Protesto: polonesa morre após médicos se recusarem a fazer um aborto legal

O bebê de Izabela não tinha nenhuma chance de vida, mas ela tinha. Contudo, este direito lhe foi negado e a mãe veio a óbito

Por Isabella Otto 8 nov 2021, 16h07

No último sábado, 6, milhares de mulheres se reuniram em várias cidades de Polônia, em especial em Pszczyna, para protestar contra a morte de uma jovem chamada Izabela, de 30 anos, mais uma vítima fatal de leis retrógradas a respeito do aborto legal.

Memorial para Izabela, que morreu vítima de problemas gestacionais causados por uma gravidez que deveria ter sido interrompida
Memorial dedicado a Izabela, de 30 anos, que morreu por problemas gestacionais STR/NurPhoto/Getty Images

Em setembro, a moça, que estava grávida de 22 semanas, veio à óbito. O bebê da polonesa não tinha líquido amniótico suficiente para sobreviver, mas os médicos do hospital em que estava sendo atendida se recusaram a fazer um aborto e preservar a vida da mãe.

O filho já não tinha nenhuma chance de sobrevivência e o quadro estava piorando drasticamente. Mesmo Izabela tendo adoecido por causa da gravidez, decidiram não a interrompê-la por causa de uma lei que passou a vigorar no início do ano e autoriza o aborto somente em casos de estupro ou incesto, ou quando a mãe estiver em perigo. Os profissionais, contudo, se recusaram a interromper a gravidez, dizendo que esperariam Izabela entrar em trabalho de parto para então retirarem o bebê do útero. A polonesa morreu antes.

Multidão protesta contra morte de Izabela, que tinha direito a fazer um aborto legal da Polônica
“Ela é alguém, não só um corpo”, diz cartaz de manifestante Beata Zawrzel/NurPhoto/Getty Images
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Jolanta Budzowska, advogada da família, entrou na Justiça, dizendo que, mesmo os médicos sabendo que a vida de Izabela, que já tinha uma filha de 9 anos, estava em risco, se recusaram a fazer o aborto e usaram as leis do país como desculpa. “Os médicos esperaram que o feto morresse. O feto morreu, a paciente morreu. Choque séptico“, garantiu. Dois médicos envolvidos no caso foram afastados do hospital.

+: Billie Eilish se posiciona contra lei antiaborto durante show no Texas

A mãe da vítima fez questão de compartilhar uma das últimas mensagens que a filha enviou, lamentando sua situação: “O bebê pesa 485 gramas. No momento, por causa da lei do aborto, tenho que ficar de cama. E não há nada que possam fazer. Eles irão esperar até que eu morra“.

Multidão protesta em prol da legalização do aborto
Leis antiaborto dos EUA são bastante parecidas com as da Polônia e manifestações contra sempre ocorrem. Na foto, o protesto é no Texas Lokman Vural Elibol/Anadolu Agency/Getty Images

Em países em que o aborto não é legalizado ou é legal em casos específicos, por ano, milhares de mulheres viajam para fora na tentativa de conseguirem interromper a gravidez de uma maneira segura. Aquelas que não possuem esse privilégio, acabam recorrendo a práticas abortivas perigosas. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a cada dois dias, uma mulher morre por aborto inseguro, que é uma das principais causas de morte materna, que mais afeta a população negra.

A não legalização do aborto é um tipo de feminicídio cometido pelo Estado. 

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