“Alice Através do Espelho leva a sério a força que as mulheres têm”, diz Anne Hathaway

A CAPRICHO conversou com Mia Wasikowska e Anne Hathaway sobre a estreia do novo filme da Disney

Por Claudia Ciuffo, de Los Angeles|Fotos: Divulgação Atualizado em 24 ago 2016, 13h45 - Publicado em 26 Maio 2016, 20h10

Dá pra acreditar que já faz seis anos que Alice no País das Maravilhas chegou ao cinema? Depois de tooooodo esse tempo, finalmente vamos poder ver a tão esperada continuação do longa. Alice Através do Espelho estreia hoje (26) nos cinemas e mostra a loirinha retornado ao País das Maravilhas após uma longa viagem pelo mundo. Quando descobre que o Chapeleiro Maluco corre risco de vida, ela tem que ir atrás do Tempo, um senhos muito misterioso.

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A CAPRICHO conversou com Mia Wasikowska (Alice), Anne Hathaway (Rainha Branca) e o diretor James Bobin sobre como foi retornar à sequência e a importância da história ao mostrar que garotas podem ser fortes e chegar onde quiserem. 

CH: Como foi para vocês voltarem a trabalhar juntos depois de seis anos?

MIA WASIKOWSKA: Foi incrível. No começo do filme, o público vai ver que Alice esteve viajando pelo mundo nos últimos dois anos e que ela é a capitã de seu próprio navio. Eu acho o máximo ela saber quem ela é e o que ela quer. Ela está ainda mais corajosa neste filme.
 
ANNE HATHAWAY: O que eu mais gostei foi de ver que a Rainha Branca não é perfeita. Como todos nós, ela tem um passado, tem arrependimentos e sente vergonha e culpa. Eu fiquei bem contente porque neste filme tivemos a chance de desenvolver e conhecer mais à fundo as emoções de cada um dos personagens.
 

CH: Vocês lembram como se sentiram quando leram os livros de Alice pela primeira vez?
 
ANNE: Eu li Alice quando eu era mais velha. Na verdade, estava lendo Lolita (romance clássico de Vladimir Nabokov) e vi um artigo dizendo que Alice No País Das Maravilhas explicava bastante Lolita. Então decidi ler Alice para entender melhor o livro que estava lendo. Como eu era adolescente, me identifiquei com o universo da Alice, um pouco estranho e até isolado. Era como eu me sentia na época.
 
Mia: Minha mãe me colocou para assistir o filme quando eu era bem pequena. Não lembro exatamente quando li o livro pela primeira vez, mas foi um pouco antes de fazer o primeiro filme.
 
 
CH: Vocês chegaram a fazer algumas das cenas de ação?
 
ANNE: Eu não. E a coitada na minha dublê se acidentou nas gravações. Ela se cortou.
MIA: Eu fiz algumas mais leves.
JAMES BOBIN: Isso não é verdade. Em uma cena, colocamos Mia em uma roleta e ela ficou girando o dia todo. 
MIA: É, aquilo foi bem bizarro. (risos)
JAMES: E nós rodamos o filme na Inglaterra em novembro, o que eu não recomendo para ninguém, porque estava superfrio. A Mia estava gravando uma cena de tempestade no barco com um figurino bem leve, passando mal de frio. Os lábios dela estavam azuis, não foi nada fácil.
 

 
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CH: Qual a importância das mensagens do filme em relação ao tempo e ao papel da mulher na sociedade?
 
MIA: Este filme tem muitas mensagens bacanas. Em relação ao tempo, o filme mostra que não podemos ficar presos ao passado e que não vamos conseguir mudar o que já passou. E acho superimportante ter um filme grande como este, que terá uma repercussão em todo o mundo, com uma protagonista mulher. É estranho para mim que isso não aconteça mais vezes.
 
ANNE: Este filme tem uma cena específica que me emocionou muito. A Alice está no hospício por ser muito criativa e o médico tenta injetar nela uma droga para controlar sua personalidade e impedí-la de ser ela mesma. Eu chorei  muito assistindo esta cena, especialmente porque ela luta com o médico e ganha, então ele é injetado com seu próprio veneno. Eu fico muito orgulhosa de fazer parte de um filme que leva a sério a questão das mulheres e a força que nós temos. Em relação ao tempo, eu convido todos vocês nesta sala a pararem de escrever que à medida que o tempo passa, as mulheres perdem o poder. Na realidade, eu me sinto muito mais poderosa à medida que os anos passam.
 
 
CH: Alguém já falou para vocês que, como mulheres, teriam mais dificuldade em conquistar seus objetivos profissionais? 
 
ANNE: Eu sempre tive muita sorte porque meus pais sempre me disseram que eu poderia fazer o que eu quisesse, da mesma forma que eles falaram isso para meus irmãos. Eu acreditei neles, porque eu confiava neles e os amava. Fico muito feliz que eles tenham feito isso, porque quando você diz a uma criança que ela não vai conseguir fazer alguma coisa, isso a desencoraja profundamente. No meu caso, foi o contrario e isso foi uma benção.
 
JAMES: O mais importante é que Alice é uma pessoa de verdade, destemida, determinada, corajosa. E ela existiu de verdade, foi escrita baseada em uma garota real. Alice pertence a uma geração em que as mulheres não podiam votar, e ainda assim ela quebrou todos os protocolos e lutou por seus sonhos. Ela é uma pessoa inspiradora, que fez a diferença. Esta mensagem vale para todas as mulheres até hoje.
 
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