O movimento ‘Curvy Surfer Girl’ veio para pressionar marcas de sportswear

O surfe pode sim ser um espaço mais aberto, plural e diversificado. É no que elas acreditam.

Por Taya Nicaccio Atualizado em 14 abr 2022, 21h23 - Publicado em 17 abr 2022, 10h00

Mostrar para o mundo que surfistas não precisam ser saradas, magérrimas e loiras como estamos acostumadas a ver: este é um dos objetivos do Curvy Surfer Girl,um movimento de mulheres surfistas fora do que conhecemos como padrão que quer não só praticar esporte, mas mostrar que a indústria do sportswear precisa se adaptar à isso.

“Logo imaginamos que não é pra gente. Se eu sou gordinha, eu vou olhar aquilo [propagandas estereotipadas e imagens equivocadas] e dizer, ‘poxa isso não é pra mim’, entende? Então como que eu vou me inserir em um esporte que está ali dizendo para esquecer o surfe e que isso não é para mim”, questiona Lívia Soares, personal trainer, apaixonada por surf e representante do movimento por aqui em entrevista à CAPRICHO.

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Fundado por Elizabeth Sneed, o Curvy Surfer Girl teve início em 2017, quando Sneed se mudou do Arizona para Oahu, no Havaí, e descobriu que o esporte poderia ser uma nova paixão. Passando mais tempo no mar do que na terra, ela começou a se incomodar com a falta de diversidade não só nos corpos e na indústria de produtos para esta modalidade. A maioria das marcas retratam surfistas mulheres como bronzeadas, loiras, brancas, jovens, magras e já em nível profissional.

 

“Conheci o movimento e Elizabeth através do Instagram. Eu fiquei muito encantada com aquilo, porque eu me identifiquei na hora. Não é todo dia que eu vejo uma mulher como eu surfando. Passamos a vida inteira lutando contra a balança, então, quando vi Beth, eu me identifiquei”, relata Soares.

Depois de conhecer o movimento e se identificar, a profissional passou a mostrar para o mundo como realmente é o seu corpo e o que consegue fazer com ele: se são as roupas que precisam caber no corpo e não o corpo nelas, porque é que as marcas insistem em produzir uma escala tão pequena? 

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Pode ser que você nunca tenha reparado nessa problemática, ainda mais se você nunca precisou enfrentá-la de cara, mas vamos fazer um exercício juntas? Antes, assista o vídeo a seguir:

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Você já parou para se perguntar quantas surfistas gordas você conhece ou acompanha nas redes? Entre todas as suas marcas favoritas, quantas possuem uma escala de tamanhos plural? Se você não tiver essa resposta agora, pode praticar esse exercício diariamente acessando o site da mesma ou visitando sua loja física.

“O argumento deles [grandes marcas da indústria do surfwear] é que não tem demanda e ouvir isso é muito difícil. É como se não houvesse pessoas gordas surfando, sabe? Mas, na verdade, somos bombardeados desde cedo com anúncios, propagandas e postagens no Instagram com mulheres brancas, loiras e magérrimas com biquíni minúsculos surfando”, explica Soares.

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Um dos primeiros passos para abalar as estruturas da indústria é apontar essas falhas e tratá-la como um assunto prioritário. “Quanto mais conseguirmos e colocarmos pessoas de todos os tipos de tamanho dentro do esporte, vamos mostrar que essas pessoas estão sim surfando e que elas precisam consumir surfwear, porque a gente surfa. Logo precisamos de roupa para surfar. Precisamos mostrar que estamos aqui e vamos consumir, só nos falta o produto para consumirmos.”

Se você está começando a surfar agora e segue receosa, não se preocupe. Lívia separou dicas importantes para o nosso time de leitoras. “Cuide de quem você segue e acompanha nas redes sociais. Muita coisa que a gente vê não é real. Crie e valorize uma rede que te motive e que seja composta por pessoas e corpos reais.”

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A surfista também reforça a ideia e importância de convidar uma amiga companheira para ir surfar todos os dias. “E, o mais importante, não ligue para o que os outros vão falar ou pensar. Muitas vezes, a vergonha está só na nossa cabeça e não na do outro”, então lembre de simplesmente ser feliz e abraçar o que é importante para você.

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O surfe pode sim ser um espaço mais aberto, plural e diversificado. Existe uma cultura que as pessoas acreditem que corpos grandes não existem ou são inadequados, mas podemos caminhar para um lado oposto a este. Vamos juntas?

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E aí, você já conhecia esse movimento revolucionário? Conta pra gente! 

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