Jovem mata garota gamer a facadas e deixa carta: “Ódio forte por mulheres”

O assassino, que usava o nome de Flash Asmodeus em partidas online, confessou o crime; ele deixa, além de carta, um livro sobre o que fez: "Não foi em vão"

Por Isabella Otto 24 fev 2021, 10h07
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CAPRICHO/Sestini/Reprodução

Na última segunda-feira, 22, Guilherme Alves Costa, de 18 anos, conhecido no universo gamer como Flash Asmodeus, assassinou a facadas a gamer Ingrid Bueno, a Sol, de 19 anos, em Pirituba, São Paulo. O jovem enviou por e-mail uma carta para a professora, ativista feminista e blogueira Lola Aronvich, falando sobre o crime premeditado: “Eu peguei um ódio forte pelas mulheres nesses últimos anos da minha vida. Toda esse drama que elas passam, toda essa melancolia, eu sinto nojo e ódio disso, eu quero ficar longe, ser um homem seguro e esperto, não sei se isso será mais possível, porém eu deixo pra você o meu livro com todos os dias que passei, pensando. Lá eu falo tudo sobre mim e o porque fiz o que fiz. Sinceramente não foi em vão, pessoas irão aprender com isso“, escreve.

Sol, que integrava a equipe do FBI ESports, conheceu Flash em partidas online e combinou de se encontrar com ele. A adolescente foi até a casa do rapaz, onde foi morta. Quem encontrou o corpo foi o irmão do assassino, já que Guilherme havia fugido após cometer o crime. Ele, contudo, foi encontrado pela família, que o convenceu a se entregar para a polícia. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, Flash admitiu o homicídio, disse que conheceu a vítima na internet há pouco mais de um mês e que realmente escreveu um livro de 52 páginas sobre o que fez. “Não sou um desesperado, sou alguém que pensa e compreende”, diz em carta. O caso foi registrado como homicídio qualificado no 87º Distrito Policial e a família da vítima disse que não sabia da relação da gamer com o garoto.

Jovem mata garota gamer a facadas e deixa carta:
À esquerda, o jovem que se intitulava online Flash Asmodeus; à direita, foto da vítima, cuja identidade foi preservada por nós Polícia Militar/Arquivo Pessoal/Reprodução

Nas redes sociais, a equipe Jagares Esports emitiu um nota alertando que “mulheres denunciam abusos diariamente, mas não têm muita atenção da sociedade. No esport, não é diferente(…) Muitas jogadoras são ameaçadas e fazemos campanhas para combater qualquer tipo de abuso”. A polícia também investiga o fato de o autor do crime ter compartilhado um vídeo na internet rindo do que havia feito e testando as pessoas: “Vocês estão achando que é tinta, montagem ou algo do tipo, mas eu realmente matei ela”, teria dito.

O ódio às mulheres dentro da comunidade nerd é enorme e não é nenhuma novidade que ele exista. Apesar de as próprias garotas gamers relatarem que as coisas estão mudando, mesmo que a passos de tartaruga, a representatividade feminina nos games (dentro e fora deles) é drasticamente menor que a representação da misoginia e do machismo, que são escancarados em perseguições de gênero online e na vida real.

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    Gostaríamos muito de viver em um mundo em que conselhos como o que daremos a seguir não fossem mais necessários – nem nunca tivessem sido -, mas, meninas, muito cuidado ao encontrar pessoas que vocês não conhecem na vida real. A realidade da internet pode ser completamente diferente daquela off-line. Parece um pouco surreal pedir para que você nunca se encontre com alguém que conheceu online com aplicativos de relacionamento sendo tão famosos e unindo tantos casais, mas atente-se a possíveis contas fake, opte sempre por agendar primeiros encontros em lugares públicos e sempre informe pessoas de sua confiança do seu destino.

     

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