Jovens se exercitam mais, mas também comem mais ultraprocessados

Pesquisa mostra como pessoas de 16 a 24 anos avaliam a própria saúde e revela o peso do cansaço e do preço dos alimentos na rotina.

Por Andréa Martinelli 9 out 2026, 18h27 | Atualizado em 9 out 2026, 18h29
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e alguém perguntasse como está a sua saúde hoje, o que você responderia? Entre os brasileiros de 16 a 24 anos – ou seja, a nossa galera –, 68% dizem que ela está boa ou ótima. É o maior percentual entre as faixas etárias analisadas pela pesquisa “O Brasileiro e o Câncer”, realizada pela Nexus e apresentada em material do A.C.Camargo Cancer Center.

Mas quando a conversa chega aos hábitos do dia a dia, porém, esse retrato ganha outros detalhes. Essa galera relata fazer exercícios em mais dias da semana do que os demais grupos, mas também registram as maiores médias de frequência de consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas. E as respostas ajudam a entender o que pode dificultar o cuidado com a alimentação.

O levantamento ouviu presencialmente 2.015 pessoas a partir de 16 anos, em todos os estados e no Distrito Federal, entre 25 e 30 de junho de 2026. Aqui, vamos olhar principalmente para quem tem entre 16 e 24 anos, faixa que representa uma parte da geração Z e alpha e que é o público da CAPRICHO.

Tem exercício na rotina, mas essa não é a realidade de todo mundo

A prática de musculação pode trazer diversos benefícios a jovens.
A prática de musculação pode trazer diversos benefícios a jovens. Freepik/Reprodução
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Caminhada, academia, esportes… Entre os mais novos, essas atividades aparecem em 2,9 dias por semana, em média, contra 2,4 dias no conjunto dos entrevistados. Só que essa média não conta a história inteira: 35% dos jovens dizem nunca praticar exercícios físicos. Ou seja, dentro da mesma faixa etária, há experiências bem diferentes — e aquela impressão de que todo mundo está treinando não dá conta de mostrar todas elas.

Também vale entender o que esse número significa: a pesquisa perguntou em quantos dias as pessoas se exercitam, sem detalhar por quanto tempo ou com qual intensidade.

E o que vai parar no prato?

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d3sign/Getty Images
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Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, ultraprocessados como macarrão instantâneo, salgadinhos e embutidos aparecem na alimentação em três dias da semana, em média. No total da pesquisa, são 2,1 dias.

O consumo diário desses produtos também é mais frequente nessa faixa: 17% dos jovens dizem comer ultraprocessados todos os dias, ante 8% na amostra geral. Já bebidas com muito açúcar, como refrigerantes, sucos de caixinha e refrescos em pó, aparecem em 3,1 dias da semana entre os mais novos, contra 2,3 dias no conjunto dos participantes.

Isso não significa que outros alimentos estejam fora do cardápio. 58% dos jovens relatam consumir diariamente itens do grupo que a pesquisa chama de “alimentos frescos”, que inclui frutas, verduras, arroz, feijão, ovos e carnes. Como a pergunta reúne todos esses alimentos, o percentual não significa que cada um deles esteja no prato todos os dias.

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Comer bem também depende de tempo e dinheiro

Na hora de explicar o que mais atrapalha uma alimentação balanceada, 23% dos jovens apontam a falta de tempo e o cansaço da rotina de trabalho. Outros 21% citam o preço alto de carnes frescas, frutas e vegetais. Já 15% mencionam a falta de costume ou preferência por esses alimentos, enquanto 9% destacam a rapidez e a facilidade de comprar comidas prontas ou congeladas. Por outro lado, 29% dizem não enfrentar dificuldades para se alimentar bem.

As respostas trazem para a conversa questões bem concretas: quanto custa a compra e quanto tempo sobra para cozinhar? Antes de julgar o que alguém coloca no prato, vale considerar as condições que essa pessoa tem para organizar as refeições, né?

Cigarro e álcool também aparecem nesse retrato

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Um em cada cinco brasileiros entre 18 e 24 anos é usuário de DEF (Dispositivo Eletrônico para Fumar). Peter Dazeley/Getty Images

Entre os jovens ouvidos, 19% se declaram fumantes. A pergunta inclui tanto cigarros convencionais quanto eletrônicos, sem separar os dois. Por isso, não dá para dizer que esse é o percentual de quem usa vape. Além disso, 37% relatam conviver frequentemente com pessoas que fumam perto deles, em lugares como a casa ou o trabalho.

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Sobre bebidas alcoólicas, 53% dos entrevistados de 16 a 24 anos dizem não consumir álcool, enquanto 37% afirmam beber de um a dois dias por semana. Como essa faixa reúne adolescentes e adultos, os dados não mostram separadamente as respostas de quem tem menos de 18 anos.

O SUS faz parte dessa conversa, viu?

Quando precisam de atendimento médico, 79% dos jovens apontam o SUS como o serviço que mais utilizam. O dado ajuda a lembrar que discutir saúde na juventude também envolve olhar para o atendimento disponível para essa população. Entre a avaliação que cada pessoa faz da própria saúde e os hábitos que consegue manter, existem rotinas, recursos e dificuldades diferentes. A pesquisa abre espaço para conversar sobre tudo isso sem presumir que uma geração inteira vive da mesma forma.

*O levantamento registra os hábitos relatados pelos entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para a amostra total, com nível de confiança de 95%. O material não informa uma margem específica para o grupo de 16 a 24 anos.

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