COVID-19: as máscaras de “proteção” mais ineficazes contra o coronavírus

Algumas delas podem até ser bonitas ou descoladas, mas será que vale a pena colocar sua saúde e a dos outros em risco por um capricho visual?

Por Gabriela Junqueira 11 mar 2021, 12h30
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CAPRICHO/Sestini/Divulgação

Durante a pandemia de COVID-19, a máscara se tornou um item de proteção indispensável e, se usada corretamente, pode garantir sua segurança e a das pessoas que estão ao seu redor. No último ano, muitos modelos surgiram, feitos de diferentes materiais, com ou sem válvula, cirúrgicas ou caseiras.

Hoje, por causa das novas variantes do coronavírus, o modelo mais eficaz é o N95/PFF2 (compre aqui), mas não significa que você precise aposentar suas máscaras reutilizáveis de tecido – se elas tiverem, pelo menos, duas camadas de proteção e respeitarem as normas da OMS, evidentemente.

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Evite usar máscaras com válvula e de tricô, pois elas apresentam baixa eficácia de proteção contra a COVID-19 Mercado Livre/Divulgação

Mas quais são as máscaras mais ineficazes no combate ao coronavírus? Será que você pode estar colocando sua saúde e a dos outros em risco? Confira:

1. Máscaras com válvula

Com a obrigatoriedade da máscara, muita gente acabou adotando o equipamento com válvula para respirar melhor. Contudo, esse modelo não é recomendado. Desenvolvida para ser usada em minas e fábricas, a válvula se fecha na inspiração, na intenção de impedir que a pessoa inspire poeira, mas abre na expiração. Por isso, essa máscara pode até te proteger, mas, caso você esteja contaminada, pode colocar os outros em risco.

  • 2. Máscaras de tricô

    Tendência entre blogueiras e famosas, de Nicole Bahs a Manu Gavassi, esse modelo pode até ser bonito, mas é bastante ineficaz. O tricô é um tecido cheio de pequenos buracos, que permitem a passagem do vírus, e não garante sua segurança. De acordo com a OMS, as máscaras devem ser feitas de tecidos como algodão, poliéster e flanela, ter entre duas e três camadas, e pouca costura na parte frontal.

    3. Escudo facial (face shield)

    Você já deve ter visto pessoas que trocaram a máscara pelo protetor facial por achá-lo mais confortável e considerar que estariam protegidas da mesma maneira, certo? Errado. Um estudo publicado na revista Physics of Fluids, do Instituto Americano de Física, mostra que, “no geral, podemos supor que o escudo facial bloqueia o movimento inicial do jato. No entanto, as gotículas aerossolizadas que são expelidas podem se dispersar em uma ampla área ao longo do tempo”. #cilada

    4. Máscaras de paetê

    Assim como as máscaras de tricô, os modelos com paetê são uma tendência perigosa. Quanto mais furadinho o tecido, maior o risco de contágio. Outro fator que merece atenção é que, por ser difícil de higienizar, muitas vezes a limpeza do tecido não é feita corretamente, comprometendo ainda mais a segurança de quem usa e dos outros.

    5. Bandanas e lenços

    Um ano após o início da pandemia e com todas as informações disponíveis sobre o assunto, algumas pessoas ainda insistem em usar lenços e bandanas no lugar de máscaras. Estilo? Pode até ser, mas a proteção está longe de ser a mesma. Por muitas vezes não cobrir corretamente o nariz e a boca, e não possuir a mesma vedação que as máscaras de proteção, sejam elas descartáveis ou reutilizáveis, os lenços e as bandanas são uma “moda” perigosa.

    6.  Máscaras que “não impactam sua beleza”

    Vendedores brasileiros estão comercializando uma tal máscara M85 que, segundo eles, “não impacta sua beleza”, isso porque ela é transparente, feita de policarbonato. Além de o material não ter a capacidade de filtrar o ar inspirado ou expirado, ele não apresenta uma boa adesão ao rosto, diminuindo sua eficácia. Por isso, como o face shield, esse modelo é altamente não recomendado, principalmente se usado sozinho, sem uma máscara de proteção eficiente por baixo.

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    A “máscara que não impacta sua beleza” na verdade é mais um escudo de proteção e só serve de alguma coisa se usada junto de uma máscara de proteção eficiente Mercado Livre/Reprodução

    Todo cuidado é pouco, ainda mais se você não tiver o privilégio de fazer home office e precisar pegar transportes públicos para chegar ao trabalho. Nessas ocasiões e em ambientes fechados, o modelo N95/PFF2 é o mais recomendado pelos especialistas. Na sequência, vem as máscaras cirúrgicas (compre aqui) e depois as de pano feitas com três camadas de tecido.

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    As máscaras mais eficazes contra o coronavírus apresentam taxas de proteção que variam de 95,15% a 99,98%. Se tiver algum dos modelos não indicados em casa ou se, mesmo após ler a matéria, quiser comprar algum dos itens acima, não deixe de usá-los combinados com uma máscara cirúrgica. O Brasil tem hoje o maior número de mortes diárias pela doença e já ultrapassou a casa das 270 mil vidas perdidas para a COVID-19. Não seja um negacionista do vírus, da máscara e das medidas de proteção contra a Sars-Cov-2. Lembre-se de que você vive em sociedade e este é o seu papel mínimo como cidadão.

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