‘Existe uma cultura de que mulheres não devem ser ouvidas’

Lara Koer, uma das personagem do projeto #betheCHange, produzido pela CAPRICHO, faz desabafo sobre a machista indústria cinematográfica.

Por Isabella Otto - Atualizado em 5 abr 2017, 19h36 - Publicado em 5 abr 2017, 18h33

Talvez você não saiba, e não há problema nenhum em não saber, mas Alice Guy-Blaché foi a primeira mulher diretora, roteirista e administradora do seu próprio estúdio de cinema. Isso foi lá no final dos anos 80. Parece muito tempo, mas não é. A francesa foi importante para que, hoje, Lara Koer, de 23 anos, conseguisse fazer o seu trabalho. A cineasta cuidou do roteiro e dirigiu a micro-websérie SUPER, lançada no YouTube no dia 20 de março.

Mas ela não estava sozinha! Nessa jornada, a moradora de Florianópolis se uniu a um time de mulheres para que juntas pudessem lutar contra o machismo que ainda é forte na indústria cinematográfica. “SUPER é um projeto de mulheres em três telas: as mulheres por trás das telas, que são as que trabalharam no projeto, as mulheres em frente às telas, que são as meninas que vão assistir, e as mulheres nas telas, que são as nossas quatro protagonistas”, explica Lara durante documentário do projeto #betheCHange, da CAPRICHO.

'Existe uma cultura de que mulheres não devem ser ouvidas'
Reprodução/Reprodução

Durante a produção da websérie, que conta a história de quatro garotas que descobrem ter superpoderes e percebem a importância de se ajudarem após isso, Lara notou que ela não tinha sido a única que já havia se sentido desconfortável em sets de filmagem. “Eu não gostava de trabalhar em sets em que eu era assediada”, desabafa a cineasta, que percebeu só depois os porquês de não curtir estar nesse local de trabalho.

Aliás, a discussão que Lara traz à tona é importantíssima. Recentemente, a figurinista Susllem Tonani foi assediada por José Mayer nos bastidores da novela A Lei do Amor. Su foi vítima da indústria cinematográfica e dos seus protótipos de galãs. Com ambientes ainda dominados por homens, sets de filmagem são muitas vezes opressivos para mulheres, não por elas serem fracas, mas por estarem inseridas em um ambiente extremamente machista. “Existe uma cultura de que mulheres não devem ser ouvidas, e a gente às vezes nem percebe(…) Os homens foram criados para falar e a gente pra ficar quieta“, questiona.

Com sua ideia simples, mas revolucionária (sabia que tudo surgiu a partir de um espirro?), Lara Koer juntou um time formado 80% por mulheres e transformou o seu ambiente de trabalho. Com a websérie, que você pode acompanhar no Canal Calamavina no YouTube, ela pretende inspirar garotas a transformarem o seu mundo e a lutarem diariamente contra o machismo ainda tão enraizado na nossa cultura – principalmente quando o assunto é carreira.

“Queria ver você no meu lugar, andar na rua sem se preocupar, sem ter vontade de sumir. Pra quem é menina não se ensina um superpoder.” (Trecho retirado de Super, música tema da websérie de mesmo nome.)

 

+ Leia mais: Jessica Martins usa a dança para transformar: ‘Resistência’

Continua após a publicidade
Publicidade