O que é cultura do estupro e como você compactua com ela

Em meio a tantas denúncias de assédio sexual, é importante saber como você, mesmo que nunca tenha sido assediada, pode fazer a diferença no mundo.

Por Isabella Otto - 17 jan 2018, 11h45
Promoção CAPRICHO Volta às Aulas 2018
Divulgação/CAPRICHO

No dia 21 de maio, o estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro causou grande repercussão. Após o ocorrido, a jovem contou que além de ser humilhada por muitas pessoas em suas redes sociais, também foi culpabilizada pelo delegado que estava cuidando do caso dela. Aqui, nós temos um exemplo claro da famosa cultura do estupro. Uma adolescente foi violentada, mas o que todos procuraram foram fatos para “provar” que ela não era vítima e, sim, culpada.

O que é cultura do estupro e como você compactua com ela

A cultura do estupro nada mais é do que aquela ideia de que a mulher é sempre a culpada pelo assédio, seja pelas roupas que veste, pelo lugar que frequenta, pelas atitudes que toma. Essa ideia machista, que, geralmente, é passada de pai para filho, está enraizada em nossa cabeça. É por isso que, às vezes, a incentivamos sem nem perceber, tomando algumas das atitudes abaixo:

1. Coibindo com o assédio
O assédio nas ruas acontece através das conhecidas cantadas. Algumas garotas não ligam, mas outras se sentem intimidadas e com medo. Esse tipo de assédio pressupõe que o corpo da mulher é público, o que está completamente errado. O assédio virtual, por outro lado, consiste em receber/enviar elogios agressivos e inconvenientes, nudes não solicitadas, ameaças online. Parece algo pequeno e menos invasivo, pois tem o computador no meio como intermediador, mas não é.

2. Culpando a vítima
Pesquisar como era a vida da menina antes do estupro para tentar encontrar alguma justificativa para o crime não só é errado, como injusto. Pesquisar a vida dos caras ninguém quer, né? O passado de uma mulher não importa, porque ela deve ser livre e viver como bem entender. Assim como não importa a roupa que ela estava usando, o que ela estava fazendo, com quem estava socializando. Julgar o comportamento da vítima, deslegitimar seu relato e culpá-la pela violência que sofreu tira o estuprador do foco – e incentiva a cultura do estupro.

O que é cultura do estupro e como você compactua com ela
Reprodução/Reprodução

3. Reproduzindo conteúdos machistas
É muito comum escutarmos comentários maldosos sobre a vítima após crimes de estupro, como “ela gostou” ou “teve sorte, porque é feia e ninguém iria querê-la mesmo”. Além de ser uma falta de senso enorme, essa fala acaba diminuindo o crime de assédio. Estupro nunca é engraçado ou motivo de piada. Reproduzir “piadinhas”, músicas e qualquer outro conteúdo de cunho machista e/ou criminoso também é colaborar com a cultura do estupro.

4. Encorajando crianças a terem atitudes machistas
É importante ensinar o que é consentimento para crianças. Isso faz com que elas entendam o que o que é limite – tanto o delas quanto o do próximo. É muito comum ouvir que fulaninho se estressou com a coleguinha porque ela negou um beijo dele. Daí o fulano pega várias para “superar”, chega em casa e ainda escuta um “parabéns, filhão!” o pai. Ou seja, fulaninho vai se sentir sempre encorajado a, no mínimo, se estressar com garotas que dizem não a ele. Errado.

5. Achando que o corpo da mulher é público
Você está na balada, um garoto dá em cima de você e, mesmo não tendo nem um pingo de obrigação de se desculpar pelo fora que está prestes a dar, você diz: “desculpa, mas tô de boa”. Você se desculpa por deixar de fazer algo que não tinha a mínima obrigação. Uma mulher pode estar sozinha, mas não quer dizer que esteja disponível. Não é não. Vale alertar que desde 2009, a Lei 12.015 foi alterada. De acordo com ela, agora, estupro não é só sexo sem consentimento. Beijar uma menina à força é uma versão do mesmo tipo de violência. Se liga!

Continua após a publicidade
Publicidade