Mulher é agredida por PMs na rua: “Só podia ser preta”, disse um deles

"Eu fui chamada de preta, fui chamada de vagabunda por eles na delegacia", disse a vítima, uma pedagoga de 39 anos, que mora em Macapá

Por Isabella Otto Atualizado em 1 out 2020, 19h14 - Publicado em 21 set 2020, 12h31
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Divulgação/CAPRICHO

Na noite da última sexta-feira, 18, o flagrante de policiais militares agredindo uma mulher em Macapá, no Amapá, foi feito. A vítima, Eliane Espírito Santo da Silva, uma pedagoga de 39 anos, foi jogada no chão com uma rasteira antes de levar um soco no rosto.

Segundo reportagem da GloboNews, a gravação foi feita pelo filho da professora, que presenciou a cena junto de uma criança, que gritava pela “tia”. Ela foi detida junto do marido por resistência, desacato e desobediência, e ambos foram liberados após pagarem fiança de R$800 cada um. Na sequência, a vítima foi até a delegacia da mulher registrar um B.O. pela agressão.

Em nota, a PM disse que “a instituição não coaduna com esse tipo de comportamento, um fato isolado”. Os policiais envolvidos no flagrante foram afastados de seus cargos. Em entrevista para o G1 AP, a pedagoga deu a seguinte declaração: “Para mim isso foi uma tortura, mexeu muito com meu psicológico(…) Eu fui chamada de preta, fui chamada de vagabunda por eles na delegacia. Eu me senti ofendida e para mim foi um preconceito muito grande, porque éramos os únicos negros ali“.

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    Waldez Góes, governador do estado, usou o Facebook para mostrar sua indignação com o caso e disse que “a cena é recheada de atitudes racistas”, e que “nossa polícia é historicamente admirada e reconhecida pelo respeito aos cidadãos”. Em entrevista ao Fantástico, exibida no último domingo, 20, Elaine relatou alguns fatos: “Pedi pra polícia soltar um pouco a algema do meu braço, e o policial foi lá e apertou mais. Minha pressão subiu muito, tive um início de convulsão(…) Eu disse pra ele [o policial] que a gente ia conversar sobre isso na Justiça e ele disse: ‘Só podia ser preta’“.

     

    “A polícia já abordou a gente apontando as armas para o carro(…) A abordagem inicial foi me engasgar(…) Em nenhum momento houve desacato, em momento algum eu o agredi verbalmente, ele que já veio me agredindo fisicamente(…) Minha família está com medo de represália, de fazerem algo com meu filho. Ele é trabalhador. Eu trabalho na minha casa, passei um constrangimento na frente de casa, do meu trabalho”, disse Elaine também em entrevista para o G1 AP.

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