Mascne: como evitar e cuidar da acne causada pelo uso de máscaras

A CH conversou com especialistas para entender esse novo tipo de acne

Por Djenifer Dias Atualizado em 16 Maio 2021, 11h10 - Publicado em 16 Maio 2021, 10h01

Você sabia que existe um novo tipo de acne? A “mascne é uma acne causada pelo abafamento da pele devido ao uso de máscaras de proteção contra Covid-19. Para entender por que isso acontece, como prevenir o surgimento das espinhas e tratá-las, a CH conversou com especialistas e te conta todos os detalhes!

O que é a acne

A acne é um tipo de inflamação na pele que pode deixar cicatrizes e manchas. Ela deve ser tratada independentemente da idade do paciente. Não se deve espremer, pois pode aumentar a inflamação e, para tratar, basta usar produtos à base de ácido salicílico e ácido glicólico, que devem ser prescritos por dermatologista. Esses ativos ajudam a clarear a pele, reduzindo as manchas e controlando a oleosidade. Cremes, géis, sabonetes e antibióticos também podem ser indicados.

  • O uso das máscaras realmente contribuiu para o aumento da acne? Por quê?

    O termo “mascne” surgiu no último ano para explicar o aparecimento da acne nas regiões do queixo e bochechas devido ao uso das máscaras faciais, indispensáveis durante a pandemia de Covid-19. A máscara de proteção acaba abafando a pele e, com isso, aumenta a umidade sobre os poros e a secreção sebácea, o que resulta no aparecimento da acne. Outros fatores decorrentes da pandemia, como estresse, consumo excessivo de alimentos que não são saudáveis, uso de produtos incorretos ou até mesmo lavagem excessiva do rosto também podem ajudar no aparecimento da inflamação.

    Devemos nos atentar ao fator emocional, afinal, quando estamos estressados ou ansiosos, liberamos uma quantidade maior de cortisol. Essa substância estimula a produção de hormônios androgênicos, que são responsáveis por aumentar a produção de sebo pelas glândulas sebáceas, causando o aparecimento da acne.

    A acne causada pela máscara pode ser evitada ou melhorada? De que forma?

    A melhor forma de evitar ou pelo menos melhorar é ter um cuidado redobrado com a pele. Quando possível, utilize máscaras 100% algodão, elas promovem menos atrito e abafamento. Uma outra opção é colocar uma máscara de algodão por baixo de outra, evitando que o tecido sintético fique em contato com a pele. Higienizar o rosto pela manhã e à noite com sabonetes próprios para pele oleosa, usar produtos secativos com ácidos específicos para o controle da acne e, em alguns casos, antibióticos. 

    Vale lembrar que, por causa das novas variantes do coronavírus, o modelo mais eficaz em ambientes de alto contágio é o N95/PFF2,mas não significa que você precise aposentar suas máscaras reutilizáveis de tecido – se elas se elas tiverem, pelo menos, duas camadas de proteção e respeitarem as normas da OMS. Para entender qual é a melhor máscara para se proteger, acesse este link, e, sobre o uso de máscaras caseiras, acesse aqui.

    Duas máscaras de proteção sendo uma branca e outra azul, em cima de um fundo rosa claro.
    Máscaras de proteção Pexels/Reprodução

    O uso de maquiagem com a máscara já foi alertado como algo prejudicial para a eficácia da máscara. Por que isso acontece?

    É contraindicado, pois a maquiagem em contato com o tecido da máscara de proteção gera umidade e sujeira, o que leva a diminuição do tempo de duração da camada protetora, ou até a sua ineficácia. Para quem não quer ficar sem usar, o indicado é manter a pele em contato com a máscara sempre higienizada, trocando a máscara no tempo recomendado. Se possível, em local seguro, retirar a máscara por 5 ou 10 minutos, a cada uma hora, para que a pele possa “respirar”.

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    Existe algum jeito de usar maquiagem com máscara que seja seguro? 

    Se a maquiagem é indispensável, opte por um protetor solar com cor. Além disso, o uso de sabonetes líquidos próprios para o rosto, usados no máximo 2 vezes ao dia, também auxiliam a controlar a oleosidade e os microrganismos que ficam na pele. Outra sugestão, para quem tem a pele mais sensível, é usar papel filtro na parte interna da máscara, evitando assim o contato direto entre o material da máscara e a pele.

    Jovem colocando máscara branca de proteção, com expressão séria, usando blazer marrom e blusa de lã amarela.
    Máscara para proteção Pexels/Reprodução

    Usar protetor ou algum tipo de creme por baixo da máscara também seria algo negativo?

    Não, pelo contrário, ele é necessário. É preciso usar filtro solar diariamente, mesmo embaixo da máscara. Ele é fundamental para a proteção da pele, inclusive, como prevenção às hiperpigmentações, que podem ocorrer devido ao atrito da pele com a máscara constantemente. Vale lembrar que é legal optar por filtros que são específicos para pele oleosa ou acneica.

    Quais dicas de limpeza facial e skincare são importantes em tempos de Covid-19?

    Redobrar o cuidado com a pele durante este momento é essencial. O ideal para uma pele bonita e saudável é cuidar internamente do corpo com uma boa alimentação e beber muita água. É fundamental ter uma rotina de skincare adequada para o seu tipo de pele e cuidar dessa região onde a máscara é colocada. Géis de limpeza com ação pós-biótica que preservem a barreira cutânea, séruns com ação na redução da oleosidade, hidratante com ácido hialurônico, ter sempre à mão uma água dermatológica para o resfriamento da pele e redução de oleosidade, também são uma ótima pedida.

    Quem deu as informações: Dra. Mariana Corrêa, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica; Dra. Fabiana Seidl, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica; Dra. Ana Paula Fucci, Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); Dra. Adriana Vilarinho, dermatologista; Dra. Joyce Rodrigues, farmacêutica bioquímica especialista em cosmetologia e presidente da Mezzo Dermocosméticos; Dra Cristiane Simões, dermatologista do Grupo de Telemedicina Iron; Dra. Maria Paula Del Nero, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Dra. Karla Lessa, dermatologista.

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