REPÓRTER AFROFUTURISTA Por Aniké Pellegrini

Autoestima é proteção e empoderamento é investimento

Embora muitas vezes elas sejam tratadas como se andassem de mãos dadas, existe um abismo que separa o empoderamento da autoestima

Por Aniké Pellegrini - Atualizado em 29 set 2020, 14h23 - Publicado em 20 set 2020, 10h11

Quem nunca ouviu a frase: “Nós precisamos empoderar nossas meninas, dizer para elas que são maravilhosas, donas de si, que podem ser o que elas quiserem”? O que ela diz é verdade. Precisamos mesmo empoderar essas jovens e dizer a elas que podem tudo, mas já passou da hora de explicar o abismo que separa o empoderamento da autoestima, mesmo que, muitas vezes, esses temas sejam tratados como se andassem de mãos dadas.

Ambos os conceitos são ferramentas, mas enquanto a autoestima é um instrumento de proteção, o empoderamento, como a palavra por si só sugere, é de poder. Mas vamos por partes…

Oi! Eu sou a Repórter Afrofuturista! Como anda sua autoestima? Estão te empoderando? Juliana Dias/CAPRICHO

Autoestima

Segundo o dicionário Michaelis, o substantivo feminino significa “sentimento de satisfação e contentamento pessoal que experimenta o indivíduo que conhece suas reais qualidades; habilidades e potencialidades positivas e que, portanto, está consciente de seu valor; sentir-se seguro com seu modo de ser e confiante em seu desempenho”.

Por mais que ações externas e coletivas influenciem, a autoestima é uma construção interna e individual. Faz parte desse processo atitudes de amor próprio, autocuidado, preservação da saúde mental e da cultura. Autoestima é cultuar os seres que somos, enxergando a beleza que existe em cada um nós e, ao mesmo tempo, protegendo nossas potências.

É ela que fala mais alto e nos protege quando tentam nos diminuir e negar nossas competências. Diante de desilusões também. A autoestima nos dá coragem para experimentar e confrontar, e está diretamente relacionada a nossa confiança.

Para ficar mais prático de visualizar esse conceito, segue o exemplo: no filme Detona Ralph, temos Vanellope von Schweetz. Durante toda animação, personagens a categorizam como um bug do jogo, determinando que ela não deveria vencer. A autoestima de Vanellope é o que a impede de se colocar no papel de “erro” e confrontar a todos indo atrás do seu desejo de competir. Aqui se sustenta a ideia de dizer para meninas que elas são maravilhosas e donas de si.

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Fofa? Há! Tão mais que isso… Disney/Divulgação

Empoderamento

Nas palavras da filósofa Djamila Ribeiro, empoderamento “é enfrentar a naturalização das relações de poder desiguais entre homens e mulheres, e lutar por um olhar que vise a igualdade e o confronto com os privilégios que essas relações destinam aos homens. A busca pelos direitos das mulheres à autonomia por suas escolhas, por seu corpo e sexualidade”.

O empoderamento é um processo que mobiliza e modifica as estruturas da nossa sociedade. São ações que devem partir das posições de liderança, decisão e privilégio, e devem ser sustentadas pelo coletivo.

Podemos simplificar o termo empoderamento para “dar o poder”. Dentro dos moldes que temos hoje, o poder está no dinheiro. Sendo assim, para empoderar uma garota, sobretudo uma garota dentro das minorias sociais, o caminho é investir nela, oferecer espaços, oportunidades, trabalhos, cargos (principalmente de destaque), estudos, conhecimento… São esses os caminhos que levam, literalmente, ao pote de ouro!

 

Não tem nada de errado em querer empoderar alguém ou querer ajudar a elevar a autoestima da pessoa, mas precisamos saber quando é hora de usar cada uma das ferramentas. Ainda está complicado de entender? Segue mais um exemplo da animação da Disney: quando Ralph constrói para Vanellope um carro de corrida, para ela competir “de igual para igual” com os demais, ele a empodera. O personagem foi lá e colocou na mão dela um instrumento que ela estava precisando.

Esse tema tão filosófico e, ao mesmo tempo, político, dependendo da construção social de cada leitor, foi trazido aqui à tona porque, quando a CAPRICHO me selecionou para fazer parte da Galera CH, em 2017, ela me deu espaço para experimentação e projeção da minha voz, me empoderando. Hoje, quando volto a escrever, agora como colunista do site, levando em conta que minha meta é um dia trabalhar no campo jornalístico, mais uma vez me sinto empoderada. E é assim que eu quero que você se sinta do outro lado da tela, aonde quer que esteja, qualquer que seja seu sonho.

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