8 vezes que o problema foi a pessoa, não o feminismo

Todos os títulos e chamadas das matérias abaixo são originais. Apenas a identidade dos redatores e/ou das personagens foi preservada.

Por Isabella Otto - 27 jun 2018, 17h00

Desde 2015, as discussões sobre feminismo ficaram ainda mais intensas na internet. Isso foi uma conquista e tanto, meninas! Mas, é claro, que junto com esse “boom” girl power (leia mais sobre ele aqui), muitas matérias com chamadas contraditórias e comentários errôneos foram publicados. É aquela coisa, né? Se está em alta, por que não aproveitar?

Não podemos se aproveitar do momento simplesmente para dar notícias que bebem do tema e, muitas vezes, distorcem o assunto. Afinal, você já deve ter escutado alguém falar que o feminismo é um problema, certo? Errado. Aqui provamos que, algumas vezes, as pessoas que são um problema, não o movimento.

Separamos abaixo alguns exemplos que devem ser evitados – porque a discussão deve continuar a todo vapor!

1. Por que não “mulher”?

Esse é um exemplo claro em que a palavra “feminista” foi usada apenas para polemizar. Vejamos: “mulher faz pão com levedura” ou “feminista faz pão com levedura”. Sentiu a diferença? Associar o ato à feminista é errôneo. Afinal, a produção desse pão não se deve ao fato de a pessoa ser ligada ao movimento, certo? Qualquer mulher poderia ter essa ideia, por mais inusitada que você a considere. Mas se o feminismo está em alta, vamos aproveitar, né? ~risos irônicos~

2. Você jura, amiga?

Qualquer pessoa tem o direito de se sentir insegura. Você, eu, a Angelina Jolie, a Isabella Santoni… Até aí, tudo bem. Mas em um mundo onde padrões de beleza ainda são ditados e seguidos com uma força sombria à la Star Wars, notícias que mostram mulheres com corpos “perfeitos” reclamando da vida e de sua forma física, apenas reforçam esses padrões e fazem com que eles pareçam ainda mais inalcançáveis. Not cool!

3. Não é ok associar gordura à falta de saúde

Nem todo gordinho é gordinho porque não cuida da saúde. Às vezes, é tudo uma questão de constituição física. E vale lembrar que nem sempre magreza é sinônimo de saúde, bem estar e autoestima. Por isso, será que por mais pessoal que seja o comentário, devemos ditar regras e generalizar? Afinal, como diz a jornalista e blogueira Ju Romano, “a opinião ~dessa pessoa~ não vai fazer eu entrar em um regime e também não vai fazer com que eu acorde mais magra amanhã. Mas, infelizmente, ela pode fazer com que uma série ~de pessoas~ passem a me olhar com cara feia, nojo, pena ou que passem a se sentir no direito de julgar meu corpo só porque eu sou gorda”. Toda essa conquista girl power não é uma questão de status ou de ser politicamente correto, ok? NOT COOL AT ALL !

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4. Ei, pessoinhas, não é legal generalizar o feminismo

Nem correto. Dentro do movimento, há inúmeras vertentes e pessoas – e pessoas têm diferentes modos de pensar. Por isso, quando lemos o título de uma matéria como a que foi publicada acima, nosso cérebro, mesmo que involuntariamente, pensa que todas as feministas têm essa opinião sobre a cantora. O que não é verdade! Algumas feministas, inclusive, curtem as músicas da Taylor Swift e não julgam quando escutam alguém falar que a artista é um exemplo girl power.

5. 2016 e mulheres ainda são tratadas como objetos?!

Algumas matérias realmente não mudam a nossa vida, mas são divertidas e nos garantem momentos únicos de procrastinação. Agora, quando uma dessas matérias que não mudam a vida, na verdade, só contribuem para que os padrões, os estereótipos e o problema de objetificar mulheres fiquem ainda mais intensos… Bom, talvez seja melhor repensar.

6. O que uma coisa tem a ver com a outra?

Não vamos entrar na questão de ser contra ou a favor do aborto, mas como em qualquer discussão que temos nessa vida, não adianta tentarmos argumentar usando comparações nonsense. Leia o depoimento acima mais uma vez, com calma. Parece que matar um mico-leão-dourado é um ato até ok perto da questão do aborto, certo? Foi justamente isso que a pessoa quis dar a entender e é e-r-r-a-d-o! Esse argumento é totalmente equivocado. Não dá para fazer essa comparação. São situações completamente diferentes, que não podem ser colocadas na mesma balança.

7. Por quê? O mundo não pode ser delas também?

O fato de as mulheres estarem ganhando maior destaque no mundo nerd e geek é sensacional! Entretanto, o verbo “invadir” não foi a melhor escolha na situação acima. Ele, além de trazer uma ideia completamente equivocada desse cenário cultural – afinal, as mulheres sempre se encontraram em peso nele; elas só estão sob a luz dos holofotes no momento -, estimula a competição entre homens e mulheres.

8. E quem disse que as feministas são vítimas?

Você diria que a Frida Khalo foi uma mulher vitimista? E a Joanna D’arc? Você classificaria a atriz Viola Davis como uma mulher fraca, que se faz de vítima? E a Malala Yousafzai? A Pitty? Hummm… É, talvez o problema seja mesmo as pessoas que pensam que o feminismo é para meninas fracas, que curtem se fazer de vítimas. Não é.

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