“O futuro do skate é feminino e revolucionário”, celebra Yndiara Asp

A skatista profissional comemora a boa fase do esporte pós-Olimpíadas e monta a playlist perfeita para praticar

Por Isabella Otto Atualizado em 3 fev 2022, 15h42 - Publicado em 2 fev 2022, 16h15

Aos 7 anos de idade, Yndiara Asp ganhou de Natal um skate – não do Papai Noel, mas de seu próprio pai, um dos grandes responsáveis por incentivar a carreira da filha. O presente a estimulou, mas foi apenas aos 15 que ela se apaixonou de fato pelo esporte. Foi quando ela aprendeu a dropar e descobriu que estava praticamente viciada em andar de skate.

Hoje, aos 24 anos, a atleta é um dos grandes nomes da modalidade Skatepark, já competiu em campeonatos mundiais da modalidade e chegou até a Olimpíada de Tóquio. “A sensação é de chegar ao topo. Passa um filme na cabeça quando você está na Vila Olímpica, toda sua trajetória e tudo que enfrentou para chegar até lá… É muita emoção!”, lembra em entrevista à Capricho.

Montagem com fotos da Yndiara Asp, skatista olímpica
Instagram/@yndiaraasp/CAPRICHO

Os obstáculos que enfrentou ao longo de sua – ainda recente – carreira foram atravessados pela questão de gênero que, segundo ela, sempre foi uma bandeira que levantou. Tanto que, hoje, ela é um dos nomes responsáveis pela mudança nas premiações entre categorias masculinas e femininas.

“Algumas coisas sempre me incomodaram e não pareciam justas, como os prêmios de menor valor para o feminino ou então colocar a gente para andar nos piores horários ou ter menos tempo de treino”, exemplifica. “Enfim, o skate feminino sempre acabava ficando mais de lado, porque o skate masculino era entendido como o principal”.

Segundo Yndiara, estamos vivendo um momento revolucionário “com o skate feminino crescendo muito”, o que provoca mudanças significativas na modalidade e em como a sociedade enxerga este esporte. “A igualdade de premiações foi um grande passo, e estamos cada vez mais evoluindo e conquistando nosso espaço!”, garante à CH.

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Entre uma competição e outra, Yndiara ainda se dedicou aos estudos e passou em 6º lugar em Educação Física na Universidade Federal de Santa Catarina. A atleta cursou dois anos da graduação, mas trancou para se dedicar de corpo e alma ao skate.

“É onde me sinto viva, feliz e conectada. Fiquei contente com o resultado do vestibular e surpresa, embora sempre me esforce bastante para dar o meu melhor em tudo o que me proponho a fazer. É gratificante quando os esforço trazem bons resultados”, conta.

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Quando questionada sobre o estereótipo que skatistas ainda carregam, de serem “marginais alados”, como diria o saudoso Chorão – vocalista da banda Charlie Brown Jr., morto em 2013 -, a brasileira acredita que os Jogos Olímpicos de Tokio foram decisivos para essa quebra de estereótipo e intolerância. Segundo ela, as conquistas de Rayssa Leal, que conquistou o pódio aos 13 anos, aumentaram a visibilidade para a modalidade e ajudou a passar por cima de preconceitos.

A atleta acredita que o futuro do skate será diferente. “[A modalidade] promete um alto nível, com muitas mulheres praticando e alcançando lugares, até então, inalcançáveis. É o skate deixando de ser considerado coisa de menino. O futuro do skate é feminino e revolucionário”.

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Se o skate veio do surf e o surf hoje se inspira nas manobras do skate, nessa conexão eterna, as mulheres também são e sempre foram do esporte, e inspiram hoje milhares de meninas que sonham em andar de skate por puro lazer ou então em se tornarem profissionais. Para Yndiara, “as garotas do skate são fascinantes”. Para nós também.

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