Dove Cameron sobre depressão: “Meu ódio por mim mesma é constante”

A atriz a cantora também disse que se sente presa a sua imagem e tem receio de compartilhar esse tipo de conteúdo

Por Vitória Macedo Atualizado em 21 set 2020, 17h29 - Publicado em 21 set 2020, 14h30
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Divulgação/CAPRICHO

Para quem acha que aqueles artistas que gostamos e que, aparentemente, levam uma vida perfeita não sofrem problemas, saiba quem não é bem por aí. A luta contra a depressão não é fácil e pode ser enfrentada por muita gente, inclusive aquelas que esbanjam sorrisos em suas redes sociais. 

A atriz e cantora Dove Cameron compartilhou com seus fãs um texto importante em que ela se abre sobre ter depressão e como em alguns momentos ela chega a se odiar. Dove, com essa mensagem, quis mostrar que as pessoas não estão sozinhas e que é necessário procurar ajuda.

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    there’s something inherently dishonest feeling about photographing sad moments because we are trained to think that its performative, but in an age where we photograph everything, all the time, and only ever show the things that make us look like we are living the ideal life, where does that leave us? what is most honest? the psychological implications of dismissing pain and suffering as “not worthy, too ugly, unwanted, boring, to be kept away” is unbelievably damaging and has left us in a dangerous communication with our brain, our private selves. i have struggled with depression for more than half my life. my anxiety is unmanageable and never gives me a moment of rest. my trauma runs me and everything i do, and i am in a constant battle to not lose myself to it. my self hatred runs deep. i feel so disconnected from humans and the true parts of myself that most days i am going through the motions of what i know other people want me to be and do and i don’t even feel like i’m living a life. i think everybody that i love is going to die at all times because too many people have. my body is in a constant state of pain under the stress. i think that if i had less of a following i would be more comfortable sharing this. the bigger my following gets, the more trapped i feel in my image and the quieter my reality gets. i know people don’t want to hear about this stuff. it’s not nice and it’s uncomfortable. maybe this is a selfish impulse in me. but every public aspect of my life has begun to feel performative and i need to alleviate myself from that. i haven’t been ok for a long time. i have faith that i will be. i work at that daily. if you don’t give a single fuck about this or me, that is fine because this isn’t for anyone but me, really. but if this helps you feel less alone in your depression, trauma, anxiety, pain, or loneliness, i’m grateful. i hope that i can begin to love these parts of me instead of compulsively hiding them away out of self hatred and judgment and because i’m secretly afraid that i don’t belong here and i need to break my back to earn my place because the things in me are ugly. creating space for myself and a life that works for me

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    Confira a tradução livre do texto:

    “Há algo inerentemente desonesto em fotografar momentos tristes porque somos treinados a pensar que é performativo, mas em uma era onde fotografamos tudo, o tempo todo, e só mostramos as coisas que nos fazem parecer que estamos vivendo a vida ideal, onde isso nos deixa? O que é mais honesto? As implicações psicológicas de descartar a dor e o sofrimento como ‘não é digno, muito feio, indesejado, chato, para ser mantido afastado’ é inacreditavelmente e incrivelmente prejudicial e nos deixou em uma comunicação perigosa com nosso cérebro, nosso eu privado.

    Eu lutei contra a depressão por mais de metade da minha vida. Minha ansiedade é incontrolável e nunca me dá um momento de descanso. Meu trauma me persegue e tudo o que eu faço, e eu estou em uma batalha constante para não me perder nisso. Meu ódio por mim mesmo é profundo. Eu me sinto tão desconectada dos humanos e das verdadeiras partes de mim mesma, que na maioria dos dias eu estou passando pelos movimentos do que sei que outras pessoas querem que eu seja e faça e nem mesmo sinto que estou vivendo uma vida. Acho que todo mundo que eu amo vai morrer o tempo todo porque muitas pessoas morreram. Meu corpo está em constante estado de dor devido ao estresse.

    Acho que se eu tivesse menos seguidores, ficaria mais confortável em compartilhar isso. Quanto maior fica o meu número de seguidores, mais eu me sinto presa a minha imagem e mais silenciosa fica a minha realidade. Eu sei que as pessoas não querem ouvir sobre essas coisas. não é bom e é desconfortável. Talvez seja um impulso egoísta em mim. Mas todos os aspectos públicos da minha vida começaram a parecer performativos e preciso me livrar disso. Eu não estou bem há muito tempo. Eu tenho fé que eu estarei. Eu trabalho nisso diariamente.

    Se você não dá a mínima para isso ou para mim, tudo bem, porque isso não é para ninguém além de mim, na verdade. Mas se isso ajuda você a se sentir menos sozinho em sua depressão, trauma, ansiedade, dor ou solidão, agradeço. Espero poder começar a amar essas partes de mim em vez de escondê-las compulsivamente do ódio e do julgamento de mim mesmo e porque secretamente tenho medo de não pertencer a este lugar e preciso quebrar minhas costas para ganhar meu lugar porque as coisas em mim são feias.

    Criando espaço para mim e uma vida que funcione para mim”

    A gente só tem a agradecer à Dove por compartilhar todos esses seus sentimentos. Como ela mostra, é importante dar vazão a eles, está tudo bem não estar feliz o tempo todo. É importante se abrir e também pedir ajuda.

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