Explante de silicone: tudo o que você precisa saber sobre a cirurgia

O que é a chamada "doença do silicone?" A CH conversou com médicos especialistas para entender!

Por Djenifer Dias Atualizado em 12 mar 2021, 18h24 - Publicado em 14 mar 2021, 10h03

Você reparou que, nos últimos tempos, os casos de retirada da prótese de silicone começaram a ficar mais frequentes? Evelyn Regly, Jessica Cardoso e Ashley Tisdale são algumas das mulheres que já fizeram o procedimento. Diante disso, a CH conversou com especialistas para entender tudo sobre a cirurgia, inclusive o motivo pelo qual essa prática anda sendo tão recorrente.

Por que a procura por um explante [remoção] de silicone aumentou?

Uma das razões para o aumento do interesse pelo procedimento é que, depois de fazer o implante, algumas mulheres se arrependem do tamanho escolhido e o consideram muito grandeOutro motivo é a “tendência” de cada época – ter seios maiores ou menores.

Houve também um aumento da conversa sobre o assunto nas redes sociais e uma maior divulgação sobre o explante de silicone e estudos em torno da cirurgia. Com isso, mais mulheres procuraram um cirurgião plástico para uma avaliação quanto à necessidade de trocar ou retirar definitivamente os implantes.

Além disso, o questionamento dos padrões de beleza impostos pela sociedade é uma pauta que gera reflexões muito importantes a cerca do empoderamento feminino e, por consequência, pode ser um dos fatores motivadores do explante.

Qual seria a preparação para o procedimento e como ele funciona?

Normalmente, o explante é realizado na mesma incisão em que a prótese foi inserida. No momento da cirurgia de retirada, é preciso moldar a mama. Assim, acontece uma verificação para saber se o corpo terá uma reestruturação natural ou se será necessário fazer uma mamoplastia junto com o explante. Quando for o caso, pode-se usar enxerto de gordura para corrigir alguma possível deformação. 

A preparação requer uma análise pré-operatória completa, com exames de sangue e cardiológicos e avaliações radiológicas das mamas. Os exames de imagem incluem ultrassonografia, mamografia e ressonância magnética da área. Há também o preparo psicológico e emocional para a diminuição dos seios e as possíveis cicatrizes.

Quais são os cuidados no pós-operatório?

Os principais cuidados para evitar infecções e inflamações no local da cirurgia são: uso correto de medicações prescritas pelo médico, repouso, boa alimentação e acompanhamento para verificar o processo de cicatrização e resultado final. A paciente também deverá evitar movimentos amplos com os braços por 14 a 30 dias, utilizará uma cola cirúrgica e curativos impermeáveis nesse período inicial e, após 30 dias, estará apta a realizar atividades físicas de forma gradual.

Existe algo que pode ser feito para prevenir a necessidade do explante?

Antes de realizar uma cirurgia plástica, é importante fazer exames que atestam a boa saúde e comprovem que a paciente está apta para o procedimento. Para quem tem próteses de mama, o ideal é realizar exames preventivos a cada seis meses.

  • Explante de silicione

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    Quando se fala em remoção das próteses, muita gente se lembra da chamada doença do silicone. No entanto, ela não é uma doença cientificamente comprovada. O termo surgiu na linguagem popular para uma síndrome chamada ASIA (do inglês Autoimmune Syndrome Induced by Adjuvants, ou Síndrome Autoimune Induzida por Adjuvantes), que pode ou não estar relacionada à doença do silicone propriamente dita.

    O que é a “doença do silicone”?

    Inclui um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem por conta de estímulo externo ao corpo, como vacinas ou prótese de silicone. Ainda não existe comprovação de que o silicone realmente seja o responsável por esses sintomas.

    Quais são os principais sintomas?

    Os sintomas incluem: fadiga, dor muscular e nas juntas, problemas no sono e, em alguns casos, febre, depressão, déficits hormonais e até fraqueza.

    Quais são as chances de quem coloca silicone ser atingido pela doença?

    O índice é baixo e o problema costuma ocorrer em pacientes com predisposição a doenças autoimunes. Inclusive, deve-se estar atento a outras causas associadas, como depressão e ansiedade.

    Quando devemos procurar ajuda?

    Quando notar qualquer sintoma novo após o resultado final da cirurgia. Por exemplo: formato dos seios irregulares, fadiga e dores que, antes da prótese, não existiam.

    É importante lembrar que, na hora de decidir colocar ou retirar uma prótese de silicone, devemos estar cientes dos riscos, e também nos preparar emocionalmente para possíveis problemas. Acreditamos que é importante amar nosso corpo e nos aceitarmos acima de tudo.

    Quem deu as informações: Henrique Lopes Arantes, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e membro ativo da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS); Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); e Victor Cutait, médico pela Faculdade de Medicina de Marília com especialização em cirurgia plástica pelo Instituto Brasileiro de Cirurgia Plástica. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), professor de cirurgia plástica da Universidade Nove de Julho (UniNove) e diretor da Clínica Cutait Cirurgia Plástica.

    Nina Dobrev
    Giphy/Reprodução
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