Catarina Mina explora o vínculo do sertão com a chuva e a transformação da caatinga
Coleção 'Bonito pra Chover' preserva técnica em risco de extinção e demonstra a força do saber artesanal em desfile do São Paulo Fashion Week N61
uando o céu do sertão anuncia a tempestade, o cenário não traz melancolia, mas esperança. É nesse momento que os locais festejam sob a expressão ‘Tá bonito pra chover’, que, muito além de uma simples previsão meteorológica, é uma maneira de reconhecer os sinais da natureza. A partir disso, Catarina Mina, apresentou na última quinta-feira (15), durante a 61ª edição do São Paulo Fashion Week, um desfile inspirado na relação íntima entre o sertão e a chuva.
Assim como a chuva que renova o sertão, a marca, originária do Ceará, celebra o crescimento e a abertura de caminhos com sua nova coleção. A etiqueta consolida sua expansão para além das fronteiras do estado ao resgatar grupos artesanais que preservam saberes locais, chegando ao Piauí e expandindo sua presença no Rio Grande do Norte.
“Estamos trabalhando com nove tipologias artesanais, sendo que duas nunca tínhamos trabalhado, a rede de travessa e a renda de tramóia. Esta segunda estava quase se extinguindo na região, e agora volta a partir do pensamento de pesquisadores, de prefeituras e de designers que, juntos, estão criando peças”, revela Celina Hissa em entrevista à CAPRICHO, nos bastidores do evento.
Além das novidades, a tradicional renda de bilro do Trairi, no Ceará, presente desde a estreia da marca no SPFW, ganha recortes geométricos que remetem aos veios desenhados pela chuva sobre a terra, ramificando-se como afluentes antes de encontrar o rio.
Já o crochê, vindo de Itaitinga, no Ceará, e de Caicó e Acari, no Rio Grande do Norte, mistura tons de azul e off-white, bronze e vermelho, tanto nas roupas quanto nas bolsas.
Ao colocar o trabalho manual e o artesanato no centro da coleção, a diretora criativa da marca propõe uma reflexão sobre a continuidade desses saberes e o papel de quem os preserva.
“É para pensarmos como é que a moda e como a gente pode articular esses saberes e manter vivo o fazer artesanal, sempre lembrando que, mais importante que o artesanato, só a artesã”, conclui Celina Hissa.
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