Moradia, bolsa e comida: O que estudantes da USP querem com greve
Eles estão reivindicando melhorias na permanência estudantil, ou seja, das condições necessárias para que jovens consigam permanecer na universidade.
Por Andréa Martinelli 11 Maio 2026, 19h49 | Atualizado em 11 Maio 2026, 19h50
-
- Ei, a USP está em efervescência!
- Estudantes da USP, Unicamp e Unesp estão em greve, focando na permanência estudantil.
- Eles pedem mais bolsas, reformas no CRUSP e RU.
- O movimento teve ocupação na reitoria e enfrentamento com a PM, que agiu com violência.
- Uma pauta importante para entender.
-
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
imagem da Universidade de São Paulo (USP), costuma aparecer ligada à excelência acadêmica, pesquisa de ponta e prestígio, né? Se você, leitor e leitora de CAPRICHO, não entrou ainda na universidade e irá prestar vestibular esse ano, sabe também que ele é um dos mais concorridos e mesmo que você não queira estudar lá, prestar a “Fuvest” é uma obrigação.
Na última semana, a universidade voltou a ser notícia, mas não por motivos apenas acadêmicos: estudantes entraram em greve para reivindicar seus direitos e lançar luz para um outro lado da vida universitária que pouco se fala: o das dificuldades para continuar estudando mesmo depois de conquistar uma vaga na maior universidade pública do país.
Mais de 100 cursos estão paralisados, incluindo os da Faculdade de Medicina da USP, e estudantes estão reivindicando melhorias na permanência estudantil, ou seja, das condições necessárias para que jovens consigam permanecer na universidade sem abandonar o curso por questões financeiras, emocionais ou estruturais.
Para isso, segundo eles, é necessário
- aumento de bolsas (PAPFE) para o valor de um salário mínimo;
- reformas nas moradias (CRUSP);
- ampliação do restaurante universitário;
- precarização estrutural da universidade.
A última vez que os estudantes tinham entrado em greve foi em 2023. Na ocasião, eles reivindicavam a contratação de professores e nós te contamos como foi essa história (se você não lembra, clique aqui). Desta vez, as universidades Unicamp e Unesp também se juntaram à greve.
Falta de recursos e estrutura
O tema ganhou força nos últimos anos porque o perfil da universidade pública mudou. Com a ampliação das políticas de inclusão social e racial, mais estudantes de baixa renda passaram a acessar o ensino superior. Ao mesmo tempo, cresceu a pressão sobre programas de assistência estudantil.
Na USP, o principal programa voltado a esse suporte é o PAPFE, o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. Segundo dados oficiais e mais recentes da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, o edital de 2026 previa inicialmente a concessão de 2.500 auxílios permanência. Após recursos e ampliações, a universidade informou ter atendido 3.764 estudantes nas diferentes modalidades de benefício.
Uma das estruturas mais simbólicas desse debate é o CRUSP, o Conjunto Residencial da USP, localizado dentro da Cidade Universitária, em São Paulo. O espaço oferece moradia gratuita para estudantes selecionados a partir de critérios socioeconômicos. Atualmente, o conjunto possui cerca de 1.600 vagas. A disputa por essas vagas ajuda a explicar por que moradia se tornou um dos temas centrais das mobilizações estudantis.
Além da moradia, alimentação também pesa na rotina universitária. Nos restaurantes universitários da USP, conhecidos como “bandejões”, estudantes pagam atualmente R$ 2 pelas refeições principais e R$ 0,50 no café da manhã. Alunos contemplados pelos programas de permanência podem receber gratuidade.
Ocupação, protestos nas ruas e violência da PM
No último final de semana e na tarde desta segunda-feira (11), estudantes ocuparam a reitoria da universidade e foram às ruas reivindicar seus direitos. Mas não foram movimentos tranquilos.
Na madrugada do último domingo (10), a PM realizou uma operação para expulsar os estudantes do saguão da reitoria da USP, que estava ocupado havia três dias. Policiais entraram no edifício localizado na zona oeste de São Paulo com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. Quatro alunos foram detidos.
A USP afirmou não ter sido avisada sobre a operação da PM e repudiou o ato.
Já em outro momento, em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Educação, na República, no Centro de São Paulo, a Polícia Militar utilizou bomba de gás para dispersar os manifestantes. Os vereadores do União Brasil Rubinho Nunes e Adrilles Jorge compareceram ao ato e discutiram com os estudantes.
“Não estamos pedindo mais que o mínimo para estudar. Violentos de fato são aqueles que transformaram a Reitoria da USP numa câmara de gás e que insistem e nos manter em péssimas condições de estudo”, diz postagem dos diretório acadêmico nas redes sociais.
Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá este conteúdo por email em breve.





