Mulheres na Luta: os 150 anos da história feminista descritos e ilustrados

Agora, sim, o feminismo está desenhado e explicado de uma forma bem didática para quem, em pleno 2019, ainda não entendeu.

Por Amanda Oliveira - 6 mar 2019, 10h02

Você já parou para imaginar como era ser uma mulher 150 anos atrás? Se em 2019 já não é fácil, a realidade feminina naquela época era ainda mais difícil, aterrorizante e inacreditável. Porque, sim, é difícil acreditar que existiu um tempo em que as mulheres eram impedidas de votar, trabalhar, estudar, ter opiniões, participar da política ou fazer suas próprias escolhas. Um período em que a figura feminina era vista apenas como alguém para servir aos homens. É esta a realidade ilustrada e descrita didaticamente em Mulheres na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade, de Marta Breen e Jenny Jordahl. O lançamento é da Companhia das Letras, que enviou um exemplar à CAPRICHO.

Linha do tempo com os anos em que cada país permitiu o voto feminino. Companhia das Letras/Reprodução

O livro é uma história em quadrinhos composta por ilustrações incríveis com fatos e dados tão relevantes que traz praticamente a mesma sensação de estar em uma aula de História totalmente dedicada à luta feminina. Marta e Jenny iniciam a obra abordando o século XIX (dezenove), quando as mulheres realmente não tinham direito de fazer nada: estudar, possuir terras, participar da política ou até mesmo escolher o marido de seu próprio casamento.

Mulheres na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade. Companhia das Letras/Reprodução

A luta das mulheres contra a escravidão e os detalhes mais importantes do período abolicionista é o primeiro tema abordado, trazendo um fato que não mudou tanto assim até os dias atuais: embora ambas sofram muito com o machismo, as realidades entre a mulher branca e a negra são bem distintas.

Depois disso, somos apresentados ao movimento das sufragistas e a longa e sangrenta batalha pelo voto feminino. Você sabia, por exemplo, que mulheres foram responsáveis por centenas de bombardeios e incêndios para chamarem atenção, principalmente em lugares públicos que só aceitavam homens? Elas só atacavam prédios e locais vazios para não machucarem ninguém, é claro. O que importava mesmo era passar a mensagem: elas estavam ali e não iriam desistir tão fácil.

“Quando os homens explodem bombas em nome de uma causa, chamam isso de guerra e são vistos como heróis. Por que as mulheres não podem usar as mesmas armas que os homens?” foram as palavras da sábia Christabel Pankhurst.

Já no cenário do século XX (vinte), o livro mostra a inclusão das mulheres do movimento socialista no feminismo, que, até então, contava somente com mulheres da burguesia. Para essas outras mulheres mais pobres, o movimento feminista era uma causa também parte da luta de classes. Um dos principais nomes de liderança entre as mulheres operárias era a alemã Clara Zetkin, que propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher para reforçar a luta pelos direitos das trabalhadoras. Foi assim que o nosso famoso 8 de março surgiu.

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Companhia das Letras/Reprodução

Outra luta importante feminina e uma das principais dentro do feminismo foi (e ainda é) o controle sobre o próprio corpo. Métodos contraceptivos, por exemplo, nem sempre existiram ou foram aceitos. Antigamente, dezenas de mulheres morriam todos os anos em decorrência de complicações no parto ou abortos clandestinos, muitas delas após terem tido muitos filhos. Os métodos anticoncepcionais foram o primeiro passo para dar escolhas às mulheres sobre seus próprios corpos – mas essa ainda é uma batalha muito longa.

E falando em batalhas que, infelizmente, ainda estão longe de acabar: a luta contra a homofobia. Você sabia que durante a Segunda Guerra Mundial, mulheres lésbicas eram obrigadas pelos nazistas a viverem como heterossexuais? Se casarem com homens e tudo mais? Pior é saber que isso não é tão surpreendente assim, nem mesmo nos dias atuais…

Companhia das Letras/Reprodução

Todos esses temas são abordados através de ilustrações muito bem feitas. Mulheres na Luta traz, ainda, um panorama geral sobre a difícil vivência das mulheres em diversos lugares do mundo, apesar de estarmos, sim, em 2019. Há países que avançaram e depois regrediram. Há outros, contudo, que nunca chegaram a avançar tanto assim. Elas ainda são mutiladas, estupradas, agredidas, vendidas, obrigadas a se casarem quando crianças, assediadas no trabalho ou na faculdade, entre diferentes tipos de abusos que tornam o “ser mulher” um peso grande e complicado, mesmo após 150 anos de tantas mudanças.

Você é feminista e ama ler histórias em quadrinhos? Esse livro é para você. Não conhece muito sobre o movimento e ainda não sabe se é uma feminista? Esse livro também é para você. Mas, além disso, esse livro é de importante leitura para os homens – afinal, a dura e longa luta feminina é uma aula de História que até eles precisam ter para entender e respeitar o movimento, acima de tudo.

Mulheres na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade tem 128 páginas, já está disponível nas livrarias e custa R$ 64,90. Uma edição incrível que poderia entrar facilmente na nossa listinha de livros para ler ao menos uma vez na vida!

 

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