Empresas de games continuam errando e estimulando a misoginia e o machismo

Caso envolvendo a streamer Gabriela Cattuzzo traz à tona uma reflexão sobre a indústria de jogos e como as mulheres ainda são tratadas nela

Desde 2016, levantamentos relacionados ao mundo dos games mostram que mulheres são as que mais consomem jogos no Brasil. No último ano, a Pesquisa Game Brasil mostrou que 75,5% dos brasileiros são gamers de algum nível, sendo que 58,9% desse número é formado por pessoas do sexo feminino. Ou seja, isso prova que o universo dos jogos eletrônicos é receptivo, livre de machismos e seguro para mulheres. Se você não localizou a ironia nas linhas anteriores, talvez seja hora de desligar um pouco o console e se inteirar dos fatos mais recentes, que dão uma panorama geral do que é a indústria dos games.

Gabriela Gattuzzo vestindo camiseta da Razer

Gabriela Gattuzzo vestindo camiseta da Razer (Reprodução/Reprodução)

Gabriela Cattuzzo é streamer do Facebook e influenciadora contratada por algumas marcas, como a Razer Brasil. No último dia 21, ela postou um tweet dizendo: “Sempre vai ter um macho fodido pra falar merda e sexualizar mulher até quando a mulher tá fazendo uma piada, né? É por isso que homem é lixo“. O post dividiu opiniões e viralizou. Alguns, em sua maioria mulheres, concordavam com a influenciadora. Outros, em sua maioria homens, se sentiram ofendidos com a generalização. Teve gente até dizendo que Gabi estava praticando misandria, que é quando um ato de desprezo ou ódio contra o sexo masculino é cometido. Aparentemente, a gamer estava criticando mais uma sexualização sofrida na profissão e usou “boy lixo”, uma expressão já bastante banal, para descontar sua raiva. Há machismo aí também, embora nem todos fizessem questão de enxergar.

O caso repercutiu tanto que a Razer Brasil finalmente decidiu se posicionar sobre ele. Dentre as muitas coisas que foram ditas no comunicado oficial, que você pode conferir na íntegra mais abaixo, gostaríamos de ressaltar algumas na sequência:

O tweet polêmico da Gabi.

O tweet polêmico da Gabi. (Reprodução/Reprodução)

  • “estamos desde o começo, como gamers, enfrentando todo tipo de preconceito e estereótipo, e continuaremos lutando para que esse tipo de situação não se repita”
    A empresa Razer é a líder mundial em Sistemas Profissionais, periféricos e software de games. Ela vende uma série de produtos para os jogadores e possui filiais em algumas partes do globo, além de patrocinar alguns dos principais times masculinos de e-Sports, como o paiN Gaming, no Brasil. Como era esperado, a maioria dos cargos da Razer é ocupada por homens. Min-Liang Tan é o CEO da marca. Na América Latina, o diretor é Vitor Martins. Mais uma empresa de jogos formada majoritariamente por homens e tendo cabeças pensantes do sexo masculino. Tudo bem, o cenário está mudando, uma passo de cada vez. Agora, fica complicado dizer que esses caras sabem o que é sofrer diariamente preconceito e com estereótipos no mundo gamer, porque eles não sabem. A sexualização feminina no mercado existe e é inclusive alvo de pesquisas em universidades renomadas, que tentam entender como a cultura nerd machista moldou as personagens femininas que encontramos em games e os consumidores.

 

  • “(…)a opinião da empresa, que é totalmente contrária a qualquer tipo de discriminação seja ela de sexo, religião, partido político ou qualquer tipo de intolerância e extremismo”
    Se a empresa se diz tolerante, não deveria ela ter tentado entender o que levou a streamer a criticar de maneira genérica os homens antes de expôr a jovem dizendo que ela não é embaixadora da marca, apenas uma influenciadora, e que o contrato com ela não seria renovado? Os homens que Gabi atacou existem e, infelizmente, ditam as principais características negativas do mercado, conhecido por ser machista, misógeno, sexista, intolerante e preconceituoso.
  • “o contrato com a influenciadora em questão não será renovado”
    Gabi, por ser uma influenciadora gamer, deveria tomar mais cuidado com as palavras ao se referir ao público que a acompanha? Profissionalmente, talvez fosse uma boa escolha. Ela também já teve algumas atitudes não tão bacanas, que foram revividas após a polêmica. Ela se desculpou por elas: “Fui babaca”, disse sobre erros do passado. Além disso, ela também falou que concorda que possa ter ofendido pessoas com o tweet recente, mas que a galera deveria entender que ela posta “fotos todos os dias, e todos os dias a maior parte dos comentários são ofensivos ou sexualizando algo que nem tem como ser sexualizado. São poucos os homens que comentam com coisas interessantes ou comentários não ofensivos”. O contrato de Cattuzzo foi cortado. Ela deu um tempo das redes, pois estava sendo ameaçada, assim como sua família e seus amigos. Os gamers que a assediaram e aqueles outros que tiveram suas masculinidades frágeis afetadas pelo “insulto” de Gabi saíram vitoriosos. Read. Fight. O machismo ganha novamente. Fatality. Game over.

