Pesquisa realizada no ano passado já previa pandemia com origem na China

O estudo foi realizado por cientistas do Instituto de Virologia de Wuhan, cidade onde o primeiro caso de COVID-19 no mundo foi diagnosticado

Por Gabriela Junqueira - Atualizado em 2 abr 2020, 15h16 - Publicado em 2 abr 2020, 10h50
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CAPRICHO/Divulgação

Um estudo feito por três cientistas do Instituto de Virologia de Wuhan e publicado em 2019 previu que uma próxima pandemia causada por coronavírus poderia ter a China como foco. A pesquisa Bat Corona Viruses in China, publicada na revista científica Viruses, já alertava: “Não devemos subestimar a possibilidade de recombinação entre diferentes CoVs de morcego, levando à geração de vírus com potencial pandêmico.”

Mykola Sosiukin/Getty Images

Além de morcegos, aves, roedores e primatas também transmitem alguns tipos de vírus, mas são mais resistentes. Segundo o estudo, que foi financiado pelo governo chinês, “os morcegos abrigam uma proporção significativamente maior de vírus zoonóticos do que outras ordens de mamíferos”.

A pesquisa ressalta que, após dois surtos de Cov atingirem o país no passado, era urgente investigar a fundo as razões para evitar outro surto.

Apesar do animal estar espalhado por quase todo o planeta, o estudo apontou que o vírus poderia voltar a contaminar humanos na China. O foco poderia ser o país por causa do costume de comer carne de animais silvestres, como o morcego, transmissor de outros vírus da família coronavírus . “A maioria dos morcegos hospedeiros desses CoVs vivem perto de seres humanos, potencialmente transmitindo vírus para seres humanos e animais. A cultura alimentar chinesa também sustenta que os animais abatidos são mais nutritivos e essa crença pode potencializar a transmissão viral”, diz o estudo.

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O novo coronavírus foi identificado pela primeira vez em uma pessoa que esteve no mercado de Wuhan, que comercializa animais como cobras, tartarugas, roedores e morcegos. Ainda existem dúvidas sobre qual seria o animal que causou a primeira transmissão. As principais hipóteses se dividem entre o morcego ou o pangolim, outro animal comercializado neste mercado.

Temporariamente, o comércio de animais silvestres foi proibido no país. A medida foi tomada no final de fevereiro, com o intuito de frear as transmissões do vírus, e anunciada pela Xinhua, agência estatal de notícias chinesa.

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