Vem aí o primeiro personagem LGBTQIA+ da Turma da Mônica!

Mauricio de Sousa disse em entrevista que sua equipe está trabalhando no projeto ao lado do filho, Mauro, que é homossexual

Por Isabella Otto Atualizado em 27 out 2021, 14h06 - Publicado em 27 out 2021, 14h03

Aos 86 anos de idade, o cartunista Mauricio de Sousa acaba de lançar o livro Sou Um Rio, tendo como gancho a COP-26, conferência sobre mudanças climáticas que começa no próximo domingo (31) em Glasgow, no Reino Unido. Na obra, o criador da Turma da Mônica critica a forma como nós, seres humanos, estamos nos relacionamento com a natureza.

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Apesar de suas histórias em quadrinhos serem sempre alegres, ele disse que, desta vez, não podia deixar os personagens tão felizinhos. “O que está acontecendo com nosso planeta é um escândalo. Realmente, a gente está ficando assustado com esse negócio de o mar cheio de plástico, os incêndios, a Amazônia sendo devastada, o Pantanal secando… Isso é o fim do mundo. O que que é isso? E o que está faltando para começar a acontecer um retorno nesse negócio todo?”, indignou-se durante entrevista para a BBC News Brasil.

O cartunista revelou ainda que trabalha em prol das futuras gerações, que serão drasticamente afetadas pelas mudanças climáticas, e que tem um sonho: “botar o Chico Bento no cinema falando nisso [meio ambiente]“.

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Durante o papo, Mauricio orgulhou-se ao falar do filho, Mauro, que é homossexual. O pai disse que ele cuida de uma parte importante da empresa, que é a de shows e espetáculos, e que ele definitivamente será a grande inspiração para a criação do primeiro personagem LGBTQIA+ dos quadrinhos, que vem por aí! “Estamos discutindo com os roteiristas, com o Mauro, com o pessoal próximo da gente aí para que haja um personagem positivo. Em todos os sentidos”, disse.

Maurício de Sousa com seu filho, Mauro. Eles seguram pinceis cheios de tintas coloridas
Mauro e Mauricio trabalhando juntos Instagram/Reprodução

O paizão da Turma da Mônica explicou que todo novo personagem que é desenvolvido é muito bem estudado, afinal é uma responsabilidade das grandes! Além disso, há a questão de as crianças do Bairro do Limoeiro não serem sexualizadas – e ele garante que sabe que pode enfrentar críticas com relação a isso. Entretanto, não há outro caminho a ser seguido: “A política da guerra não me atrai”.

Sousa finalizou a entrevista reafirmando o papel importante dos gibis no processo de alfabetização das pessoas, especialmente das crianças, e seu desejo de continuar incentivando a educação brasileira. “Temos de brigar pela educação adequada, correta, com objetivo, com foco e tudo o mais. Eu quero ajudar, colaborar. Dar a força que temos de comunicação. Eu quero das as mãos para a educação formal, para que a gente possa ajudar também nisso”, declarou o cartunista.

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