7 vezes que o machismo matou e você pode nem ter percebido

E as pessoas insistem em dizer que o feminismo é besteira...

Por Da Redação - 26 jan 2019, 10h01

Em uma festa de réveillon no interior de São Paulo, Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, começou o que foi chamado de Chacina de Campinas. Ele entrou em uma casa e atirou em sua ex-mulher, Isamara Filier, em seu filho de 8 anos, João Victor, e em mais 10 pessoas que estavam no local. Depois, Sidnei se matou. Com o crime já premeditado, o homem havia deixado uma carta escrita, que acabou sendo publicada na internet, justificando o injustificável e usando expressões extremamente machistas para compor seu desabafo.

Em trechos chocantes divulgados pela imprensa, Sidnei Ramis se referia a ex-mulher como uma das “vadias que se proliferam e muito a cada dia se beneficiando da lei vadia da penha“. Ele também deixava claro que não concordava com o fato de a ex-esposa ter ficado com a guarda do filho: “Morto também já estou, porque não posso ficar contigo, ver você crescer, desfrutar a vida contigo por causa de um sistema feminista e umas louca(…) A vadia foi ardilosa e inspirou outras vadias a fazer o mesmo com os filhos, agora os pais quem irão se inspirar e acabar com as famílias das vadias(…) Filho, não sou machista e não tenho raiva das mulheres (essas de boa índole, eu amo de coração, tanto é que me apaixonei por uma mulher maravilhosa, a Kátia)”.

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Isamara e as outras mulheres mortas na festa foram mais nove das milhares de vítimas que o machismo faz diariamente a números assustadores. Você sabia que, só no Brasil, a taxa de feminicídio é de 4,8 para cada 100 mil mulheres? No mundo, a morte pelo simples fato de ser mulher atinge todas as faixas etárias, raças, religiões e nacionalidades. Estes sete casos a seguir, infelizmente, poderiam acontecer com qualquer uma de nós e reforçam o porquê de a luta feminista ser relevante.

1. O ex-namorado inconformado

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Reprodução: globo.com

Revoltado com o fim do relacionamento, Lindemberg Alves Fernandes, de 22 anos, invadiu o apartamento da ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, e a manteve em cárcere privado por quase cinco dias. Se em 2008 você já assistia às notícias na TV, certamente acompanhou os momentos angustiantes das negociações, que, infelizmente, não deram certo. A polícia acabou invadindo o apartamento e, assustado, Lindemberg atirou em Eloá na cabeça e na virilha. Sua amiga, Nayara Rodrigues, estava no local e também levou um tiro, mas sobreviveu.

2. A censura à luta

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Reprodução: El Día

O Dia da Não Violência Contra a Mulher, 25 de novembro, foi escolhido por causa de uma história que aconteceu em 1960 e nem todo mundo conhece. Patria Mercedes, Minerva Argentina, María Teresa e Bélgica Adela, conhecidas como as irmãs Mirabal, são as homenageadas pela data. Elas viveram durante a ditadura de Rafal Trujillo, na República Dominicana, e se envolveram no movimento contra ele – menos Bégica, a única que não foi morta. As outras três, quando voltavam de uma visita a seus maridos na prisão, foram vítimas de uma emboscada e o Serviço de Inteligência Militar as torturou e espancou, até que acabaram brutalmente assassinadas. Na época, tentaram simular um acidente.

3. A morte da inocência

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Reprodução: BBC

Vítimas de feminicídio não têm idade. Yuliana Andrea Sambioní, de apenas 7 anos, estava brincando na porta de casa, em Bogotá, na Colômbia, no dia 7 de dezembro de 2016, por volta das nove da manhã – e essa foi a última vez em que foi vista com vida. Depois de mais de 10 horas, o corpo da menina foi encontrada com sinais de tortura e violência sexual. O responsável foi Rafael Uribe Noguera, um arquiteto de 38 anos.

4. Cego de ciúmes

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Reprodução: Independent UK

Em 2014, Miss Honduras Maria Jose Alvarado, de 19 anos, e sua irmã Sofia Trinidad, de 23, desapareceram após serem vistas saindo de uma festa em Santa Barbara. Os corpos foram encontrados cinco dias depois, enterrados próximos ao rio Aguagua e estavam com tiros. Plutarco Ruiz, namorado da miss, confessou o crime. Os investigadores falaram sobre uma crise de ciúmes. Pois é. Uma crise de ciúmes acabou com a vida de Maria Jose, que estava a uma semana de embarcar para Londres e competir no Miss Mundo.

5. O interesse não atendido

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Reprodução: globo.com

A inglesa Cara Marie Burke, de 17 anos, morava em Goiânia e foi morta no mesmo ano que Eloá, e de uma forma muito cruel. Mohammed d’Ali Carvalho dos Santos, que tinha 20 anos, esfaqueou e esquartejou a jovem. Em seguida, ele separou as partes do corpo em duas malas e jogou uma em um rio e a outra em um córrego. No começo, alegavam que eles eram namorados. Mas, na verdade, Mohammed namorava uma outra mulher na época. O crime foi motivado, de acordo com a promotoria, porque ele queria que Cara se casasse com ele para que ele conseguisse ter cidadania inglesa.

6. A violência sexual brutal

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Reprodução: ElPaís

Você deve ter acompanhado o movimento #NiUnaMenos em agosto do último ano, que repercutiu em todo o mundo. Mulheres em diversos países foram às ruas protestar contra o feminicídio após um caso chocante que aconteceu na Argentina, país onde a cada 36 horas, uma mulher morre por ser mulher. Lucía Perez, de 16 anos, foi drogada, estuprada e empalada (inseriram objetos em suas partes íntimas, perfurando-as) por dois homens: um de 23 e outro de 41. Eles ainda tiveram a cara de pau de tentar disfarçar a situação dando um banho no corpo e levando ao hospital, dizendo que ela havia tido uma overdose.

7. A vingança e a omissão

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Reprodução: ElPais

Nadia Alejandra Muciño Márquez tinha 17 anos em 1997, quando conheceu Bernardo López Gutiérrez, de 22. Eles começaram a se relacionar e, depois de um tempo, foram morar juntos e tiveram dois filhos. Até aí tudo bem, mas então o machismo começou a dar as caras: ele não permitia que Nadia trabalhasse e isso gerava discussões entre os dois, que acabavam em agressões. Em 2003 ele chegou a privá-la por seis dias e foi denunciado por ela, que se mudou com os filhos. Depois de três meses, ele convenceu Nadia a voltar e parecia estar diferente, mas no dia 12 de fevereiro de 2004 ela foi morta, na frente dos filhos, por Bernardo e um outro homem, que tentaram simular um suicídio – o que foi assegurado pelas autoridades.

Você precisa do feminismo para cada homem que diz que não é machista, mas abusa de mulheres e pratica crimes de ódio. Você precisa do feminismo para cada garota que diz que não precisa do movimento porque não mora no Oriente Médio. Você precisa do feminismo para cada mulher que é vítima de feminicídio na América Latina. Você precisa do feminismo para cada Eloá, Nadia, Yuiliana, Maria, Sofia, Lucía…

 

+ Leia mais: ‘Só morta entendi que para o mundo não sou igual a um homem’

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