O que podemos aprender sobre diversidade e a nova coleção da Anitta

Muito mais do mesmo ou peças verdadeiramente autorais e inclusivas?

Por Taya Nicaccio Atualizado em 20 abr 2022, 23h15 - Publicado em 21 abr 2022, 10h00

Recentemente a cantora Anitta lançou sua primeira coleção de roupas com a Shein – polêmica marca de fast fashion, inclusiva, mas nem um pouco transparente – e fez barulho.

Em suas redes, a cantora compartilhou que trabalhou bastante na coleção e que, em suas palavras, a moda na Shein é realmente para “todes”, tem look para todos os estilos, tamanhos, cores e perfis. Mas, será mesmo? A galera na internet diz que não!

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Apesar da discussão sobre inclusão, moda e pluralidade de corpos estar caminhando cada vez mais, ainda precisamos questionar criadores e grandes marcas (alô, redes fast fashion) que preferem continuar produzindo sobre uma escala nada inclusiva de tamanhos voltada para um público seleto.

Para Izabel Gimenez, jornalista e criadora de conteúdo, a coleção da cantora representa muito mais do mesmo, afinal, não tem nada de autêntico que represente a Anitta. “Pensando em diversidade, a coleção, na verdade, foi um aprendizado do que não fazer, sabe? Não se lança uma campanha em 2022 falando sobre diversidade, sem trazer a diversidade“, conta a jovem em entrevista à CAPRICHO.

“O principal erro da artista foi trazer isso na divulgação. Quando você acessa o site da campanha, você vê sim uma diversidade de estilos, cores e opções de formatos, mas quando você vai procurar os tamanhos se com aquela grade ‘tradicional’ que estamos acostumadas – o que é muito triste depois de tantas discussões”, complementa.

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Bel ainda ressalta que a artista é conhecida por trazer essas pautas para o seu público, como na música Girl From Rio em que a própria diz que as garotas do Brasil não se parecem com modelos. “Ou seja, na hora de usar o discurso para crescer e fazer um plus ela faz, mas quando é para priorizar as roupas plus size e essa diversidade de fato para a coleção dela, isso não é uma prioridade. Então, o aprendizado é o que não fazer em 2022 tendo em vista o tanto de movimento que tivemos nos últimos meses”, adiciona.

“É muito contraditório que a Anitta lance uma coleção sem incluir peças maiores, porque ela já está colaborando com uma marca [Shein] que é conhecida pelo seu segmento plus size. A Shein cresceu muito e deu oportunidade para muitas mulheres gordas de se vestirem com dignidade e usarem produtos não só o mínimo e básico, que não encontramos no Brasil com preço acessível, mas peças de moda e desejo também”, expõem Gimenez, sem descartar e questionar a falta de acessibilidade desses produtos para pessoas mais gordas.

Para muitos fãs, as roupas da coleção Anitta Edit se parecem muito mais com a Shein do que com a própria “Girl From Rio”. Você também percebeu isso? No TikTok, por exemplo, internautas questionam a participação da artista na criação da coleção e, principalmente, se as roupas são autênticas ou muito mais do mesmo, como um simples compilado de peças da marca, já lançadas anteriormente, sendo reaproveitadas.

@izabelgimenez

Anitta prometeu tudo na nova coleção e entregou o óbvio: zero diversidade! 😢🤡 @SHEIN Brazil #modaplus #corpolivre #modaplussize #sheinplussize #anitta #anittashein #gordofobia #moda #empoderamento #mulheresgordas #plussizebr

♬ Envolver – Anitta

@tham.is

pq gord0 não é gente né 🤡 #shein #anitta #plussize #corpogordo #gordofobia @sheinbrazil @anitta

♬ original sound – IRON GAINS

@camilarebecaa

O que acharam? @anitta #anitta #shein #anittashein #anittaxshein #colecaoanitta #moda #moda2022 #fashiontiktok #analisedelooks #analisedemoda

♬ Envolver – Anitta

@fhelipe_medeiros

Não vamos dar palco pra essa coleção não por favor 🙏 #moda #shein #fashion #anitta #coleçao

♬ Versions of Me – Anitta

Gimenez relata que tem muitos questionamentos e dúvidas em relação a todo o processo de produção da Shein e acredita que a marca não seja totalmente ética. “Não podemos esquecer que muitas mulheres pela primeira vez tiveram acesso a roupas. Se essa é a única opção de compra, ao invés de cobrarmos essas mulheres e de onde elas estão, deveríamos cobrar as marcas e entender porque essa é a única opção”, finaliza.

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