Não importa o que digam, o luto pelo seu ídolo é válido

Só quem precisou se despedir de um artista que fez parte da sua história reconhece o sentimento de luto de fã, que, em grande parte das vezes, é esnobado.

Por Juliana Morales 21 out 2026, 13h00
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morte inesperada de um artista gera muita comoção. O feed das redes sociais é inundado de notícias, despedidas e homenagens àquela figura pública. Ao mesmo tempo, a dor dos fãs dessa pessoa parece não ser levada tão a sério. É como se o fato de não a terem conhecido pessoalmente ou de não terem tido uma relação mais íntima com ela invalidasse o luto — que, pelo contrário, é real, natural e merece respeito.

A morte da atriz Lua Blanco, aos 39 anos, vítima de um câncer de intestino, no último domingo (18), reacendeu essa discussão. Conhecida por seu trabalho na versão brasileira de Rebelde, como Roberta, a artista fez parte da vida de uma geração que acompanhou a novela, exibida entre 2011 e 2012, e teve sua história embalada pelas músicas do grupo do qual ela fez parte.

A notícia do falecimento de Lua trouxe à tona um misto de saudade, nostalgia e tristeza. “A Lua esteve em uma fase muito importante da minha vida, a infância. É nessa época que começamos a descobrir do que gostamos e do que não gostamos”, conta a paulusta Ana Beatriz à CAPRICHO. “Para mim, a presença dela foi muito importante porque, com Rebelde, aprendi muita coisa. Eu escutava as músicas, gostava de acompanhar e tudo isso fez parte de um período muito significativo da minha vida.”

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A coordenadora do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto (Lelu), da PUC-SP, Maria Helena Franco, explicou, em texto da Folhapress, que não é preciso ter uma convivência diária para sentir a perda. Segundo a especialista, trata-se da “abstração de um símbolo do que aquela pessoa representava”. Ou seja, “se era alguém que representava sucesso, beleza, que trazia palavras bonitas, amorosas, é isso que se perde quando se vive o luto”, exemplifica. No caso da Bia, por exemplo, a artista teve um papel importante em sua vida e representa toda uma fase da sua infância. É como se ela se despedisse de tudo isso também. 

“Quando a gente é fã, a arte nos conecta com o artista de uma forma muito real. Uma música, um filme ou algum momento é tão marcante que passa a fazer parte da nossa própria história. E, muitas vezes, ela nos ajuda a passar por momentos difíceis, faz com que nos sintamos próximos”, diz Ana Bia, que conta que, infelizmente, não é a primeira vez que passo por um luto desse tipo.“Quando eu era pequena, lembro de como foi difícil para mim quando perdemos o Cameron Boyce, que era um dos meus atores favoritos. Isso se repetiu com a morte do Liam Payne e, agora, com a morte da Lua Blanco.

É importante entender que cada luto é individual. É claro que a perda de um familiar muito próximo é diferente do sentimento de quem perde um ídolo, mas isso não significa que um é menos válido ou inferior, como se existisse um ranking da dor de perda. Os lutos se manifestam de maneiras diferentes. No caso do luto de fã, por exemplo, pode ser mais difícil acreditar que aquilo de fato aconteceu, justamente por ser alguém que não está presente no nosso cotidiano. “Você vai ver essa notícia em todos os lugares, e isso vai mexer com você. Por isso, é importante acolher esse sentimento”, diz Ana Bia. 

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A jovem também lembra que não existe uma regra sobre qual é a melhor forma de passar pelo processo do luto.”Muitas pessoas procuram acolhimento compartilhando o que estão sentindo com outros fãs, que também estão passando pela mesma situação, e isso é muito importante. Outras fazem edits e vídeos para conseguir colocar um pouco desse sentimento para fora. É algo real, e esse luto deve ser validado.”

Seja qual for o seu jeito de lidar com a perda, o mais importante é que você não invalide seu sentimento, tá? Permita-se vivenciar e processar essa dor. E se precisar, busque ajuda!

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