A eficácia em números das máscaras no combate ao novo coronavírus

Temos as máscaras caseira, cirúrgica e N95. Quais são suas eficácias? Todo mundo precisa usar? O que diz a OMS?

Por Gabriela Junqueira - Atualizado em 14 abr 2020, 17h58 - Publicado em 14 abr 2020, 13h45
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CAPRICHO/Divulgação

O Ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, recomendou durante coletiva realizada em 1º de abril que toda a população adotasse o uso das máscaras de pano como forma de combate e prevenção ao coronavírus. As máscaras cirúrgicas seguem recomendadas apenas para pessoas que apresentam sintomas da COVID-19 e para profissionais da saúde. Entretanto, princialmente depois do pronunciamento do ministro, muitos questionamentos sobre a eficácia das máscaras caseiras surgiram.

Segundo o jornal The New York Times, já existem pelo menos dois estudos que mostram a importância do uso das máscaras no momento em que vivemos. Uma dessas pesquisas concluiu que, apesar das máscaras caseiras não serem tão eficientes quanto as cirúrgicas, elas surtem dois efeitos: diminuem a propagação de gotículas infecciosas no ar, que são espalhadas através da tosse, do espirro ou até mesmo da fala, e evitam que as pessoas toquem seus rostos.

De acordo com outro jornal, agora o inglês The Guardian, estudos mostram que o uso da máscara, apesar de não garantir 100% que uma pessoa não vai ficar doente, pode assegurar uma proteção 5x maior comparada ao não uso de nenhuma barreira. Além de proteger, as máscaras, mesmo as improvisadas, reduzem a transmissão do vírus.

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O professor de saúde pública KK Cheng, da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, afirma que um dos grandes problemas é que “as pessoas usam máscaras para proteger a si mesmas, quando, na verdade, elas funcionam muito melhor como uma forma de controlar a fonte da infecção”, ou seja, evitando que pessoas infectadas transmitam o vírus. Usar a máscara, mesmo que você não tenha sintomas, é um gesto de carinho com o próximo. Lembrando que pessoas assintomáticas também podem transmitir o vírus, mesmo que em menores chances.

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Outro estudo, realizado na China pela Universidade de Qingdao, testou a eficiência de três máscaras contra outro vírus, o da Influenza Aviária (AIV), mas cuja transmissão se assemelha à da SARS-CoV-2. Foram elas as caseira, cirúrgica e N95. A máscara caseira foi montada da seguinte maneira:  usando uma camada de poliéster e quatro de papel toalha.

Cada máscara foi testada 4x de forma independente. Os resultados mostram que a máscara caseira apresenta 95,15% de eficácia, enquanto a cirúrgica atinge 97,14% e a N95, uma máscara mais estruturada e que pode ser usada por até 15 dias, 99,98%.

Uma das tabelas do estudo mostra “porcentagem de AIV bloqueada por máscaras em comparação com uma camada de tecido” College of Veterinary Medicine, Qingdao Agricultural University/Reprodução

O estudo aponta ainda que “as máscaras médicas não são totalmente protetoras nos hospitais, mas são úteis para ocasiões sociais comuns”. Além disso, ressalta que “o uso de máscaras médicas pode melhorar a vigilância, impedir o contato direto com a boca ou nariz, e reduzir a contaminação do ar por patógenos de pessoas infectadas”. Também foi destacada a importância da higienização das mãos como uma forma de combater a transmissão do vírus – e da boa administração da máscara, qualquer que seja ela. Nada de retirá-las antes de lavar bem as mãos, certo?

A empresa alemã LaVision mostrou em um gif como o uso de uma máscara bloqueia e reduz o risco da transmissão através de gotículas produzidas pela respiração, tosse ou espirro. Para produzir a imagem, a empresa usou uma técnica de imagem chamada Schlieren. Olha só:

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“Usando uma máscara facial, o fluxo de ar expirado é bloqueado, reduzindo efetivamente o risco de infecção” – La Vision La Vision/Reprodução

No último dia 3, pela primeira vez, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que as máscaras podem apresentar certa eficácia dependendo do cenário. “Em certos contextos, utilizar esses itens para cobrir as vias aéreas [para ir ao mercado, por exemplo] serve como barreira mecânica e não é uma má ideia”,  disse Mike Ryan, diretor executivo de emergências da organização. Ele destacou, entretanto, que seu uso não nega a necessidade da higienização correta das mãos, roupas e dos produtos comprados, e da prática do distanciamento social.

Mesmo não sendo por ora uma medida obrigatória recomendada pela OMS, o uso de máscaras, mesmo que uma improvisada, pode ajudar a diminuir a curva de infectados e é uma prática solidária. Para ajudar a população a fazer suas próprias máscaras, já que várias delas estão esgotadas em muitos comércios, o Ministério da Saúde disponibilizou um manual ensinando como fazer uma máscara de pano usando tecidos como algodão, TNT e tricoline. Para acessar esse conteúdo, basta clicar aqui

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