durante castings para desfiles de suas marcas. E, após o desenrolar de uma ação judicial contra a página movida pelo designer, ela foi retirada do ar nesta semana.

Instagram “Moda Racista” (@modaracista), que saiu do ar após ação de estilista Instagram/Reprodução

Ainda segundo a Veja, no dia 11 de junho, em uma tentativa de silenciar as acusações, Reinaldo Lourenço abriu uma ação em caráter de urgência na 39ª Vara Cível de São Paulo. Ele solicitou que o Facebook, dono do Instagram, retirasse a conta, que contava com mais de 55 mil seguidores, do ar. No entanto, a juíza Juliana Pitelli da Guia negou o pedido ao entender que tratava-se de uma censura.

“Ao que consta, foram publicados relatos de pessoas supostamente vítimas dos alegados atos, que podem ou não se comprovar verdadeiros. Não se pode ignorar que o racismo é tema polêmico e há interesse social no debate, assim, entendo que, ao menos nesta fase de cognição sumária, a remoção das imagens e/ou conteúdos publicados em referido perfil poderia configurar censura, vedada pela Constituição Federal (artigo 22, § 2º). Ademais, o sistema jurídico disponibiliza aos autores o direito de resposta, por meio do qual, uma vez identificado o titular do perfil, poderão eventualmente comprovar serem inverídicas as alegações e buscar as indenizações cabíveis”, escreveu Pitelli no despacho de 12 de junho.

Além disso, Lourenço queria que o processo ocorresse em segredo de Justiça, mas isso não foi atendido pela juíza, que defendeu que a discussão do racismo é de interesse público.

  • Apesar das decisões favoráveis à permanência do perfil no ar, a Justiça deu o prazo de 48 horas para que o Facebook revelasse a identidade do usuário por trás do “Moda Racista”. Por conta disso, os próprios administradores retiraram a conta do Instagram. Do contrário, o Facebook teria que pagar uma multa diária de 5 mil reais.

    Em entrevista à CAPRICHO, o idealizador do “Moda Racista” disse que seu propósito era “mostrar a realidade do mercado da moda nacional e, a partir disso, exigir mudanças e respeito”.

    Agora, estão surgindo outras contas em apoio à causa antirracista, como @modaracistavive e @racismonamoda. O primeiro declarou que não é o mesmo fundador do antigo @modaracista, porém ainda não temos essa informação sobre o segundo.

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