Muitos influenciadores que fazem parte do universo gamer e nerd se posicionaram sobre o ocorrido, como Castanhari, Cellbit, Felipe Neto e Mikannn. Todos se mostraram descontentes com o comunicado liberado pela Razer e pelas razões pelas quais Gabriela teve o contrato finalizado. E se fosse o contrário? E se um streamer tivesse postado que “é por isso que mulher é lixo”? Será que o tweet teria viralizado em tais proporções? Será que a empresa teria finalizado a parceria com o influenciador?

Diariamente, mulheres escutam que só são maioria no mundo gamer por causa dos jogos mobile, e que estão nos torneios para agradar ou procurar macho. Profissionais incríveis recebem comentários de cunho sexual e são analisadas pelas roupas, curvas e tatuagens, dificilmente pelo conteúdo que estão entregando. Meninas utilizam nomes masculinos em partidas online por medo de serem ameaçadas, minimizadas e boicotadas. Diariamente, a gente escuta que o mercado está mudando, que cada vez mais mulheres estão tomando espaço em desenvolvedoras, competições de e-Sports e torneios amadores. E é verdade, um movimento incrível está acontecendo e empoderando meninas que, assim como eu, sempre amaram videogame, mas ouviam que era coisa de menino e que não tinha espaço para elas. A gente está caminhando, fazendo nossa parte. Onde estão as empresas de games? Por que elas continuam resistentes em caminhar com a gente? Por que elas continuam incentivando o mercado machista que ajudaram a construir? A história muda, assim como os personagens e sua jogabilidade, mas o desfecho é sempre o mesmo. E isso que é um lixo.

Clique aqui para conferir na íntegra o comunicado liberado pela gamer Gabi Cattuzzo sobre o assunto.

 

Comentários
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  1. Flávio Shinigami

    Desculpe Isabella mas preciso perguntar pq vc escondeu parte do contexto e das falas da discussão em sua matéria?

    A parte pior não foi ela respondendo o cara e sim afirmando que precisa generalizar, que homem é lixo mesmo etc, essa parte vc não postou.

    Alias o contexto todo da briga é tosco, a moça posta ela sentada em um touro mecanico e diz que esta sentada no chat dela, ou seja chama o público dela de gado (e nesse ponto ela tem razão, para seguir alguém assim são gado mesmo), um cara respondeu que pode sentar nele a vontade e isso iniciou toda a briga. O comentário do cara foi babaca? FOI. Isso justifica atacar todo um gênero? NÃO.

    Pq vc não fala tbm do video onde um rapaz pergunta de boa o que ela usa pra gravar as lives e ela xinga o cara todo com ofensas de baixo calão e até mandando enfiar as coisas vc sabe onde?

    Esse tipo de defesa cega e parcial toda vez que uma mulher faz besteira é que ta fazendo as pessoas não terem mais respeito algum pelo feminismo, matéria que só conta meias verdades é foda. alias meias não, não contou nem um terço da verdade.

    parabéns

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    1. Claudinier Aguiar

      Parabéns pela narrativa, infelizmente estamos vivendo um poço de hiprocisia…

      Onde o mais importante não é o que se fala, mas sim quem fala…

      Quando é alguém que luta por uma causa aí não, peraí não é bem assim, temos que relativar, não foi bem assim.

      Dois pesos, duas medidas…

      Mas, lutamos por igualdade… Hum sei!

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  2. Dhávila Sabrina

    Li e percebi que está bem incompleta essa matéria fazendo da Gabi uma vítima (o que não é novidade no mundo do feminismo). Só sobre o tweet dela foi bem tosco mesmo, Gabi fez uma piada e seu fã respondeu com outra, mas ela acabou fazendo um discurso de ódio generalizando os homens como se todos fossem lixos, o que não é verdade. Claro, tem muitos homens que não respeitam as mulheres, assim como tem muitas mulheres que não estão respeitando nem as outras mulheres com opiniões contrárias ao feminismo.

