Esta marca fortalece a irmandade feminina no skate através da moda

Com roupas descoladas e muita atitude, a OLS quer apoiar e encorajar meninas nas pistas

Por Sofia Duarte 16 mar 2022, 14h03

Duas irmãs decidiram juntar seus sonhos pessoais, o de ser estilista de seu próprio negócio e o de se tornar empreendedora, com a paixão pelo skate em um lugar só: uma marca feminina e descolada com roupas para skatistas e simpatizantes. A OLS Skate Girls nasceu em 2017, do Trabalho de Conclusão de Curso de Adriane Oliveira, formada em design de moda, e do apoio de sua irmã, Polyne Oliveira, que fez faculdade de administração. Em entrevista à CAPRICHO, elas lembram a trajetória da marca e explicam o objetivo de criar um espaço confortável e acolhedor para meninas no skate.

As três mulheres por trás da marca OLS Skate Girls
As três mulheres por trás da marca OLS Skate Girls OLS/Divulgação

A princípio, não sabiam que o resultado da parceria entre as duas seria uma etiqueta voltada para o mercado do skate. Foi depois de muito estudo de público-alvo que tiveram essa ideia, além de terem percebido uma falha nesse nicho e o esporte ser uma atividade que as unia como irmãs. “A gente fazia aula de skate juntas. Era uma coisa nossa que toda semana a gente ia e era uma troca muito de irmãs”, lembra Adriane. “Estávamos no mesmo nível e dava pra gente se ajudar. E era um espaço que ninguém estava olhando, não tínhamos que provar nada pra ninguém. Era libertador”, completa Polyne.

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“Quando começamos a entender, pensamos ‘Olha que bizarro: se a gente for ver, as marcas de skate hoje que fazem roupas para mulheres pegam as versões masculinas e aplicam nas femininas’. E se a gente juntar esse universo do skate para incentivarmos as meninas a andarem na pista através da moda?“, afirma Polyne.

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Por conta do TCC, elas já tinham algumas peças prontas e iam andar de skate com elas para ouvir a opinião de outras meninas. “Eu ouvi o feedback delas e eu usava as roupas para andar de skate, então sabia o que funcionava ou não”, conta Adriane, que acrescenta que houve uma pesquisa com cem skatistas mulheres para entender o que elas queriam usar na pista. “E as meninas começaram a perguntar ‘Da onde é a roupa? Eu quero!’, aí tivemos a confirmação de que estávamos no caminho certo.”

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Mas, no começo, fora os perrengues de criar uma marca do zero, não foi todo mundo que acreditou na marca, viu? As irmãs contam que, na avaliação do trabalho na faculdade de moda, uma professora disse: “Skatista não usa isso”. Eis que Adriane respondeu: “Exato! Eu sou o novo. Você está olhando para o passado”.

“Até o nosso logo, que é uma boquinha, falaram que era muito sexy. Eu falei: ‘Qual o problema de ser sexy?’ Era sexy na pegada rock n’ roll. Quer dizer que eu não posso ser radical e sexy ao mesmo tempo? Eu não posso usar rosa e andar de skate?“, recorda Adriane.

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“Por isso, você precisa ter certeza absoluta de que é isso que você quer fazer e, depois, tem que estudar para ter conhecimento e ter persistência”, aconselha Polyne. “A OLS foi um amadurecimento não só da empresa, mas também pessoal. Ter um negócio é uma responsabilidade surreal. Se você não fizer, ninguém vai fazer por você”, acrescenta Adriane.

A marca já teve coleções fixas e reposições de peças, mas hoje também trabalha com os famosos “drops” ou coleções-cápsulas. A intenção é criar uma identidade e vestir a garota OLS para além da pista de skate, e uma prova disso foi a coleção sob demanda, que teve top e luvas de tule, além de uma saia de pelinhos. “Pensamos: ‘Por que a gente não pode vestir essa menina fora da pista?’ A gente está falando da ‘sista’ [como chamam as clientes], não da garota skatista apenas.”

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O nome OLS surgiu da combinação do sobrenome da parte feminina da família, as duas irmãs e a mãe. “Já tem negócio na família, e o nome que prospera nele é o masculino. Foi quando a gente decidiu reunir nós três para deixar o nosso legado feminino no mundo. Daí surgiu também o nosso logo: seguimos, sobre rodas, desconstruindo estatísticas e compartilhando histórias“, explicam.

Sobre o futuro, elas garantem que têm muitos planos. “Existem dois pilares que ainda queremos atingir. Um é a parte do lifestyle, de proporcionar vivências para as meninas de irmandade na pista, e o outro é o suporte para quem quer ser atleta.” Além disso, podemos esperar um shape próprio da OLS ainda neste ano. Eba! E, mais pra frente, o sonho é uma loja com pista de skate – e uma pista rosa! “Queremos criar um espaço que encoraje as meninas a serem quem elas são e que elas se sintam confortáveis para viver ali dentro. Para trocar ideia ou andar de skate.”

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“A gente quer mostrar que a pista também é das meninas, que elas podem tentar e que tudo tem um começo. E nem sempre o começo é tão bonito e estiloso, mas, com o tempo, você vai aperfeiçoando. Importa muito mais as vezes que você se levantou do que as vezes que você caiu. E a gente traz essa vivência do skate para a marca também. Teve um casaquinho que eu errei, que não rolou para quem tinha busto maior, e eu escutei a cliente, entendi a dor dela e falei que no próximo iria acertar”, conta Adriane.

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“A OLS alcança muito a menina iniciante e comunicamos para ela que vai ser difícil, você vai cair, vai ser feio, mas continua, continua e continua”, completa. “O nosso propósito como marca vai muito além de usar roupas nossas, tem a ver com apoiar e encorajar meninas a andarem de skate“, finaliza Polyne.

Gostou de conhecer essa marca incrível feita por mulheres para mulheres? <3

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