Quem é Emma González, a garota de 18 anos que desafia a América

Admirada por Demi Lovato e Zendaya, a estudante sabe o que quer: o fim dos massacres em escolas. E sabe o que não quer: a venda indiscriminada de armas.

Por Isabella Otto Atualizado em 27 fev 2018, 16h39 - Publicado em 27 fev 2018, 16h31

Faz pouco mais de uma semana que um tiroteio em uma escola de Pakland, na Flórida, deixou 17 mortos. Um ex-aluno de 19 anos entrou armado e começou a atirar nas pessoas. Na época em que tudo aconteceu, Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, culpou os “problemas mentais” do garoto pela tragédia. Cobrado pela população, que não aceitou o conformismo do americano, Trump se pronunciou novamente sobre o caso mais recentemente e encontrou uma solução para os tiroteios que acontecem com frequência em colégios norte-americanos: armar os professores.

Oi! Essa é a Emma. Você ainda verá muito esse rostinho 🙂 Reprodução/Reprodução

A ideia é tão absurda que parece que o Presidente está sendo sarcástico, mas não. Ele realmente acredita que a melhor maneira de combater crimes cometidos com armas de fogo é dando mais armas de fogo à população. É aí que Emma González entra em cena!

A garota de 18 anos, que estuda na Stoneman Douglas High School, colégio que sofreu o ataque, fez um discurso emocionante sobre a posse de armas facilitada nos Estados Unidos. A adolescente chamou a atenção para uma lei de Obama que Trump revogou, que proibia a venda de armas para pessoas que tivessem distúrbios mentais comprovados. “Não preciso ser uma psicóloga para saber que revogar essa lei foi uma ideia muito estúpida“, afirmou a estudante.

Emma ainda deixa claro que não acredita que esses massacres sejam apenas tragédias e garante que, na verdade, o Governo não faz nada porque lucra com o comércio de armas de fogo. “Se o Presidente vier até mim e falar que foi uma terrível tragédia, que nunca deveria ter acontecido, mantendo seu discurso de que nada vai ser feito, eu vou ficar feliz em perguntar quanto dinheiro ele recebe da indústria armamentista”, desafiou a estudante, que foi ovacionada por colegas de escolas, professores e pela internet.

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Foi com esse discurso, dado logo após o massacre, que aconteceu em 14 de fevereiro, que Emma González ficou conhecida no mundo todo. A adolescente, que presenciou o ataque, estava no último ano, se preparando para cursar ciências na faculdade. Ela faz parte da aliança gay-hétero do Stoneman Douglas High School, é bissexual, feminista e ativista. Ela representa atualmente a voz dos jovens americanos em prol do desarmamento e é uma das líderes do movimento #NeverAgain.

E aí, o que você acha? iStock/CSA Images/Reprodução

No dia 22 de janeiro de 2018, Emma ganhou destaque no Instagram Humans of Stoneman Douglas, criado por alguns alunos que se inspiraram no projeto Humans of New York, depois de ter raspado o cabelo. Na publicação, a jovem garante que, para ela, ter cabelo comprido era um sofrimento, principalmente no Verão, e que ela se sente muito mais livre e autêntica com o novo corte. “Com o baile de formatura chegando, eu também percebi que seria mais barato se eu não tivesse que me preocupar em fazer algo com o cabelo”, garantiu.

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“I decided to cut my hair because it was a pain in the neck, if you’ll forgive the pun. It was really hot all the time; it was very cumbersome and very heavy, leading to a lot of headaches. It was expensive to keep it up, and as prom time came around, I figured it would be cheaper to not have to worry about doing my hair. The more my parents said no, the more I wanted it. Actually, I even made a powerpoint in order to convince them that I should do it. I figured I would look really good with it, and I do. So, it all worked out fine.”

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No Twitter, Emma González é seguida por celebridades como Zendaya e Hayley Williams. Ela, junto com outros membros do #NeverAgain, organizaram uma caminhada em Washington, no dia 24 de março, intitulada “Marcha Pelas Nossas Vidas”. O intuito da manifestação é conscientizar as pessoas dos inúmeros massacres, que acontecem facilitados pelo simples acesso às armas de fogo, e protestar contra o Governo Trump, que classifica tais tiroteios como tragédias e quer dar mais armas para a população, de forma quase indiscriminada. “Eles dizem que uma boa pessoa armada vai parar uma pessoa ruim armada. Isso é mentira!”, opina a garota.

O que você, que mora no Brasil, tem a ver com isso? No último ano, alguns massacres em colégios brasileiros chamaram a atenção da mídia, de alunos, pais e governantes. O que está sendo feito? Atualmente, há um projeto na Câmara dos Deputados em votação que pretende alterar a situação do Estatuto do Desarmamento e facilitar o acesso a armas de fogo no Brasil. O projeto, criado pela Bancada da Bala, pretende que as leis brasileiras de armamento se tornem cada vez mais parecidas com as que vigoram nos Estados Unidos – e estão se mostrando cada dia mais perigosas e menos eficientes.

O que Emma González teria a dizer sobre isso? A gente pretende contar em breve. #NeverAgain

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