Mulheres são as mais afetadas pela pandemia e a culpa é do machismo

Estudos mostram que as mulheres seguem sendo as mais afetadas emocionalmente pela pandemia justamente por terem ficado mais sobrecarregadas

Por Blog da Galera Atualizado em 7 Maio 2021, 17h10 - Publicado em 7 Maio 2021, 17h07
plaquinha com o nome de Marine Borges, acompanhado de uma foto dela
Barbara Marcantonio/CAPRICHO

Olá, queridas leitoras! Como vocês estão? Quem fala aqui é a Antonela, da Galera CAPRICHO, e quero conversar um pouco sobre como o machismo estrutural ficou ainda mais evidente nos últimos tempos por conta da pandemia. Vimos a sociedade mudar totalmente de configuração e o papel das mulheres, principalmente daquelas que não puderam se isolar, ter a  jornada de trabalho aumentada quando chegavam em casa. Tarefas domésticas e até mesmo a responsabilidade de cuidar de algum parente idoso foram mais atribuídas às mulheres. O questionamento que fica é: por que, na maioria dos casos, foram as mulheres que ficaram com esse cargo?

A ilustração mostra diversas mulheres usando máscaras cirúrgicas
Ada daSilva/Getty Images

A resposta não é nova, mas o problema é o mesmo: o machismo, que está presente em diversos campos da sociedade atual, mesmo que não seja facilmente perceptível, como é o caso dos cuidados de casa: cozinhar, limpar, passar roupa, cuidar da família. Todas essas coisas são culturalmente atribuídas a mulher. Apesar de muitas coisas já estarem mudando, ainda há uma grande distinção dos papéis por gênero, principalmente no cenário da pandemia.

“Tivemos um aumento da sobrecarga de trabalho doméstico, um aumento da violência em todos os países centrais do mundo e a demissão de mais de 7 milhões de mulheres no Brasil”, segundo a  deputada deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) em debate da Secretaria da Mulher da Câmara junto com o ONU Mulheres, segundo a Agência Câmara de Notícias.

A ilustração mostra uma mulher de cabelo preso, usando máscara, vestindo uma blusa marrom, cachecol laranja e casaco verde. Ela segura uma bolsa.
Ada daSilva/Getty Images

A pressão e o aumento de cobranças também teve impactos na saúde mental: as mulheres foram as mais afetadas emocionalmente pela pandemia, representando 40%, do sintomas de depressão, segundo a pesquisa Exploratory study on the psychological impacto of covid-19 on the general Brazilian population, publicada na revista científica Plos One. “Quando dizemos que nossa sociedade é machista em geral, não estamos falando de indivíduos declaradamente machistas. Nem de atitudes isoladas de machismo explícito, ou de discriminação proposital, racionalizada, das mulheres. Estamos falando das associações que fazemos com ‘ser mulher e ‘ser homem’, e o que elas significam em nossa sociedade“, diz a socióloga Marília Moschkovich. No caso da Pandemia, podemos colocar o “ser mulher” as características de “cuidado” e “zelo”, ensinando as mulheres a “serem mulheres”, ou seja, a terem que cuidar da casa por ser uma das funções de esposa e mãe, não sendo atribuídas ao homens. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) já estimava que mulheres já assumiam três vezes mais responsabilidades e tarefas domésticas que os homens desde quando as mulheres ingressaram no mercado de trabalho e a situação tem se agravado a partir do último ano. De fato, as mulheres trabalharam mais, como mostra os dados de uma pesquisa realizada pela Sempreviva Organização Feminista (SOF), uma organização não governamental com sede em São Paulo que faz parte do movimento de mulheres no Brasil e em âmbito internacional, que comprova que 50% das mulheres brasileiras passaram a cuidar de alguém na pandemia. Esse é o caso de Christina Zaccarelli, professora formada em Letras na PUC e que  atualmente faz doutorado em Linguística Aplicada na Unicamp, sendo uma das únicas mulheres neste curso. Além de tudo isso, ela é feminista, participando de protestos, discussões e tudo o que aparece, bem gente como a gente, né?

  • Em nossa conversa, Christina contou como a pandemia mudou muito a rotina da casa: “Eu cuidava do meu pai idoso que era doente e acabou falecendo em maio. Com a pandemia, passei a cuidar dele, da casa e a fazer home office. Sei que sou privilegiada – a maioria das mulheres brasileiras não tiveram o luxo de poder ficar em casa e cuidar dos que amam“. 

    Ainda é possível traçar uma relação com o machismo estrutural, como fala Christina. “Muitos estudos mostram que, de maneira geral, a produtividade das mulheres no trabalho diminuiu durante a pandemia, justamente porque, normalmente, elas assumiram muito mais tarefas em casa, ao contrário dos profissionais masculinos que ‘tinham quem fizesse por’ eles – claro, uma mulher”, explica.

    Temos muito o que refletir, e evoluir, como indivíduos e sociedade. 

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