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É verdade que, sem as abelhas, não existiria mais vida no planeta Terra?

Você pode até ter medo de abelhas, mas, na verdade, deveria ter mais medo de viver sem elas

Por Isabella Otto 20 Maio 2022, 10h41

Você gosta de morango? E de abobrinha? E de pepino, maracujá, tomate e kiwi? Esses alimentos parecem aleatórios, mas dividem uma particularidade muito interessante: sem as abelhas, eles não existiriam. Inclusive, sem as abelhas, nem nós estaríamos aqui para contar a história – e saborear as delícias da natureza!

Neste 20 de maio, Dia Mundial das Abelhas, a CAPRICHO responde se o mundo realmente acabaria se esses insetos deixassem de existir.

As abelhas são as polinizadoras mais importantes do mundo
As abelhas são as polinizadoras mais importantes do mundo Thomas Grunow-Lietz / EyeEm/Getty Images

A resposta é depende. O planeta Terra talvez continuasse fazendo parte da Via Láctea, mas não seria mais habitado por humanos e por muitos seres vivos. Fred Crema, especialista em vida selvagem do Projeto Araciara, explica que, se as abelhas acabarem, em cerca de dois anos nã existirá mais ser humano. Afinal, sem abelhas, não há polinização; sem polinização, não há plantas; sem plantas, não há alimentos; sem alimentos, não há animais; sem alimentos e animais, não há homem.

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Existe por volta de 308 mil espécies de plantas no mundo, sendo que 87% delas precisa de um intermediário, ou seja, de um ser vivo, para que sua reprodução aconteça. As abelhas são responsáveis por 78% dessa intermediação, sendo que morcegos, borboletas, beija-flores, besouros e outros polinizadores ficam encarregados dos outros 22%.

Sem contar que algumas abelhas são responsáveis por polinizações específicas. Por exemplo, as da espécie Euglossa polinizam as orquídeas. E, caso você não saiba, a baunilha é uma orquídea. Logo, sem a Euglossa, sem aquele extrato natural com cheirinho delícia que colocamos em bolos.

Hoje, são três as principais ameaças para as abelhas: os agrotóxicos, o fumacê e as queimadas. Fred explica que os agrotóxicos são jogados nas plantações e, quando as abelhas vão polinizar as flores, acabam levando a substância consigo para “casa” e matando a colmeia inteira. O mesmo acontece com o fumacê, que acaba matando as abelhas envenenadas. Com relação às queimadas, muitas acabam se instalando em troncos de árvores e tendo suas colmeias destruídas pelo fogo.

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Foto de um homem segurando um equipamento que solta fumaça e mata mosquitos
Fumacê sendo aplicado em Mumbai, na Índia, para o combate à dengue. Prática é muito comum também no Brasil Rajanish Kakade/Hindustan Times/Getty Images

“Cerca de 350 espécies de abelhas são brasileiras, como aquela popularmente conhecida como ‘abelinha de cabelo’. Aquela abelha amarela e preta, a mais famosa, é europeia-africana e chegou ao Brasil por um erro”, conta o especialista do Projeto Araciara, que visa a proteção das abelhas nativas do Brasil.

Segundo Fred, há algumas maneiras de combatermos a extinção desse inseto essencial para a vida terrestre. A primeira e mais simples é plantando flores. “Quanto mais flor tiver, melhor, pois significa mais alimento para as abelhas”, dá a dica.

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A segunda maneira é talvez um pouco inusitada, mas completamente possível: ter uma abelha como pet! Tudo que você precisa é de um jardim, uma caixa de abelhas e um atrativo para elas, que pode ser encontrado em ONGs e até mesmo na internet. Você não terá gastos rotineiros, pois as abelhas produzem seu próprio alimento, e ainda ajudará o meio ambiente!

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E falando em alimento… Você sabe que as abelhas produzem mel para consumo próprio, né? Pois é! O mel é um produto essencial para a sobrevivência delas. Quando esse mel é coletado de maneira agressiva por humanos, a colmeia acaba ficando sem alimento e morrendo. É preciso sempre coletar uma parte para os homens e deixar outra para os insetos. Por isso, outra forma de ajudar na preservação é pesquisando a origem do seu mel.

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O segundo ser vivo mais organizado do mundo – depois das formigas -, as abelhas encontram-se hoje ameaçadas, tanto nas áreas rurais quanto nas urbanas. A espécie B. franklini foi declarada extinta nos Estados Unidos em 2017 e 10 milhões de colmeias desapareceram nos últimos seis anos, fenômeno nomeado por cientistas de Síndrome do Colapso das Colônias.

Para tentar minimizar os danos causados por certos agrotóxicos, fala-se até em produzir abelhas eletrônicas, mas não seria a mesma coisa. Afinal, a natureza é sábia e insubstituível! E as abelhas sem ferrão, essas tão brasileiras, são uma ótima ferramenta para a regeneração de áreas naturais e essesnciais para a manutenção da vida terrestre.

Quando Albert Einstein uma vez disse que, sem as abelhas, a humanidade sobreviveria apenas mais alguns anos, mas que, sem a humanidade, o planeta ficaria mais verde do que nunca… Bem, ele não errou.

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