Dayane Mello naturaliza o racismo em A Fazenda: “Tem que ser branquinha”

Participante associou a pele branca a uma beleza mais elegante e sussurrou na hora de usar a palavra "morena"

Por Isabella Otto Atualizado em 21 set 2021, 11h25 - Publicado em 21 set 2021, 10h59

Fazer matéria sobre A Fazenda é dar moral para um programa, e uma emissora, que há anos escala perfis duvidosos em troca de audiência – e é também dar audiência “de graça” para o reality. Mas algumas coisas não podemos deixar passar, porque são bastante significativas e dizem muito sobre o mundo em que ainda vivemos.

Dayane Mello conversando com o sertanejo Tiago em A Fazenda
Record/PlayPlusTV/Reprodução

Na tarde da última segunda-feira, 20, Dayane Mello, queridinha dos brasileiros desde o Grande Fratello, o BBB da Itália, disse para o sertanejo Tiago Piquilo que não pode tomar muito sol por causa da sua profissão de modelo. Até aí, faz sentido. O problema é a justificativa que ela usa: “Tu sabe que eu não posso ficar muito morena por conta do meu trabalho, né? Tem que ser branquinha. As campanhas não querem muito morena, querem uma beleza um pouco mais elegante do que muito… Sabe?… Morena”, terminou num sussurro, dando a entender que usou a palavra “morena” numa tentativa falha de suavizar o preconceito contra peles escuras.

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Confira:

Obviamente, a fala da participante entrega todo o racismo estrutural de nossa sociedade, muito presente na indústria na moda, mas a maneira como ela se posiciona é extremamente questionável, trazendo falas e um tom de voz que compactua com o racismo por tantas vezes “naturalizado”.

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Nas redes sociais, o episódio repercutiu:

A fala de Dayane é problemática em três pontos:

  1. reforça a ideia da superioridade branca, ao associar a cor de pele clara a uma beleza elegante, como se pessoas negras não fossem tão elegantes quanto pessoas brancas;
  2. ao sussurrar a palavra “morena”, fica implícito que ela usa esse termo numa tentativa de “suavizar” palavras como negra e preta, como se estas fossem “ruins”,;
  3. ela escancara uma questão envolvendo toda a indústria da moda e beleza mundial, mas parece compactuar com ela e demonstra certo comodismo, como se: “Poxa, é uma droga, mas estou confortável aqui no meu lugar de mulher branca e pretendo assim seguir”.

Tem que pedir justiça neste caso aqui também, né, internet? #EstamosDeOlho

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