Os antes e depois do Pantanal que mostram os estragos do fogo na região

É crime ambiental que fala, né? Não tenha dúvida.

Por Isabella Otto Atualizado em 18 set 2020, 17h19 - Publicado em 19 set 2020, 10h05

Até agora, os incêndios no Pantanal, que começaram em março e têm piorado com a chegada da temporada de seca, que está extremamente agressiva neste ano, destruíram 13% do bioma pantaneiro. Para se ter uma ideia do enorme impacto negativo no meio ambiente das queimadas, cuja maioria é causada por ações humanas, não naturais, 85% do Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé, maior abrigo de onças-pintadas do mundo, foi destruído.

Escadaria que leva à Dolina da Água Milagrosa, antes famoso ponto turístico preservado do Pantanal Reprodução/Reprodução

Além do parque, outro ponto turístico foi afetado: a Rodovia Transpantaneira, construção que cruza a maior planície alagada do planeta. Ela possui 150 Km de extensão e é um dos mais famosos atrativos turísticos da região Centro-Oeste do Brasil. O turismo será certamente afetado, o que afetará a economia do estado. Lembrando que grande parte dos incêndios são causados por humanos a frente do agronegócio, que botam fogo no mato para a criação de pastagens, visando o lucro que a indústria pecuária gera no Brasil, um dos países que mais consome carne vermelha no mundo. “Historicamente, o fogo faz parte da cultura do Pantanal. Os produtores usam o fogo para manejo das áreas de pastagem ou para retirar madeira, mel… Há uma condição que ocorre chamada combustão espontânea, mas isso representa muito pouco dos incêndios. A maioria é decorrente de focos pequenos por ação humana que saíram do controle”, explicou a bióloga Dra. Letícia Larcher, Coordenadora Técnica do Instituto Homem Pantaneiro, para a CAPRICHO.

Antes e depois da famosa Rodovia Transpantaneira, que liga Poconé a Porto Jofre Drone Cuiabá/Divulgação

Se a economia será afetada pela própria economia, estimulada por um sistema capitalista ainda sem políticas verdes, a destruição da fauna e da flora é o que mais preocupa. Até o início de setembro, 25 mil Km² de áreas pantaneiras já foram dizimadas, levando consigo animais, vegetação e importantes sítios reprodutivos. “Efeitos diretos, como a mortalidade de animais em incêndios, são habituais, assim como a fumaça, ao ser inalada pelos animais, também pode causar mortes. Dentre as espécies da fauna consideradas ameaçadas de extinção que ocorrem no Pantanal, o Tamanduá-bandeira é o mais suscetível ao fogo, devido a sua lenta locomoção e densa pelagem. Os primatas também são muito impactados em condições de de incêndios florestais, pois as áreas queimadas podem representar uma barreira para a dispersão dessas espécies”, também apontou a bióloga Letícia, que teve a fala complementada pela do biólogo Daniel Dainezi, que mora e trabalha em Corumbá, porta de entrada para o Pantanal: “Os incêndios são quase criminosos, colocados por fazendeiros para limpeza e renovação do pasto. Ainda estamos no início do pior período de incêndios florestais do Pantanal e já temos absurdos 13% de bioma queimados. É uma tragédia!”.

A seguir, você encontra imagens fortes do antes e depois do Pantanal, que foi decretado pela Unesco Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera nos anos 2000. Para ajudar, você pode contribuir doando qualquer quantia para a campanha Brigada do Alto Pantanal e “evitar que centenas de animais sejam carbonizados e famílias percam o seu sustento por causa do fogo descontrolado, situação esta que vem acontecendo cada vez mais nos últimos anos”.

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O Pantanal, uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta, visto de cima antes e depois do fogo Globo Repórter e Mayke Toscano/SECOM-MT via BBC/Reprodução
Jacaré tomando banho de sol com borboleta pousada na cabeça e jacaré agonizando em meio ao fogo Mundo Ecologia e Ahmad Jarrah/A Lente/Reprodução
Onça-pintada vivendo em paz em seu habitat, em 2014, e onça-pintada ferida após ser resgatada de incêndios, em 2020 Wolfgang Kaehler/LightRocket e TV Anhanguera/Getty Images
À esquerda, uma Jararaca-Boca-De-Sapo, famosa espécie pantaneira, e, à direita, uma cobra morta carbonizada. O Pantanal é um dos biomas mais ricos em cobras do Brasil Arena LTDA/Alamy Stock Photo e Jorge Salomão Junior/Reprodução
Fazendas em Poconé vistas de cima, antes de depois dos incêndios; Poconé é uma grande área pecuarista Reprodução e Gustavo Basso/NurPhoto/Getty Images
Jacarés-do-pantanal fotografados em 2007 e em 2020 Wolfgang Kaehler/LightRocket e Gustavo Basso/NurPhoto/Getty Images
O solo do Pantanal é principalmente arenoso e argiloso, e repleto de matéria orgânica, que acaba ajudando o fogo a se alastrar mais rapidamente Instituto Homem Pantaneiro e Mauro Pimentel/AFP/Reprodução
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