As diferentes formas de arte podem ser uma luz nos momentos difíceis

No Festival Amarelo, oficinas mostraram como se expressar através da arte é uma maneira de cuidar da sua saúde mental

Por Amanda Oliveira - Atualizado em 10 set 2019, 20h36 - Publicado em 10 set 2019, 11h00

Seja através da dança, música, poesia, desenho ou grafite, a arte é bem-vinda em todos os momentos da vida. É uma presença essencial para as fases de felicidade e celebração, mas ainda mais necessária nos dias difíceis. Sabe quando tudo parece um pouco perdido e você sente que precisa se reencontrar de alguma forma? Durante esse período, a arte pode ser uma grande e importante aliada que vai tornar o caminho mais fácil, iluminado e leve.

Oficina de grafite Marco Torelli/Divulgação

Foi seguindo essa premissa que o Festival Amarelo, uma experiência sobre promoção de saúde mental, reuniu diversas oficinas pensadas para jovens para ensiná-los a se expressar da forma que eles mais se identificarem, em prol da campanha #SetembroAmarelo de prevenção ao suicídio. Além disso, o evento também contou com a presença de voluntários do CVV (Centro de Valorização da Vida) para uma conversa sobre escuta e acolhimento na oficina “Escutar é uma Arte”.

Quando a gente fala sobre se expressar, uma das formas de arte mais lembradas é a poesia. Na oficina poética do André Gravatá, os jovens aprenderam que a poesia pode estar presente de diferentes maneiras: desde um texto de Clarice Lispector até um rap do Racionais MC’s, por exemplo. “Poesia tem a ver com liberdade (…) É muito raro, hoje em dia, a gente ter momentos em que a gente realmente se escuta. Não é uma linguagem que vai curar uma pessoa, mas a poesia pode, sim, fazer a gente se descobrir, descobrir o mundo, fazer a gente olhar as coisas e escutar as palavras de um outro jeito, se alargar e abrir espaço para o ar passar, para ventania encontrar caminhos”, diz o poeta André.

Oficina de poesia Marco Torelli/Divulgação

Poesia também foi trabalhada na oficina “Viagem ao corpo do Poema”, ministrada por Natasha Felix, que teve a prática da escrita como foco total da atividade. “Eu dei três propostas de escrita para eles. Pegar um bicho que eles têm medo, não falar o nome do bicho e escrever um poema a partir disso. Ou eles pegam um livro da caixinha que eu trouxe, escolhem um verso e, a partir desse verso, fazem um poema. E a terceira opção é pedir para alguém do lado uma palavra e, com essa palavra, fazer o poema”, explica.

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Mas, para quem não se identifica tanto com a poesia, também existem outras formas de criar e contar histórias. Uma delas que chamou muita atenção dos jovens que são fãs de super-heróis como os do universo da DC e da Marvel foi tema da oficina ministrada por Fábio Yabu: roteiro de quadrinhos! “Eu tento falar da importância de você dar sua história para o mundo, tirar aquilo de dentro de você e criar uma obra que as pessoas vão ler e interagir”, conta o quadrinista. Para ele, a arte é um dos pilares da saúde mental e deveria estar mais presente na vida das pessoas. “A gente sabe as coisas horríveis que acontecem quando as pessoas começam a guardar coisas demais, sentimentos negativos ou até mesmo positivos, quando a pessoa não consegue colocar para fora”, afirma.

Na oficina de grafite, ministrada pelo artista Fagner Medeiros de Lima, a arte é trabalhada como forma de inclusão no coletivo em prol da saúde mental. “A gente tenta diminuir a questão do bullying na escola porque se o aluno está ali, no coletivo, quando chegar alguém com alguma dificuldade na escola dele, ele já vai entender e não vai ter aquelas brincadeiras sem graça. A ideia que a gente usa no grafite é fazer o coletivo, é fazer a junção dessa galera“, diz.

Seguindo uma linha de arte de rua parecida com o grafite, o Festival Amarelo também contou com a presença da oficina de Bazuca Poética, do coletivo Transverso. Na atividade, os jovens usam um projetor analógico portátil criado pelo coletivo para fazer intervenções luminosas em espaço público. “Os alunos são incentivados a criar poemas que eles gostariam de ver na rua, a partir de provocações como ‘o que você acha que falta dizer pra rua?’, ‘o que você gostaria que tivesse na rua?’ e ‘o que sobra e o que falta?’. E a partir de uma reflexão sobre a vida deles e sobre os ditados populares, o que eles gostariam de inserir nesse espaço que é compartilhado”, conta Cauê Maia.

Oficina Bazuca Poética Marco Torelli/Divulgação

Outras formas de arte que também estão presentes no cotidiano de praticamente todas as pessoas são a música e a dança. É bastante difícil achar alguém que não gosta de nenhuma dessas duas atividades, não é? Apesar disso, o que pouca gente sabe é que elas também são muito eficientes no cuidado da saúde mental. “A gente faz um trabalho com as artes, principalmente a dança, de autoestima, de celebração do corpo, celebração da vida. A gente tem um recorte bem específico que são os corpos negros, da periferia”, explica Alan Costa, integrante do Afrobapho, coletivo de dança de Salvador.

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Cheios de animação e muito rebolado, os meninos do Afrobapho ensinaram coreografias aos jovens do Festival Amarelo. “A gente está trazendo uma linguagem do que a gente vive no dia a dia, que é justamente mostrar a nossa expressão corporal como algo normal, algo bonito, algo incrível. E nada melhor do que a música e a dança para deixar a autoestima lá em cima!”, completa.

Oficina de dança Marco Torelli/Divulgação

Uma experiência única sobre promoção de saúde mental, o Festival Amarelo, promovido pelo Instagram, aconteceu no dia 8 de setembro e teve o apoio da CAPRICHO. Se você precisa de apoio emocional, entre em contato com o serviço gratuito de prevenção do suicídio CVV, o Centro de Valorização da Vida, através do telefone 188 ou do site www.cvv.org.br.

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