    Se for pra analisar minuciosamente as lives e as postagens da Gabi, você vai perceber que ela foi babaca inúmeras vezes e foi misandrica, sim! Mas o feminismo está tão acostumado a espalhar discurso de ódio que acaba sendo normal todo tipo de xingamento e ofensas que elas proferem e ainda fazendo-as de heroínas no final. Se fosse um homem no lugar da Gabi com certeza ele sofreria um lixamento virtual, teria seus dados pessoais publicados na internet, seria ameaçado de morte e ninguém estaria ao lado dele por simplesmente ser HOMEM.

    É triste que a Razer não irá renovar contrato e que ela esteja sofrendo ameaças (espero que ela fique segura e que tudo se resolva), mas não é porque é mulher que será vítima. Ela errou feio várias e várias vezes e ninguém se pronunciou, até que um dia, uma outra mulher, publica um dos vários exemplos de discurso de ódio que o feminismo tanto prega. Se o feminismo luta tanto pela igualdade que seja posto em prática. Se um homem faz merda ele deve arcar com as consequências, assim para uma mulher vale a mesma coisa.

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    1. Flávio Shinigami

      é sempre bom ver mulheres de caratér que defendem igualdade de verdade e não esse feminismo misandrico e hipocrita que prega que a mulher sempre esta certa e o homem sempre é o vilão. parabéns pela postura coerente e madura.

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  3. Tiago Moraes

    Isso é o que acontece quando uma pessoa que não tem conhecimento do universo ao qual está abordando resolve tomar partido e opinar.
    O mundo dos games é muito tóxico. Cheio de pessoas muito haters e agressivas, mas dá para controlar isso quando o influencer sabe se impor e agir com educação. Afastando de suas mídias a parte podre da gamesfera. Eu posso citar vários influencers aqui, como o Sinxplayer e o BRKSEdu. Para não ficar só nos homens eu cito a Nicole Diretora. Nas lives dela você não vê gente assim faltando com respeito. Essa turma aí defendendo a Gabi no Twitter é a turma da lacrosfera que também nem conhece o meio do qual estão falando. A Gabi, diferente da Nicole, não impõe respeito algum. Ela atrai e estimula o comportamento tóxico dos seguidores dela, xinga e ofende gratuitamente gente que ela não conhece e mesmo aqueles que a tratam com educação. Esse episódio aí não passa do famoso “gente colhendo o que plantou”. A moça é tão metida a lacradora que até recorreu a famosa manobra desse tipo de pessoal, na hora que o clima pesa e perde a bocada, parte pra o famoso “ainnn, taum me ameaçado de morte!!”

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  4. Jonata Dos Santos

    A minha opinião já foi perfeitamente expressa pelo Flávio e pela Dhávila, então só uma pequena observação. A maioria esmagadora de gamers são do sexo masculino ao contrário do que foi dito aqui. Essa pesquisa leva em conta jogadores casuais de celular, ou seja, aquelas senhoras que jogam Candy Crush no ônibus fazem parte desses dados. Então sem querer defender machismo e nem esses caras babacas, o “mundo gamer” é tão desagradável para as mulheres principalmente pela falta de interesse das mesmas. Enfim, não queira propagar a desinformação exposta nessa matéria.

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    1. Veja bem, não tenho dúvidas de que sim, ela tenha sido escrota em várias partes da vida dela, mas quero ressaltar que não só ela esta errada nessa história, a partir do momento que uma empresa com um nome tão grande no mercado, não trate do mesmo jeito o público masculino que retem opiniões machistas, sexistas. Focar apenas em uma, é fácil. Ser umA, é fácil. Pois se fosse um, não teria a mesma proporção. A Razer é majoritariamente masculina, seu público é majoritariamente masculino, e caso um de seus patrocinadores fosse além de um escroto machista, igual ela, não teria tomado as mesmas proporções. Acredito que esse tenha sido o enfoque da matéria. Infelizmente 😦

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  5. Jonata Dos Santos

    – Gabriela: *faz uma brincadeira*
    – cara aleatório: *responde com outra brincadeira*
    – Gabriela: TODOS HOMENS SÃO LIXOS, QUEM NÃO É, É EXCESSÃO.
    – Razer: Não renovarei o contrato
    – Capricho: “Empresas de games continuam errando e estimulando a misoginia e o machismo”.

    Só eu acho esse título e a defesa dessa ação da Grabriela ridículo?

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  6. xerox homer4

    Mais um site que não tem o meu respeito por ser tao mentiroso e querer empurrar isso guela abaixo nas pessoas, não somos trouxas, não nos trate como!

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