Focos de calor no Pantanal crescem 180%; queimadas são maiores em 23 anos

Enquanto penas para maus-tratos contra cães e gatos ficam mais severas, o Pantanal vira um cemitério de animais a céu aberto

Por Isabella Otto Atualizado em 2 out 2020, 15h25 - Publicado em 1 out 2020, 09h59
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Divulgação/CAPRICHO

Jair Bolsonaro aprovou na última terça-feira (28/9), a Lei Sansão, que agrava a pena contra quem maltrata cães e gatos, com uma reclusão que pode variar de dois a cinco anos, além de multa. Uma alteração importantíssima na antiga lei, já que maus-tratos contra animais é o 5º crime mais cometido no Brasil, especialmente contra pets e cavalos. Mas, enquanto animais domésticos ganham proteção a mais, no Pantanal, animais selvagens seguem morrendo carbonizados, numa planície alagada que virou um cemitério de bichos a céu aberto – cujas queimadas Bolsonaro segue dizendo que não são assim tão graves. A distinção pode ter sido feita pelo presidente da República numa tentativa de desviar a atenção de problemas maiores, em uma esperta jogada de marketing. Afinal, ele até segurou um vira-lata caramelo durante a cerimônia em que a nova lei foi sancionada! Como resistir?!

Tamanduá-bandeira resgatado no Barão de Melgaço com queimaduras de terceiro grau. Foi atendido na UFMT. O estado é grave @amparasilvestre/Instagram

Em meados de setembro, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar disponibilizou uma equipe de especialistas para investigar quantos animais já tinham sido mortos nos incêndios que começaram na região por volta de março, muito antes do que é esperado. Estima-se que o levantamento saia no final de outubro. Um dos motivos da demora é a grande quantidade de focos de calor que continuam surgindo nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No último mês, foi registrado uma alta de 180% em comparação a agosto, como 8.106 novos focos de calor, um recorde histórico.

Neste ano, até o momento, o total de queimadas registradas pelo Instituto de Pesquisas Espaciais foi o maior desde que o Inpe começou a fazer tais registros, em 1998. Hoje, os incêndios no Pantanal já são 82% maiores que o total registrado em 2019: 18.259 contra 10.025. 23% do bioma pantaneiro, um dos mais importantes do Brasil, já foram destruídos pelo fogo.

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    Na Amazônia, a situação não é melhor nem melhora. Em setembro, os focos de calor registraram uma alta de 60% com relação ao mesmo período do ano passado. Desde 2017, são as piores queimadas na região. O governo Bolsonaro segue batendo na tecla de que as causas do fogo são naturais, chegando ao ponto de incriminar indígenas, caboclos e ONGs por ele. Biólogos, ambientalistas e ativistas, muitos que inclusive estão trabalhando no combate aos incêndios, afirmam que a maioria deles é criminosa e causada pelo homem, para limpeza e criação de pastos. Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, diz que, no Brasil, há uma perseguição à indústria pecuária – perseguição esta que torna o país um dos maiores consumidores de carne vermelha do mundo? No mínimo, um pensamento incoerente.

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    Setembro foi um mês de recordes para o brasileiro, infelizmente recordes ruins, negativos, apavorantes. Até agosto, a maior reserva particular do país, que pertence ao Sesc Pantanal, havia perdido 35 mil hectares para as chamas. Além da devastação da flora, que até pode vir a se recuperar, mesmo que a passos lentos e não em todas as regiões destruídas, a fumaça tóxica causa danos severos para os animais, os seres humanos e o planeta (efeito estufa). O que mais preocupa os biólogos, entretanto, é a fauna da região, rica em animais que correm o risco de se extinguirem por causa do fogo, como a onça-pintada, a anta e a arara-azul. Impossível não citar também a quantidade de lobos-guarás na região, aquele animalzinho que foi homenageado nas notas de R$ 200. Belo valor tem esse dinheiro para ele…

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    12% do Pantanal já foi consumido pelo fogo, nossa fauna e flora seguem sendo destruídas pela boiada enquanto dão risada

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