13 palavras e expressões da língua portuguesa para não usar mais

"Da cor do pecado", "denegrir", "criado-mudo", "inveja branca" e "mal-amada" nunca mais; confira a lista completa!

Por Isabella Otto - Atualizado em 5 Maio 2020, 18h30 - Publicado em 5 Maio 2020, 15h50
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CAPRICHO/Divulgação

A língua portuguesa é o 5º idioma mais falado no mundo e possui uma sonoridade muito característica. É bastante comum ouvir gringos dizendo que os brasileiros parecem falar cantando, porque ela é mesmo bem ritmada. Prova disso são os poemas escritos em português, de Carlos Drummond de Andrade a Cecília Meireles, passando por Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Chico Buarque… São muitos os nomes de destaque e muitas as palavras e expressões brilhantes. Outras, contudo, inclusive usadas por muitos desses poetas, devem hoje ser evitadas a todo custo, pois são heranças de uma sociedade machista e racista.

Abaixo, você encontra uma lista com estes termos que devem ser evitados e ser substituídos, porque não há mais liberdade poética que os justifiquem:

1. Mal-amada
Dá a entender que uma mulher é feliz, plena e de bem com a vida se está tendo relações sexuais. O prazer feminino pode ser encontrado de inúmeras formas e nenhuma mulher depende de uma aprovação alheia para se sentir completa.

2. Língua materna
Apesar de bastante comum e aceita inclusive no meio acadêmico, a expressão reforça o papel da mulher perante a sociedade patriarcal: o de ser a responsável pelo cuidado da casa e dos filhos, enquanto o pai é o provedor que trabalha na rua. É um dos termos menos problemáticos da lista, mas vale a reflexão.

3. Mulata
O substantivo vem de “mula”, animal derivado do cruzamento de um burro com uma égua. Era como as filhas bastardas de homens brancos, geralmente Senhores do Engenho, com mulheres negras, geralmente escravas, eram chamadas. Sobretudo, é um termo racista.

 

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4. Doméstica
A palavra, usada hoje para retratar secretárias do lar, vem do termo “domesticado”, que é tudo aquilo que o homem pode domesticar, incluindo animais. Surgiu em meados do século XVI, da necessidade de patrões brancos encontrarem um termo para classificar as escravas negras que trabalham para eles e eram domesticadas através da tortura.

5. Denegrir
Segundo o dicionário Michaelis, a definição de denegrir é ficar ou fazer ficar escuro, ou manchar a reputação. O termo é ofensivo porque atribui um caráter negativo a algo que seja negro. Você pode substituí-la por sinônimos como difamar ou caluniar.

6. Da cor do pecado
A expressão é usada erroneamente como elogio, principalmente por pessoas brancas. O termo propaga a ideia da época da escravidão de que o corpo negro é sensual e sexualizado, e atribui essa cor de pele a algo pecaminoso (pois eram com as escravas que os Senhores de Engenho se divertiam na cama; mulher negra serve para diversão, só para o Carnaval).

7. Serviço de preto
A expressão é utilizada com a intenção de diminuir uma atividade realizada e é preconceituosa por desqualificar o trabalho e a competência de pessoas negras.

8. Inveja branca
A expressão é associada a uma inveja boa, que não deseja o mal, reforçando a ideia da cor branca como positiva e da preta como negativa.

9. Criado-mudo
O termo usado para nomear o móvel que fica ao lado da cama surgiu de uma das tarefas que os escravos eram obrigados a realizar: segurar objetos para os seus senhores. Por serem proibidos de falar e conversar, eram chamados de mudos. Substitua urgentemente por mesinha de cabeceira.

10. Samba do crioulo doido
O Samba do Crioulo Doido, escrito pelo compositor Sérgio Porto, conhecido por Stanislaw Ponte Preta, na época da Ditadura, é um clássico da música popular brasileira. Apesar de histórica, a canção eternizou uma expressão que é racista por não só estereotipar os negros, como descriminá-los. Troque ela por palavras como “estardalhaço”, “alvoroço”, etc.

11. Ovelha negra
Não precisa parar de escutar um dos muitos hinos de Rita Lee, mas é preciso admitir que esta problematização é conveniente. Afinal, há uma série de expressões aliadas à palavra negra/negro que se tornam pejorativas e representam muitas vezes algo ilegal: ovelha negra, lista negra, mercado negro, magia negra, etc. Fuja delas.

12. Pé na cozinha
Durante a escravidão, as mulheres negras que trabalham dentro da Casa Grande podiam ficar apenas na cozinha, sendo proibida a circulação delas por outros cômodos. Foi daí que surgiu essa expressão: da privação da liberdade de escravas e da segregação de mulheres negras. Não quer dizer que você é o mestre-cuca do rolê. Cuidado!

13. A coisa está preta
Quer dizer que a coisa está ruim, perigosa, complicada – porque, afinal, está preta, e nada que é preto pode ser bom. É uma expressão racista para nunca mais usar.

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