Existem duas Copas do Mundo, mas a gente só dá atenção para uma delas

Existe apenas uma grande Copa, que acontece de quatro em quatro anos e é protagonizada por homens. Mas cadê a Copa do Mundo de Futebol Feminino?

Por Isabella Otto - Atualizado em 16 Maio 2019, 17h06 - Publicado em 26 jun 2018, 16h18

A Copa do Mundo 2018 é o assunto principal da maioria das rodinhas de amigos, que falam sobre jogos, times, zebras, bolões… Mas você já reparou que a própria denominação dada por nós e pela própria FIFA é bastante machista? Pode parecer exagero, mas não é. Na verdade, é bem simples. Para a maioria de nós existe apenas uma Copa do Mundo: a que acontece de quatro em quatro anos e é protagonizada por homens. Não existe uma Copa do Mundo de Futebol Masculino. É a Copa e ponto final. Em contrapartida, existe uma Copa do Mundo de Futebol Feminino, que poderia ser também uma Copa e nada mais, mas não é. Para a competição feminina, existe essa classificação bastante específica. Para a masculina, não.

Buda Mendes/Getty Images

É verdade que a Copa do Mundo de Futebol Masculino começou em 1930 e a de Futebol Feminino surgiu em 1991. Talvez esse grande intervalo de tempo tenha contribuído para criar no imaginário social a ideia de que Copa do Mundo é uma só; mas não é. Em 2019, acontece a 8ª edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será sediada na França. Os melhores resultados da nossa Seleção foram conquistados em 2007 (vice-campeã) e em 2011 (quartas-de-final). É impossível querer comparar o desempenho e os títulos da Seleção Masculina e da Feminina – até por causa desse gap de tempo entre o início das competições -, mas é preciso analisar todo esse histórico e como podemos mudar esse imaginário social.

A Seleção Feminina de Futebol é hepta no Campeonato Sul-Americano. A Seleção Masculina de Futebol é penta na Copa do Mundo de Futebol Masculino. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Mas será que esse cenário não reflete a preocupação nacional que damos ao futebol feminino?

Por que a Copa das meninas não é transmitida em TV aberta como a Copa dos meninos? Por que não dá audiência? Por que não tem patrocínio? Com certeza. Mas também talvez seja por uma falta de costume nosso de assistir e apoiar as nossas jogadoras. Toda essa série de fatores contribui para que o futebol feminino não se iguale ao masculino em questão de vitórias, preparo, audiência, salário… Aos poucos, essa consciência social vem mudando, mas a resistência que encontra ainda é grande.

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Buda Mendes

Antes de tudo, é preciso parar de comparar. Como assim? Ao fazer uma comparação entre o futebol jogado, as taças conquistadas e o retorno dado por cada Seleção, ignora-se aquela série de fatores já discutida aqui anteriormente. É uma bagagem que não dá pra equiparar, mas algumas coisas podem ser feitas para que a mala de bordo vire uma mala de 32 kg. Em primeiro lugar, tenha ciência de que, no ano que vem, a Copa do Mundo de Futebol Feminino acontece na França entre os dias 7 junho e 7 de julho. Em segundo, compartilhe o desempenho da Seleção Brasileira, seja por meio de matérias em veículos de imprensa, seja por meio das redes sociais. De início, pode não dar muitos cliques nem tantas curtidas, mas só assim vamos habituar as pessoas a tal realidade e trazer mais reconhecimento para as categorias femininas, que, consequentemente, vão chamar mais a atenção de potenciais patrocinadores. É uma bola de neve bacana, positiva, do bem, que engole apenas o machismo ainda tão intrínseco na nossa sociedade.

Atualmente, a Seleção Brasileira de Futebol Feminino está jogando amistosos e se preparando para o mundial de 2019. Na ala “Principal Feminina”, no site da Confederação Brasileira de Futebol, você encontra notícias sobre a Canarinho, dirigida por Vadão e tendo Marta, Formiga e Andressinha na equipe.

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