Ser garota no Brasil é mais difícil que no Iraque, afirma estudo

Sabia que ocupamos o 4º lugar dentre os países com mais crianças casadas?

Por Marcela Bonafé - 11 out 2018, 17h52

Em 2011, foi estipulado pelas Nações Unidas que todo 11 de outubro seria comemorado o Dia Internacional da Menina. A intenção é reconhecer os direitos e os desafios que as garotas enfrentam em todos os países. “Se efetivamente apoiadas durante a adolescência, meninas têm o potencial de mudar o mundo – tanto como meninas empoderadas de hoje quanto como futuras trabalhadoras, mães, empreendedoras, mentoras, chefes de família e líderes políticas”, destaca o site da ONU.

O tema de 2016 para celebrar a data é Progresso das Meninas = Progresso dos Objetivos: O Que Importa para as Meninas. Ele foi escolhido com base nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, conta que eles pretendem acabar com a discriminação e a violência contra garotas, investindo em diversas áreas, além de diminuir práticas prejudiciais como o casamento infantil.

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Ele também acredita que é extremamente importante que dados sejam bem coletados pelo mundo para que a ONU tenha certeza do que ainda precisa de mais atenção. Percebe como a qualidade de vida para meninas é um problema global? E se durante as aulas de geografia você aprendeu sobre a Índia e a pobreza que o país enfrenta, ou sobre as guerras que o Iraque atravessa, talvez tenha pensado que a condição das meninas deve ser muito difícil por lá. Mas, acredite: no Brasil é ainda mais.

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Considerando o Dia Internacional da Menina, a ONG Save The Children divulgou um relatório sobre a qualidade de vida das meninas por todo o mundo. Dos 144 países que constam no documento, o Brasil ocupa a 102ª posição. Além de Índia e Iraque, outros países que enfrentam extrema pobreza ou conflitos de diversos tipos como Namíbia, Timor Leste, Paquistão, Síria, Nepal e Ucrânia, por exemplo, também ficaram melhor colocados do que o nosso país. Surpresa?

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Os fatores levados em conta para montar o ranking foram casamento infantil, gravidez na adolescência, mortalidade materna, número de mulheres na política (comparado ao dos homens) e chances de completar o ensino fundamental. Os dois primeiros são os principais responsáveis por deixar a colocação do Brasil tão para baixo. Sabia que ocupamos o 4º lugar dentre os países com mais crianças casadas?

Alguns dados do relatório ainda chamaram atenção para o fato de ser um país rico e desenvolvido não necessariamente significa qualidade de vida – pelo menos, não para meninas. Os Estados Unidos, considerados potência econômica mundial, ficaram em 32º lugar. Isso porque a mortalidade materna e a gravidez na adolescência são altas lá, enquanto a representatividade feminina na política é baixa. Ou seja, fica claro as melhorias nas condições das meninas são necessárias em diversas esferas, né?!

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A ONU reconhece que os principais investimentos, por ora, devem ser para: melhorar a educação; evitar casamento infantil; levar informações e serviços sobre a puberdade e idade reprodutiva; e proteger as meninas de gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis e violência baseada em diferenças de gênero. Com mudanças nessas áreas, certamente o Brasil melhoraria sua posição no relatório da Save The Children.

E aí você pensa em todas as meninas que dizem que a gente, aqui no Brasil, não precisa do feminismo. Será, mesmo? Sem dúvidas, muitas das mudanças estão nas mãos, principalmente, dos Governos – o que implica um processo gradativo e extremamente lento. Então, a luta diária das mulheres por equidade, segurança, reconhecimento, além do fim da violência, impunidade e de qualquer discriminação por causa de gênero é, sim, importante. Os dados desse relatório deixam claro que essa não é uma causa apenas das meninas do Oriente Médio, por exemplo. É de todas nós <3

Feliz dia, garota! Estamos todas juntas!

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