Vinicius Teixeira, o Vandílson, de ‘Três Graças’, é o anti-herói da novela

Entre a traição a Bagdá, o cabelo platinado, bastidores caóticos e o perfume do Cebolinha, o ator destrincha o anti-herói de Três Graças.

Por Arthur Ferreira 12 fev 2026, 09h00 • Atualizado em 12 fev 2026, 10h45
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le chegou como braço-direito fiel, virou “bandivo”, depois traidor, e, de quebra, foi comparado ao Coringa da Chacrinha. Se isso não é personagem icônico de novela das nove, a gente não sabe o que é. Em Três Graças, Vinicius Teixeira construiu Vandílson como um anti-herói carismático, ambicioso e cada vez mais perigoso — e o público não só percebeu como abraçou o caos.

Nos capítulos recentes, o “bandivo” chocou o Brasil ao atirar em Bagdá (Xamã) durante um confronto policial. A bala não matou o chefe da facção, mas mudou tudo: Vandílson passou de aliado a principal suspeito, Alemão (Lucas Righi) começou a confrontá-lo e o personagem passou a viver numa corda bamba entre manter a pose de fiel e esconder a própria traição.

Em entrevista à CAPRICHO, Vinicius confessou que quando recebeu a cena do atentado também foi pego de surpresa, mas já vinha plantando esse desvio de caráter em cena. “Desde o início já tinham umas pinceladas de que o Vandílson poderia trair Bagdá. Era mais desejo do que plano. Ainda tinha uma coisa muito submissa nele”, diz o ator.

“Quando as cenas começaram a mostrar essa hierarquia de forma agressiva, eu fui alimentando essa raiva. A gente também escolhe a novela que faz pelo que planta em cena — e eu fui plantando essa tensão.”

Sobre a tentativa de assassinato, ele é direto: “Quando a cena veio, eu fiquei chocado. Ele tenta matar o chefe! Mas achei genial, porque Bagdá estava indo para um caminho mais sensível e o Vandílson assumiu o papel de vilão da Chacrinha. A galera começou a dizer que ele ‘coringou’… e eu tô me divertindo com isso.”

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O fenômeno “bandivo”

Nas redes, Vandílson e Alemão viraram os “bandivos” — mistura de bandido com divo — e o próprio Vinicius admite que não esperava tamanha repercussão. Vinicius celebra essa repercussão e reconhece que a novela muda completamente a relação do ator com quem assiste.

“A novela chega muito rápido nas pessoas. Você grava e, em uma semana, já tá todo mundo comentando. Eu venho do teatro e do cinema, então esse retorno imediato é muito diferente.” Para ele, o sucesso do núcleo não é só roteiro — é química real entre os atores. “Eu, o Lucas e o Xamã somos parceirões. A gente cria junto, inventa caco, discute cena… isso dá vida ao núcleo e acho que aproxima o público.”

Essa cumplicidade rende momentos caóticos e hilários nos bastidores. “A gente ri demais. Teve uma cena em que estávamos com uma mala de dinheiro atrás do Bagdá. Eu brinquei com o Lucas: ‘Esse dinheiro vai ser meu!’. Ele me deu uma batida com o maço no rosto… fez um ‘pock’ alto e quase perdemos tudo de rir com a câmera colada na gente.”

Cabelo platinado, tatuagens e perfume do Cebolinha

Visualmente, Vandílson também é um personagem pensado nos mínimos detalhes. O cabelo descolorido e as tatuagens fazem parte da estética que entrega bastante da personalidade. “O cabelo comunica ousadia. Não é estereótipo, é presença. Ele quer ser visto, quer marcar território.”

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Vinicius conta que a manutenção é trabalhosa, mas necessária: “Dá trabalho, porque cresce rápido e eu pinto quase toda semana. Mas vale a pena pelo personagem.”

Na preparação, ele mergulhou fundo no universo periférico: leu Ferréz, MV Bill, Paulo Lins, ouviu Racionais e Sabotage e consumiu horas do podcast Mano a Mano. “Tem um episódio com Erika Hilton que me marcou muito. Eu escutava Sabotage direto na preparação — tanto que decorei várias faixas.”

Carioca, ele passou um mês gravando na Brasilândia para captar o sotaque e evitar caricatura. “O que ajudou foi estar lá, conversando com as pessoas, ouvindo histórias, pegando gírias. Isso muda tudo.”

Mas talvez o detalhe mais curioso da composição seja o perfume do personagem. “Eu escolhi o perfume do Cebolinha. É contraditório como ele: duro, mas com uma inocência meio infantil. É tipo um menino querendo ser homem grande.”

Agora, com Vandílson cada vez mais vilão, o próprio ator admite que essa escolha poderia mudar: “Talvez agora, nessa fase mais vilã, ele até trocasse de perfume…”

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Fanfic oficial de Vinicius para Vandílson

Se pudesse escrever uma trama paralela, Vinicius deixaria o caos ainda maior. Ele imagina romance, rivalidade e poder absoluto. “Eu queria que o Vandílson tivesse um casinho. Pensei na Kellen, mas já não dá… aí a Gabi [Loran] falou da Arminda indo pra Chacrinha — e eu amei a ideia”, disse. “Também imagino ele indo atrás da Lucélia só por rivalidade com Bagdá.”

E o delírio máximo: “Imagino ele tomando o morro de vez e virando um chefe sem limites, gerando conflito dentro da própria comunidade.”

Quem é Vinicius Teixeira fora da Chacrinha

Com 15 anos de carreira, Vinicius vem do teatro, já fez mais de 20 peças e ganhou o Prêmio Aplauso Brasil por Gabriela. No cinema, protagonizou O Melhor Amigo e tem dois filmes a caminho: Ruas da Glória (estreia prevista para abril) e Corpo Clandestino, que deve circular por festivais. No teatro, ele pretende retomar o solo Selva: Solidão assim que Três Graças terminar.

Mesmo vivendo um vilão eletrizante na TV, sua visão sobre atuação segue sensível e política. “Quero continuar fazendo personagens que provoquem reflexão. A arte é meu jeito de dialogar com o mundo.”

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Não preciso apagar quem eu sou para fazer um personagem. Eu me entrego a ele, mas levo comigo minhas referências e minhas experiências. Vandílson me transformou também.

Vinicius Teixeira

 

Se Vandílson vai cair, reinar ou mergulhar a Chacrinha no caos total? Ainda é mistério. Mas uma coisa já está clara: o “bandivo” entrou para a galeria dos personagens marcantes da novela das nove e Vinicius Teixeira provou que sabe jogar pesado.

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