Uma em cada vinte mulheres tem gene que ‘sabota’ pílula anticoncepcional

Pela primeira vez, a ciência comprova que mulheres podem engravidar mesmo utilizando o método contraceptivo da maneira correta.

Por Amanda Oliveira 30 mar 2019, 10h02

Há quem diga que, com tantas opções de métodos contraceptivos, hoje só engravida quem quer. Mas, embora já fosse comprovado que não existe nenhum método 100% seguro de falhas, a ciência acaba de provar, pela primeira vez, que algumas mulheres podem engravidar mesmo tomando a pílula anticoncepcional diariamente. Isso acontece por conta de um gene no DNA feminino que pode “sabotar” a eficácia da pílula, sem que a mulher sequer tenha ideia disso.

iStock/Toeps/Reprodução

Realizado na Escola de Medicina da Universidade do Colorado e publicado na revista Obstetrics and Gynecology, nos Estados Unidos, o estudo coletou o DNA de 350 mulheres que usavam um implante contraceptivo colocado sob a pele do braço, que libera o hormônio progestagênio no organismo para impedir a ovulação. A partir disso, o grupo examinou as seções do DNA conhecidas por atuarem na regulação hormonal das mulheres.

De acordo com o resultado da pesquisa, 5% das participantes da pesquisa carregam uma forma diferenciada do gene CYP3A7*1C, responsável por quebrar os hormônios liberados por contraceptivos. De modo geral, esse gene é ativado quando a pessoa ainda está no útero, mas “se desliga” antes do nascimento. Essas mulheres com o gene diferenciado, contudo, continuam a produzir a enzima para o resto da vida.

“Essa enzima quebra os hormônios de controle da natalidade e pode colocar as mulheres em um risco maior de gravidez durante o uso de contraceptivos, especialmente [quando são usados] métodos com doses mais baixas”, explica Aaron Lazorwitz, um dos autores do estudo. Segundo a estimativa da pesquisa, uma em cada 20 mulheres podem possuir esse traço genético diferenciado que “sabota” o efeito da pílula.

  • Para Aaron, a descoberta é de extrema importância para alertar as milhões de mulheres que fazem uso do método contraceptivo, mas também para quebrar a ideia de que “só engravida quem quer”. “Quando uma mulher diz que engravidou durante o controle de natalidade, a suposição sempre foi de que, de alguma forma, foi culpa dela. Essas descobertas mostram que devemos ouvir nossas pacientes e considerar se há algo em seus genes que causou isso”, diz.

    Como essa foi apenas a primeira comprovação do fato, outros estudos devem ser realizados daqui para frente para buscar entender mais sobre a relação desse gene com a pílula anticoncepcional. Mas, ainda assim, este já é um avanço para que as pessoas parem de culpar mulheres por engravidarem durante o uso de métodos contraceptivos. Se, em pleno 2019, a ciência ainda está descobrindo essas falhas, como as próprias mulheres vão adivinhar? #NãoÉSuaCulpa

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