Maioria dos homens da Gen Z se sente ameaçado com avanços das mulheres
Pesquisa mostra que, para 57%, os esforços para promover equidade foram "longe demais".

os últimos dez anos, a discussão sobre direitos das meninas e mulheres evoluiu de modo geral em sociedade, mas, em contrapartida, ainda concentramos dados alarmantes sobre feminicídio e desigualdade no mercado de trabalho, por exemplo, e há o entendimento coletivo de que ainda é preciso evoluir. Só que ele não é compartilhado por todos, viu?
Segundo uma pesquisa da Ipsos – um instituto de pesquisa super importante no Brasil e no mundo – os avanços que tivemos em todo o mundo sobre o tema não é bem visto pela maioria dos homens jovens, que pertencem à geração Z.
Mais da metade (57%) dos homens da Geração Z – entre 18 e 28 anos – sentem que os esforços para promover a igualdade entre homens e mulheres foram tão longe que agora os homens estão enfrentando discriminação; 36% das mulheres da Geração Z que compartilham a mesma opinião.
“Essas percepções revelam que, apesar dos avanços, ainda há desafios significativos a serem enfrentados na busca por uma verdadeira igualdade de gênero, especialmente entre as gerações mais jovens”, afirma Priscilla Branco, gerente sênior de Reputação Corporativa e Opinião Pública da Ipsos no Brasil.
A pesquisa “Dia Internacional das Mulheres 2025” foi realizada pela Ipsos, em parceria com o Kings’ College de Londres, entre os dias 20 de dezembro de 2024 e 3 de janeiro de 2025. Foram entrevistadas 23.765 pessoas on-line, sendo aproximadamente 1.000 no Brasil, com idades entre 16 e 74 anos. Globalmente, responderam a esta pesquisa 4.861 adultos on-line da Geração Z com idade entre 18 e 28 anos, incluindo 2.243 homens e 2.618 mulheres. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.
“A diferença de opinião entre homens e mulheres da Geração Z destaca a necessidade de continuar promovendo o diálogo e a educação sobre questões de gênero para construir uma sociedade mais equitativa e compreensiva”, complementa. O estudo foi realizado em 30 países, incluindo o Brasil, e contou com a parceria do King’s Collage, em Londres, no Reino Unido.
E as redes sociais têm um papel importante em como essa percepção é construída. O estudo aponta que ela é a principal fonte de notícias para a galera mais jovem, com 70% das mulheres e 62% dos homens recorrendo a essas plataformas para se informar.
Mas e no Brasil, CAPRICHO?
Olhando para os dados referentes apenas ao Brasil, o estudo informa que 15% dos homens jovens e 17% dos homens mais velhos afirmam que o movimento de busca por direitos iguais nas últimas décadas trouxe um impacto negativo.
A mesma pergunta feita entre as mulheres apontou que 14% entre as mais velhas e 12% entre as mais jovens acreditam que o movimento também foi negativo.
De modo geral, quando analisada, a percepção dos entrevistados sobre existência de uma “tensão” entre os gêneros é particularmente acentuada também entre os membros da Geração Z.
59% reconhecem que essa tensão existe, em comparação com a taxa menor de 40% da geração mais velha, os chamados Baby Boomers (pessoas nascidas entre 1946 e 1964, que contemplam, por exemplo, seus pais, tios e avós).
No Brasil, é possível notar números ainda mais acentuados nesta percepção, viu? 67% dos entrevistados no país concordam que há maior tensão entre os gêneros hoje. E se olharmos para o recorte de idade, 72% entre os brasileiros da Geração Z notam também a mesma questão.
A tendência mais conservadora entre pessoas nascidas entre 1995 e 2006 também está presente com relação ao cuidado parental. Homens dessa geração demonstram uma tendência maior a acreditar que quem opta por ficar em casa cuidando dos filhos é “menos homem”.
Essa crença, porém, diminui com a maturidade, com apenas 12% dos Baby Boomers concordando com essa afirmação, em comparação com 28% da Geração Z. A diferença de percepção entre gêneros também é maior entre os da Geração Z (28% homens contra 19% mulheres).
No caso do Brasil, a crença de que um homem que fica em casa para cuidar dos filhos é “menos homem” é compartilhada por 17% dos entrevistados. Apesar desta visão, 41% dos entrevistados brasileiros acreditam que a licença parental após nascimento dos filhos deveria ser dada a ambos os genitores.
Mas, em contrapartida…
Em um panorama mundial, a pesquisa mostra que 56% das pessoas – homens e mulheres – acreditam que as iniciativas para promover a igualdade de direitos para as mulheres nas últimas décadas tiveram um impacto positivo nas jovens mulheres de hoje.
E, no Brasil, essa percepção é ainda mais forte: 61% dos entrevistados reconhecem seu impacto positivo.